Publicidade

Polícia
27 de Maio de 2015
Imprimir

por: Paulo Rollemberg/ Equipe Portal JC    Facebook Google+ Compartilhe no Twitter

Travesti é morta após discutir valor do programa

Este foi o primeiro assassinato de travesti no ano em Sergipe. Bárbara se preparava para deixar a profissão justamente pelos riscos das ruas.

Travesti é morta após discutir valor do programa - Foto: Jornal da CidadeTravesti é morta após discutir valor do programa - Foto: Jornal da Cidade

A travesti Bárbara Sodré, 29 anos, foi morta na madrugada da última segunda-feira, 25, após discutir com um cliente que se recusou a pagar o programa. O fato ocorreu no centro da capital sergipana, onde a vítima trabalhava como profissional do sexo. Este foi o primeiro assassinato de travesti no ano em Sergipe. Bárbara se preparava para deixar a profissão justamente pelos riscos das ruas.

Segundo informações passadas pela presidente da Associação de Travestis e Transgêneros de Aracaju (Astra), Tathiane Araújo, a travesti teria feito um programa e quando foi receber o dinheiro, o cliente teria se recusado a pagar. Os dois teriam entrado em luta corporal e Bárbara pegou a chave do carro como garantia, mas para reaver a chave, o homem puxou uma faca e desferiu um golpe. A vítima ficou caída no chão, enquanto o autor do homicídio fugiu.

Thatiane disse que tem sido corriqueiro, o cliente se recusar a pagar pelo programa. “Acontece sempre durante a negociação do programa. Existe um conflito, mas não chega a via de fato, diferente do que ocorreu agora com Bárbara”, relatou. Segundo ela, os registros são feitos, porém a Polícia - sempre que acionada - trata a situação como chacota. “Não se dá importância, ali é um trabalho como qualquer outro”, protestou.

Para Thatiane, a morte de Bárbara é o reflexo do descaso do poder público com os travestis e transgêneros. “Nada mais avançou em relação à política de segurança pública para populações vulneráveis e de inclusão social”, disse ela, após a extinção da Secretaria de Direitos Humanos.

Sonho despedaçado

Thatiane contou que Bárbara estava se preparando para deixar a prostituição, justamente pelos riscos do trabalho. Na última segunda-feira, 25, dia em que foi assassinada, a travesti iniciaria um curso de técnica em enfermagem. A mesma já tinha do curso de auxiliar na mesma área e fazia estágio no Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE). “Tive uma conversa com ela dias antes e ela me contou que iria largar a prostituição, pela falta de respeito com as profissionais do sexo. Ela dizia: ‘Thatiane, jogam pedra e urina na gente aqui. Ninguém nos respeita’”, lembrou a presidente da Astra.

Bárbara que era natural de Estância e estava na profissão há cinco anos, teria trabalhado em Belo Horizonte e São Paulo, também temia a rejeição e o preconceito ao buscar o trabalho em outra atividade. “Ela contava que como as pessoas reagiriam dela vestida de mulher no trabalho. Tinha medo de ser rejeitada”, completou.

O caso está investigado pelo Departamento de Homicídios e  Proteção à Pessoa (DHPP). Informações são que os policiais já solicitaram imagens das câmeras do Ciosp na região, como também das utilizadas em estabelecimentos comerciais da região do centro.

Conselho Estadual

Diante da morte de Bárbara, a secretária de Estado da Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (Seidh), Marta Leão, se reuniu com o coordenador de Direitos Humanos do Governo de Sergipe, Antônio Bittencourt, e com a militante e Pesquisadora LGBTT, Adriana Lohanna Santos, onde foi discutida a agilidade na aprovação do Projeto de Lei que cria o Conselho Estadual de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT. Outro ponto discutido no encontro foi a transferência do Centro de Combate a Homofobia da Secretaria de Segurança Pública para Seidh.  

Adriana Lohanna cobrou a SSP a retomada do Grupo de Trabalho de Políticas Públicas para a população LGBT, que já está sem atividade desde a saída do coordenador do grupo, delegado Mário Leony. “Até o momento a SSP não definiu uma reestruturação do GT. Temos que pensar em segurança pública para essa população”, afirmou.

No Brasil, foram 326 homicídios em 2014, uma média de uma morte violenta a cada 27 horas, dos quais  53% gays, 43% travestis e 4% lésbicas. Crimes de ódio, com requintes de crueldade: dezenas de facadas e tiros, múltiplos instrumentos de tortura, empalamento e castração das vítimas. Até março de 2015 já foram documentados 122 assassinatos no País.

Facebook Google+ Compartilhe no Twitter
Fonte: Jornal da Cidade Fonte da Foto: Jornal da Cidade
Data Original: