Prefeitura estrutura linha de cuidado ao diabetes tipo 1 com monitorização que reduz o uso de punções capilares
Menos dor, mais autonomia e acompanhamento qualificado: é assim que a Saúde de Aracaju segue transformando a rotina de pessoas com diabetes tipo 1. A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), deu continuidade, nesta terça-feira, 13, à segunda etapa do projeto pioneiro “Sem Medir a Vida”, que assegura gratuitamente o acesso à monitorização contínua da glicose para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) municipal.
Desde dezembro de 2025, os pacientes passaram a utilizar o sensor Libre 2 Plus, tecnologia que permite o acompanhamento glicêmico em tempo real, com leituras automáticas, alarmes para alterações e duração de até 15 dias, reduzindo significativamente a necessidade de medições invasivas nos dedos. A partir desta etapa, os sensores e leitores passam a ser dispensados mensalmente pelo SUS municipal, garantindo a continuidade do tratamento.
Os beneficiários do projeto são crianças, adolescentes e jovens de 2 a 22 anos, residentes em Aracaju e acompanhados no Ambulatório de Referência em Endocrinologia do Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (CEMAR), onde também recebem acompanhamento multiprofissional com endocrinologistas pediátricos e de adultos, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos.
A coordenadora da Rede de Atenção Especializada (REAE), Tércia Monteiro, explica que esta fase fortalece o vínculo entre pacientes e equipe de saúde. “Eles passam a integrar grupos com profissionais do ambulatório, onde podem trazer dúvidas, desconfortos e experiências vividas com o sensor. Esse momento permite avaliar os dados coletados e observar, junto com o paciente, a evolução do tratamento”, destacou. Segundo ela, o projeto preza pela qualidade e responsabilidade no uso da tecnologia. “Não é o uso do sensor pelo uso. Existem critérios de inclusão e também de exclusão, porque é preciso adesão, cuidado com o equipamento e participação no acompanhamento multiprofissional”, reforçou.
Para as famílias, o impacto tem sido imediato. Claudine Lúcia de Jesus, mãe de Ane Camilly, de 17 anos, que convive com o diabetes desde os cinco anos, relatou a mudança na rotina da filha. “Antes era só judiar dos dedinhos dela. Agora, com o sensor, dá pra monitorar toda hora. Se baixa demais ou sobe demais, ele apita. Até dormindo ele avisa. Está muito melhor do que ficar furando o dedo”, afirmou.
A própria Ane Camilly ressaltou o ganho em praticidade e controle. “Todo dia eu tinha que furar o dedo várias vezes. Agora é só escanear, em casa ou na rua. O sensor ajuda até a prever se a glicemia vai subir ou cair”, explicou.
A tecnologia também tem sido determinante para a adesão ao tratamento de crianças. Rexia Meire Araújo, mãe de Ane Beatriz, de 10 anos, afirmou que o sensor representou um marco na aceitação da doença. “Ela começou muito nova e não aceitava o tratamento. Com o Libre, não precisa ficar furando o dedo, então a aceitação mudou completamente. Foi um divisor de águas”, relatou. Segundo ela, o impacto se estende à rotina escolar e ao descanso dos pais. “Hoje eu consigo dormir mais tranquila, porque os alarmes avisam quando a glicemia sobe ou cai”, disse.
O mesmo sentimento é compartilhado por Greice Bonfim, mãe de Arthur Henrique, de 10 anos. “Esse projeto melhorou muito a vida do meu filho e a nossa também. Antes ele sofria com as medições nos dedos. Hoje ele se mede a qualquer momento e até ganhou mais autonomia”, contou. Arthur confirmou a mudança: “Ficou muito mais fácil. Eu sofria muito medindo nos dedos, ficavam todos murchados e sem sangue”, desabafou.
Entre os adolescentes, o sensor também tem sido um aliado no processo de aceitação do diagnóstico. Alexsandra Souza, mãe de Aylla Cristine, de 13 anos, destacou o papel do equipamento e do acolhimento da equipe multiprofissional. “É difícil, principalmente na adolescência. Mas o aparelho ajuda muito, porque avisa. Não tem como ela negligenciar porque vai apitar, eu não vou precisar ficar lembrando. Hoje ela faz tudo sozinha”, afirmou. Aylla reforçou: “No começo eu tive dificuldade de aceitar a conviver com o diabetes. Agora, ficou bem mais fácil. Quando a glicemia altera, o sensor avisa. Hoje eu não saio mais de casa sem ele”, relatou.
Atleta de skate, Camilly Victória Dantas, de 15 anos, também sentiu os benefícios do dispositivo. “Furar o dedo várias vezes é dolorido. O Libre facilita e ainda ajuda a gente a se cuidar de forma mais reservada”, disse. Segundo ela, o esporte não é um obstáculo mas requer um monitoramento preciso. “Minha diabetes ela tem muitos picos, em véspera de campeonatos eu fico nervosa, então ela aumenta bastante. Mas com o sensor, já consigo ter uma noção melhor e contornar as coisas”, explicou.