Aracaju (SE), 26 de junho de 2026
POR: SMS | Aracaju
Fonte: Agência Aracaju de Notícias
Em: 26/06/2026 às 10:10
Pub.: 26 de junho de 2026

Prefeitura amplia acesso ao monitoramento contínuo da glicose para pacientes com diabetes tipo 1

Prefeitura amplia acesso ao monitoramento contínuo da glicose para pacientes com diabetes tipo 1 - Foto: Vitor Samuel

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), contemplou nesta quinta-feira, 25, mais 16 crianças, adolescentes e jovens com diabetes tipo 1 no projeto 'Sem Medir a Vida'. A iniciativa reuniu diversas famílias no Caju Hub e garantiu o acesso ao sensor de monitorização contínua da glicose Libre 2 Plus para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) municipal.
 
Na ocasião, profissionais da rede municipal participaram de uma atualização voltada ao aprimoramento da assistência aos pacientes e houve a entrega dos dispositivos aliado à orientação para pais e responsáveis sobre o manejo da ferramenta no dia-a-dia.
 
O projeto atende crianças, adolescentes e jovens de 2 a 22 anos, residentes em Aracaju, diagnosticados com diabetes tipo 1, usuários de insulina e acompanhados regularmente pela rede municipal de saúde.

O sensor Libre 2 Plus é uma tecnologia que realiza leituras automáticas da glicose em tempo real, envia alertas automáticos para o seu celular ou leitor sempre que a glicose estiver muito alta ou baixa, ajudando a evitar picos e quedas acentuadas. A ferramenta reduz significativamente a necessidade de medições na ponta dos dedos e são dispensados mensalmente pelo SUS municipal, dentro de uma linha de cuidado, para garantir a continuidade do tratamento.
 
A coordenadora da Rede de Atenção Especializada (Reae), Tércia Monteiro, explicou que a nova fase do projeto foi organizada em dois momentos. "Pela manhã, os profissionais do Ambulatório de Endocrinologia participaram de uma atualização sobre as ferramentas de monitorização contínua da glicose para qualificar ainda mais o acompanhamento dos pacientes, à tarde, os novos beneficiários e seus responsáveis receberam o dispositivo, foram orientados sobre a utilização do sensor, do aplicativo e da plataforma que subsidiam o acompanhamento clínico", detalhou.

Segundo Tércia, os 16 pacientes convocados atenderam aos critérios estabelecidos pelo protocolo do projeto, entre eles o diagnóstico de diabetes tipo 1, o uso de insulina, residência em Aracaju, acompanhamento no ambulatório e histórico de pelo menos três consultas com a equipe multiprofissional.
 
“Hoje eles recebem o primeiro kit e iniciam uma nova etapa do cuidado. O grande diferencial do projeto é justamente a continuidade desse acompanhamento, porque o sensor é uma ferramenta que precisa estar associada ao seguimento regular com endocrinologista, enfermeiro, nutricionista e psicólogo”, destacou.

A secretária municipal da Saúde, Débora Leite, ressalta que os critérios de inclusão foram definidos para garantir justiça na aplicação dos recursos públicos destinados ao projeto. Ela enfatiza que os sensores são adquiridos por meio de emendas parlamentares municipais e por conta disso, foi necessário estabelecer prioridades técnicas para alcançar o maior impacto possível.
 
“Como os recursos são finitos, criamos um plano de trabalho com critérios objetivos. Priorizando pacientes de Aracaju, acompanhados regularmente na rede municipal e em uma faixa etária que permita maior impacto ao longo da vida”, afirmou.

A secretária acrescentou que a prioridade para crianças e jovens busca reduzir o risco de complicações futuras, como insuficiência renal, amputações e problemas visuais. Ela reforça que o sucesso do tratamento depende do compromisso das famílias. “O sensor não é um dispositivo mágico. Ele é uma ferramenta de apoio ao tratamento, que depende da adesão à dieta, ao uso correto da medicação e ao acompanhamento multiprofissional”, enfatizou Débora Leite.

Conforme o protocolo do projeto, não são elegíveis pacientes que residem fora de Aracaju, possuem outros tipos de diabetes, estão fora da faixa etária estabelecida, não realizam acompanhamento regular na rede municipal, apresentam baixa adesão ao tratamento, possuem condições dermatológicas incompatíveis com o uso do sensor, recusam participar das capacitações ou utilizam dispositivos não compatíveis com o sistema adotado.

Mais qualidade de vida

Entre as famílias contempladas, a expectativa é de mais tranquilidade, autonomia e qualidade de vida na convivência com o diabetes tipo 1. Mãe da jovem Sayonara Eugênio, de 18 anos, Sandra Eugênio comemorou o acesso ao equipamento e expressa o alívio de reduzir as perfurações diárias nos dedos. "O novo recurso contribuirá para uma melhor evolução do tratamento. A sensação de contar com esse suporte é de segurança. Agora ela vai descansar os dedos e estamos na expectativa de acompanhar uma evolução ainda melhor”, desabafou.

Diagnosticada com diabetes há quatro anos, Sayonara Eugênio acredita que a tecnologia representa um importante avanço em seu tratamento."O sensor vai facilitar o controle diário da glicemia e deixará minha rotina mais tranquila. Não senti incômodo ao colocar o dispositivo em meu braço, agora é seguir com o tratamento e ver como me adapto no dia-a-dia", contou.

Também contemplada, Sheyla Patrícia Araújo, mãe de José Arthur Moreira, de sete anos, relatou que o diagnóstico do filho, que também é autista e tem TDAH, trouxe grandes desafios para a família. "Ele tem seletividade alimentar, o que torna as coisas ainda mais desafiadoras. Estamos em processo de adaptação e esse suporte fará toda a diferença para nós. Principalmente a noite ou quando ele estiver na escola, porque o dispositivo emite alertas para alterações glicêmicas e podemos agir já na hora", considerou. 

Para Edméa Santana, mãe da adolescente Mariana Acácio, de 13 anos, o acesso ao sensor representa mais liberdade e qualidade de vida para a filha. "Além de reduzir as medições invasivas, o dispositivo permitirá que ela tenha mais autonomia nas atividades diária. Ela ainda está em processo de aceitação da doença, acredito que este é um apoio muito importante para quem não tem condições de adquirir um equipamento de alto custo e ter um acompanhamento qualificado. Aos poucos, ela vai ganhando mais liberdade e qualidade de vida”, avaliou.

Pai de Rayanne Brito, de 13 anos, Carlos Augusto Souza compreende que o monitoramento contínuo proporcionará mais tranquilidade à família, principalmente durante a noite. "Acompanhar a glicemia em tempo real permitirá um controle mais seguro da doença e da administração da insulina. Com os alertas emitidos pelo aparelho, vou conseguir acompanhar tudo com muito mais segurança, inclusive durante o sono dela”, salientou.

A ampliação do número de beneficiários evidencia o avanço do projeto Sem Medir a Vida como uma política pública estruturada, que vai além da oferta de tecnologia. Ao associar o monitoramento contínuo da glicose ao acompanhamento multiprofissional e à educação em saúde, a iniciativa amplia a segurança, a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com diabetes tipo 1, fortalecendo uma linha de cuidado permanente na rede municipal de saúde.

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