Superlotação no Huse: 55 pacientes entre vascular, renais e neurológicos estão prontos e aguardam vagas em outras instituições
Huse (Foto: Arquivo SES/SE)
São cerca de 55 pacientes internados no PS do Huse que estão prontos, com atendimento e diagnóstico fechado, aguardando vagas em outras instituições não só na área vascular, mas também na neurocirugia e hemodiálise. São pacientes que estão ocupando leitos de outros pacientes que necessitam da Área Azul para internação. O coordenador do Pronto Socorro do Huse, Vinícius Vilela, relata com apreensão a situação que se encontra hoje o PS e as principais causas da superlotação.
“Eu tenho 27 pacientes renais crônicos que estão de alta hospitalar aguardando vaga ambulatorial de hemodiálise, esperando vagas nas clínicas particulares conveniadas com o SUS, porém, essas vagas não estão chegando. São mais de 50 pacientes de alta médica ou prontos para serem transferidos para outras instituições, pois, o Huse não faz esses procedimentos que seria a revascularização, que só é feita no HC. Os renais crônicos têm que ficar aqui no Huse porque as clínicas que tem convênio com o município não estão ofertando a quantidade de vagas necessárias. Isso vem causando a superlotação, o estresse dos funcionários dentro do PS, sem falar dos pacientes da neurocirurgia que também aguardam vagas no HC para realizarem o procedimento, principalmente de coluna que só é feito lá”, explicou.
O que se fala é que o município não está fazendo o repasse de verbas para o HC, mas, para os servidores do Huse, a conversa que chega pelos próprios funcionários que também prestam serviço na unidade é que as enfermarias do HC se encontram vazias e que poderiam acolher e acomodar todos os pacientes que já estão prontos para a transferência do Huse.
O mesmo caso se repete com as clínicas conveniadas para as sessões de hemodiálise. A oferta está menor que a demanda, são mais de 50 pacientes fazendo hemodiálise no Huse, porém, desses, 27 já estão prontos e com o relatório para irem para as clínicas em Aracaju ou em outros municípios do Estado. Desses 27, 24 deles são da capital. O coordenador informa ainda que muitos desses pacientes já estão emocionalmente abalados.
“Os pacientes estão prontos para irem pra casa fazer a hemodiálise agendada nas clínicas conveniadas, mas, enquanto isso não acontece, muitos correm o risco de pegar uma infecção, estão psicologicamente abalados, porque eles sabem que deveriam estar em casa, como o contrato é com o município ele tem que ser revisto e analisada a quantidade de vagas ofertadas. Os renais crônicos que poderiam estar fora do ambiente hospitalar, psicologicamente causa um desanimo neles e podem ter outra reação ao tratamento, podem ficar deprimidos, a imunidade pode baixar, sem vontade de se alimentar, isso causa fraqueza e tudo isso pode ir afetando o quadro clínico do paciente”, afirmou.
Ações
Diversas ações já foram pensadas pelos gestores e discutidas para minimizar a situação e oferecer maior qualidade de vida a esses pacientes, onde o bem estar deve ser levado em consideração. O Ministério Público já foi acionado e chamado para o caso dos pacientes represados da cirurgia vascular, da falta de vagas nas clínicas de hemodiálise e da neurocirurgia, mas, ainda sem respostas. Enquanto isso, o custo financeiro gasto pelo Huse para assumir a superlotação também deve ser levada em consideração.
Baixa Complexidade
As equipes se desdobram para acomodar os pacientes e dar o melhor tratamento possível, principalmente os que chegam com baixa complexidade. A dona de casa Aparecida Mota, 56, estava com fortes dores abdominais e na unidade de saúde do seu bairro foi medicada. Como a dor persistiu, ela resolveu procurar o Huse para um diagnóstico mais intenso.
“Demorou muito para eu ser atendida, mas, tive que esperar, pois, aqui consegui um tratamento diferenciado com medicações e exames. Assim que o povo deve ser tratado, com mais atenção”, respondeu a paciente se dirigindo para a sala de triagem.
A baixa complexidade do Huse está em torno de 85%, ou seja, 85% da demanda é o paciente que chega e sai em menos de 24 horas, é um perfil de UPAs e postos de saúde, então, esse público diretamente não causa superlotação, mas, ele compete o andamento do serviço pois, é o mesmo laboratório do paciente que está internado, a mesma equipe de enfermagem, o mesmo clínico, raio x, tomografia e tudo isso causa um retardo a mais em todos os procedimentos dos pacientes que estão internados, causando uma congestão de pacientes e consequentemente uma superlotação.
Vinícius Vilela, afirma que grande parte dos usuários que buscam atendimento no Huse, diz que não estão tendo o atendimento garantido nos seus municípios, seja ele qual for. “Eles vem para o Huse porque sabem que aqui tem resolutividade.
“Eles vão ter o exame garantido, ultrassonografia, raio x, tomografia, consulta com o vascular, com o neurocirurgião, tem resolutividade, porém, está sendo prejudicada pela grande procura da baixa complexidade, quem tá internado está ficando prejudicada por isso, poderia chegar em um diagnóstico mais rápido, mas, compete com a mesma clientela de baixa complexidade e como o Huse é porta aberta e garante assistência a todos os pacientes que procuram nossos serviços, temos que atender, então, esse atendimento pode estar alongado mas, estão sendo garantidos. Nós já estamos num ponto que não temos mais onde colocar paciente, a equipe está sobrecarregada, estressada, então, os insumos podem chegar num limite pela procura, então cabe a cada um assumir as suas responsabilidades”, concluiu o coordenador do PS do Huse.