Matadouros municipais estão um caos, diz Conselho de Medicina Veterinária
O Conselho Regional de Medicina Veterinária de Sergipe (CRMV-SE) está chamando a atenção da sociedade e dos órgãos fiscalizadores para o que ele classificou como um verdadeiro caos: a situação dos matadouros municipais. Infraestrutura inadequada, ausência de médico veterinário, crueldade no abate, profissionais sem treinamento, falta de higiene, são algumas das irregularidades detectadas.
Matadouros municipais estão um caos, diz Conselho de Medicina Veterinária (Foto: Divulgação)
Desde fevereiro, o CRMV-SE vem percorrendo vários municípios e de acordo com o presidente, Rubenval Feitosa, os matadouros irregulares são o principal gargalo. “O município precisa se inscrever no conselho e ter um Responsável Técnico (RT), que é o médico veterinário. Ele fará a inspeção do animal na chegada ao matadouro, evitando o abate de animais doentes ou magros demais. Sem esse profissional, só Deus sabe o que vai para a mesa do consumidor”, disse.
Rubenval também chama a atenção para a ausência de câmaras frigoríficas, algo muito comum no matadouros municipais. “Não adianta ter um frigorífico de qualidade com toda a infraestrutura se aqui em Aracaju se coloca a carne meio-dia na banca e fica até 19h ao ar livre. São produtos que vem do interior. Nós queremos que os órgãos e entidades criem um protocolo, que exija padronização, bancas forradas, quem manipular o produto não pode pegar em dinheiro e que tenha um balcão frigorífico para manter a temperatura adequada”, disse.
Douglas Vitória é fiscal do CRMV-SE e presenciou cenas chocantes nas visitas que realizou. Ele relata casos absurdos de denúncias em matadouros, como a retirada de um bezerro vivo e depois abateram a vaca. “A Falta de infraestrutura é gritante. São pessoas que trabalham a 20 ou 30 anos sem higiene, sem realizar os procedimentos corretos. É uma situação cultural que nós não podemos aceitar porque trata-se de saúde pública. Por isso que é tão importante a presença do Ministério Público”, comentou.
A ausência de um Responsável Técnico no matadouro, bem como a falta de infraestrutura, são as irregularidades mais comuns. Somente este ano, já foram gerados 188 Autos de Infrações em 44 cidades visitadas. “Quando não existe o médico veterinário, nós lavramos o auto de infração de acordo com o artigo 27 da Lei 5.517/68. O valor da multa varia a depender de cada caso, a ausência do Responsável Técnico a multa é R$ 3 mil e na reincidência o valor é dobrado. A fiscalização é cíclica, nós retornamos e depois de 30 dias se eles não se regularizarem, são autuados”, alertou.