Aracaju (SE), 23 de junho de 2026
POR: SES/SE
Fonte: SES/SE
Em: 06/10/2017
Pub.: 06 de outubro de 2017

Huse: palestra faz relação entre demência e delirium

Memória, demência e delirium: qual a relação entre eles? Esse foi o tema discutido durante um encontro que aconteceu no auditório do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) na última quarta-feira, 4, e que reuniu estudantes e profissionais da área da saúde. Uma forma de conscientizar a sociedade ao conhecimento da questão.

Huse: palestra faz relação entre demência e delirium (Foto: SES/SE)

Huse: palestra faz relação entre demência e delirium (Foto: SES/SE)

Para a médica geriatra e preceptora da residência de Clínica Médica no Huse, Juliana Santana, a educação é o caminho para tornar as pessoas mais conscientes sobre esse assunto. “A gente trabalha educação e geriatria, como a maioria das pessoas não tem esse conhecimento, elas precisam ser conscientizados, porque senão, daqui a alguns anos nós vamos viver num estágio de calamidade pública”, ressaltou.

Durante a palestra, ela explicou a relação entre a demência, que é uma doença crônica degenerativa, onde o paciente passa anos com o problema e tem uma piora na sua qualidade de vida, perdendo sua autonomia e independência. Já o delirium é uma condição mais aguda, uma doença clínica onde o paciente tem alguma doença no corpo e ele passa a ter um sintoma neuropsiquiátrico por conta da doença.

“Ele não vai passar muito tempo com o delirium, ele é tratado, você vai tratar a doença clínica que levou ao delirium ou infelizmente o paciente evolui a óbito. Por isso, é importante que nos hospitais as pessoas conheçam o delirium, porque ele é frequente, é comum, ele aumenta a taxa de mortalidade, aumenta o tempo de internação, é considerado um indicador de assistência de qualidade e muitas pessoas acham que o delirium é uma demência, por isso, a importância do tema para as pessoas entenderem e diferenciarem, principalmente no hospital, identificar o que é delirium e fora, nos ambulatórios, no dia a dia, uma demência”, explicou a geriatra.

Cerca de 80% dos pacientes nos hospitais ou em unidades de terapia intensiva têm o delirium. Muitas vezes, porque o paciente tem uma patologia mais grave, ele é colocado em condições de restrições, ele é contido no leito, ele tem um tubo nas vias aéreas, ele tem uma sonda nasoenteral, uma sonda vesical, é um paciente que está dentro de uma unidade e muitas vezes sem o acompanhante, sem o familiar, então, se somar todos os fatores predispõe ao delirium.

Alerta
O alerta pra reconhecer o delirium deve ser de forma rápida, porque ele traz junto, um mal prognóstico. Reconhecer o que é delirium tem que buscar as causas, tentar revertê-la em tempo rápido, senão, a pessoa pode perder a chance de se recuperar, até de viver, porque o delirium pode predispor a maior mortalidade.

Os estudantes e profissionais assistiram atentos a palestra e ressaltaram a relevância do tema discutido, como diz a acadêmica de psicologia do 8º período da UNIAGES (BA), Paloma de Souza. “É importante discutir sobre esse assunto pois traz uma perspectiva de pensar para além desse corpo, como esse idoso vive, como ele pode viver mesmo com alzheime e as possibilidades de cuidado que podem ser diversos e podem possibilitar a qualidade de vida, então, é um tema bem relevante e proveitoso”, afirmou.

O psicológo e gerente da Humanização do Huse, Elder magno, destacou a importãncia do cuidado ampliado. “O hospital precisa prestar mais atenção ao idoso. Essa é uma discussão do ponto de vista da clínica, mas também, de um cuidado mais ampliado para o idoso, onde a gente discute não só as questões da doença física, mas, as questões de uma hospitalização mais respeitosa, de uma atenção a certos fatores que a gente muitas vezes negligencia, o tempo de internação do paciente, o cuidado, a estimulação dele e não só medicação, então, a palestra vem trazer que o cuidado precisa ser ampliado e que isso é ser terapêutico também para prevenir uma série de problemas que pode acontecer em decorrência do próprio manejo que a gente tem com o paciente, ainda mais quando se trata de idoso. Com certeza vem ratificar essa ampliação da clínica que a gente precisa ter num hospital”, concluiu.

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