Psicólogos do Huse falam sobre terapias alternativas desenvolvidas com pacientes e familiares para aceitação do tratamento
O diagnóstico de uma doença, assim como o seu tratamento, atinge diretamente os pacientes e seus familiares de diversas formas. No Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), na tentativa de reduzir alguns dos impactos, a terapia alternativa é utilizada como complemento para esses tratamentos que podem requerer um tempo de internação mais prolongada e procedimentos mais invasivos, com risco de vida.
Psicólogos do Huse falam sobre terapias alternativas desenvolvidas com pacientes e familiares para aceitação do tratamento (Foto: SES/SE)
A Psicologia, por exemplo, é acionada tanto pela Referência Técnica da área, como com o próprio psicólogo do setor para, a partir da avaliação do prontuário se disponibilizar para esse paciente e o próprio familiar, em relação às alterações que ocorrem diante do diagnóstico de uma doença. O psicólogo e gerente da Humanização do Huse, Elder Magno, explica que um dos principais motivos das solicitações é o impacto no diagnóstico.
“Tem casos que isso se torna mais frequente, o caso da aceitação, adaptação, que a gente pode chamar de um certo processo de luto, a pessoa nega a sua condição, depois passa pelo estágio de revolta, depois começa a ficar deprimido e por último vir a aceitação, então, esse processo o psicólogo acompanha, se prontifica, faz a escuta, avalia e dá o apoio psicoterápico, em relação de reduzir a ansiedade, informar ao paciente algum tipo de situação que seja pra diminuir qualquer tipo de força estressora para ele, para que ele se adapte ao hospital e ele possa manejar junto com o paciente os recursos que ele mesmo tem para enfrentar isso. O psicólogo está nessa frente de apoio para esse tipo de ação”, explicou.
O Huse conta também com o Núcleo de Cuidados Prolongados que atende pacientes tanto em cuidados paliativos terminais, quanto pacientes sequelados crônicos, que mesmo que não tenha risco de morte vão precisar de um pós hospitalar e de um atendimento prolongado pra vida toda. O Núcleo de Cuidados Prolongados funciona na Área 300 do internamento, com uma equipe multiprofissional e o foco é um atendimento clínico e uma linha para pacientes em cuidados prolongados incluindo aí os paliativos.
Lá também é disponibilizado o Projeto Conversando Sobre a Morte, que reúne pacientes, familiares e psicólogos para debaterem sobre o tema. A psicóloga Márcia Melo é uma das fundadoras do projeto e conta como surgiu o tema e o entendimento desse assunto. “Uma das maiores dificuldades era lidar com a questão morte e a aceitação dentro do contexto hospitalar. Muitos se identificam com o tema e tratam de maneira natural, outros ficam inseguros e a gente tenta trabalhar essas situações com eles”, disse.
Já o projeto Rodas da Vida também foi criado com a participação de profissionais, pacientes e acompanhantes. O projeto que já dura quase 7 anos leva música, informação e humanização para quem mais necessita, além de palestras com temas relevantes. O idealizador do projeto, o médico Edney Vasconcelos, conta que cada encontro é uma nova troca de energia e de conhecimentos. O trabalho é realizado com uma equipe multidisciplinar fixa, com médicos, nutricionistas, fisioterapeutas entre outros profissionais que integram e participam das atividades.
“Fazer o bem faz bem e dá resultados incríveis na vida dessas pessoas. Conseguimos atingir a todos e principalmente aos que mais necessitam. O bem estar promovido durante os nossos encontros é contagiante. A gente canta, conta histórias engraçadas, orienta sobre algum tema em relevância e principalmente, a gente ouve o que eles têm guardado dentro do peito, são histórias de vida surpreendentes”, finalizou.