Projeto com estudantes promovem saúde ocupacional para policiais civis
Ação promovida por turmas de extensão da Unit orienta servidores sobre ergonomia, postura e prevenção de lesões, unindo formação acadêmica e impacto social.
Um termo de cooperação vigente há mais de um ano, entre a Universidade Tiradentes (Unit) e a Secretaria da Segurança Pública (SSP/SE), vem proporcionando uma série de melhorias nos cuidados com a saúde e o bem estar dos servidores da Polícia Civil, através de projetos de extensão desenvolvidos pelos estudantes da instituição.
Um exemplo disso é o projeto "Postura e Desempenho: Um Olhar Ergonômico sobre a Rotina Profissional", desenvolvido como parte da disciplina Experiência Extensionista IV, por alunos do curso de Fisioterapia junto à Corregedoria da Polícia Civil (Corregepol).
Em março deste ano, ele foi um dos agraciados com o Selo ODS Educação, uma certificação nacional promovida pelo Instituto Selo Social. Isso se deu porque a iniciativa contempla o terceiro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), dedicado à saúde e ao bem-estar.
O objetivo é, até 2030, reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis via prevenção e tratamento, além de promover a saúde mental e o bem-estar, a saúde do trabalhador e da trabalhadora, e prevenir o suicídio.
A boa aceitação do projeto, que começou a ser aplicado no primeiro semestre de 2025, levou outras turmas de disciplinas extensionistas da Unit a outras divisões e unidades da Polícia Civil. Estas ações aconteceram no segundo semestre de 2025 e neste primeiro semestre de 2026, contemplando mais de 100 policiais civis ao longo dos períodos, incluindo delegados, oficiais e auxiliares administrativos.
O principal objetivo é promover o cuidado com a postura corporal e com a saúde ocupacional para melhorar a vida dos profissionais que lidam com a segurança pública. De acordo com o professor Leonardo Sant'Anna Santos, preceptor de Extensão e responsável pela disciplina Experiências Extensionistas, o projeto atendeu uma demanda da Corregepol, que enfrentava uma alta incidência de lesões musculoesqueléticas e também buscava formas de atender às necessidades de servidores PCD (pessoas com deficiência).
O objetivo foi reduzir doenças ocupacionais como LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), promovendo o bem-estar físico e emocional.
“A proposta foi construída pelos alunos juntamente com a instituição parceira, buscando oferecer soluções práticas e acessíveis para melhorar a qualidade de vida no ambiente laboral. Ela buscou conscientizar os servidores sobre hábitos posturais adequados, incentivar pausas ativas durante a jornada de trabalho, orientar sobre ajustes simples nos postos de trabalho e apresentar exercícios de alongamento que pudessem ser incorporados à rotina.
Além disso, buscou-se sensibilizar a instituição quanto à importância da acessibilidade e de melhorias no ambiente físico, especialmente para servidores com deficiência ou mobilidade reduzida”, explicou Leonardo.
A partir da parceria entre a Unit e SSP, foi feito o contato entre o Núcleo Interdisciplinar de Extensão (Niex), da Unit, e o Núcleo de Atendimento Psicossocial (Napss), da Polícia Civil. “A intenção ao aplicar a cooperação da Unit foi a de proporcionar aos colegas policiais um maior acesso a informações sobre saúde, porque a gente entende que a transformação da consciência sobre o autocuidado na população, inclusive entre os policiais, é possível por meio de um processo contínuo de construção de conhecimento, que pode ser feito pela educação em saúde.
Uma universidade pode atuar nesse mister, porque é uma instituição que está em contato direto com a ciência e com a pesquisa”, disse a oficial-investigadora Lilian Gabrielle Santos da Silva, nutricionista e coordenadora do Napss/PC.
A etapa inicial do projeto foi desenvolvida durante o primeiro semestre de 2025, atendendo a aproximadamente 15 servidores da Corregepol, entre delegados, escrivães, oficiais, auxiliares administrativos e demais colaboradores. Inicialmente, os alunos realizaram visitas técnicas, entrevistas e um diagnóstico das condições de trabalho dos servidores.
“A partir desse levantamento, foi elaborado um plano de intervenção contemplando palestras educativas, demonstrações práticas, orientações individualizadas, distribuição de material informativo e realização de exercícios de alongamento e pausas ativas, além da realização de ajustes no ambiente de trabalho.
Durante a intervenção, as equipes foram distribuídas pelos diferentes setores da Corregedoria para que todos os servidores recebessem orientações personalizadas e pudessem esclarecer dúvidas sobre ergonomia e saúde ocupacional, colocando em prática os conhecimentos adquiridos ao longo da formação acadêmica”, detalhou Leonardo.
Impactos positivos
A ação dos alunos foi muito bem recebida e elogiada pelos servidores atendidos e pelos gestores, que participaram ativamente das intervenções e buscaram dar continuidade ao projeto.
Para eles, o projeto contribuiu para a prevenção de dores, lesões musculoesqueléticas e outros problemas relacionados ao trabalho, além de estimular hábitos mais saudáveis, melhorar o conforto durante a jornada profissional e ampliar a conscientização dos policiais sobre ergonomia, acessibilidade e autocuidado.
A coordenadora do Napps/PC considera que o impacto do projeto para o trabalho policial e para o atendimento à população é tido como bastante positivo.
“Essa busca por ajuda profissional, na tentativa de melhorar o bem estar e a vitalidade, reverbera na disposição e qualidade de vida dos colegas policiais, que tendem a trabalhar melhor e mais felizes.
Isso é positivo para a instituição e para a sociedade, que é a beneficiária direta dos serviços prestados pela Polícia Civil, inclusive aqueles de atendimento ao público”, considera Lílian, definindo como “oportuna” a cooperação existente entre a Unit e a SSP.
“Seus alunos e professores são pessoas capacitadas e habilitadas a protagonizarem essa troca de experiências, que conduz à construção da consciência de autocuidado junto aos policiais civis”, completa ela.
Por sua parte, a participação dos estudantes no projeto lhes proporciona uma formação que vai muito além da dimensão técnica. “Eles desenvolvem competências profissionais relacionadas à avaliação ergonômica, educação em saúde e promoção da qualidade de vida, ao mesmo tempo em que fortalecem habilidades como trabalho em equipe, comunicação, empatia, responsabilidade social, organização, liderança e resolução de problemas reais.
Essa vivência aproxima os futuros fisioterapeutas da realidade profissional, permitindo que compreendam a importância do cuidado humanizado e da atuação preventiva na promoção da saúde”, afirma o professor Leonardo.