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Aracaju (SE), 09 de outubro de 2026
POR: Ana Paula Machado
Fonte: Assessoria de Imprensa
Em: 09/10/2026 às 16:25
Pub.: 09 de outubro de 2026

Artista sergipana Héloa lança quarto álbum de carreira, ÁRIDA

Novo trabalho transforma o imaginário do sertão e da Caatinga em uma celebração de ancestralidade, memória, beleza e potência criativa

Artista sergipana Héloa lança quarto álbum de carreira, ÁRIDA - Foto: Assessoria de Imprensa

A cantora, compositora e multiartista sergipana Héloa lançou nesta quinta-feira (8) seu quarto álbum de carreira, ÁRIDA. O novo trabalho nasce de uma pesquisa poética sobre a Caatinga e o semiárido brasileiro e propõe deslocar o olhar sobre um território historicamente associado à escassez para revelar sua força, diversidade, beleza, ancestralidade e potência criativa.

“ÁRIDA é terra, é memória, é tecnologia ancestral. É território em movimento.” Artista afroindígena do povo Kariri-Xocó, Héloa constrói em ÁRIDA uma obra que atravessa música, visualidade, ancestralidade e território. Sua pesquisa investiga as matrizes afro-indígenas e árabe-africanas presentes na formação cultural do Nordeste, articulando diferentes saberes, sonoridades e modos de criação.

Com mais de 20 anos de carreira, a artista vem construindo uma trajetória marcada pela circulação por diferentes territórios e pela conexão entre tradição e contemporaneidade. Sua caminhada inclui apresentações em importantes circuitos culturais do país e passagens por espaços e festivais como Forró Caju e Festival de Artes de São Cristóvão, em Sergipe, além de Feira Preta, Virada Cultural, Rock The Mountain, Carnaval do Recife e circuitos do Sesc.

Em ÁRIDA, essa trajetória se encontra com uma pesquisa que olha para o sertão não como lugar de falta, mas como território de invenção, memória, resistência, abundância cultural e tecnologia ancestral.

Um álbum entre África, Nordeste e ancestralidade

O quarto álbum de Héloa reúne 11 faixas e articula diferentes matrizes culturais e sonoras. O repertório percorre referências como baião, rojão, repente, embolada, coco e samba de roda, além de dialogar com matrizes africanas, árabes e indígenas presentes na formação cultural brasileira. Instrumentos como maraca, viola, pandeiro, rabeca, pífano e djembê também integram essa paisagem sonora.

Das 11 faixas, sete são composições assinadas por Héloa, entre trabalhos autorais e parcerias com Jorge Du Peixe, Tiganá Santana, Liu Kid e Souto MC. O repertório também apresenta releituras de “Flor de Mandacaru”, de Chico César; “Charles Ilê”, de Carlinhos Brown; e “De Amor Eu Morrerei”, de Dominguinhos e Anastácia.

O álbum reúne participações de Luedji Luna, Mestrinho, Souto MC, Cauê Silva, Tiganá Santana, Jorge Du Peixe, Grupo Sabuká Kariri-Xocó, Jéssica Areias e Liu Kid, além dos músicos convidados Pupillo, Thomas Harres e Maestro Spok.

A produção musical é de Yuri Queiroga, enquanto Héloa assina a direção artística do projeto, reafirmando o encontro entre tradição, ancestralidade, experimentação e identidade.

O sertão como território de abundância

A ideia de aridez que dá nome ao álbum ganha outro significado na obra de Héloa. Em vez de representar somente a falta de água ou a escassez, a aridez aparece também como condição de resistência, transformação e florescimento — a capacidade de criar beleza a partir da matéria, da memória e dos conhecimentos transmitidos entre gerações.

É nesse sentido que ÁRIDA apresenta um sertão vivo, plural e inventivo, atravessado por diferentes povos, culturas e ancestralidades.

A pesquisa do álbum também reconhece a ancestralidade como tecnologia viva, valorizando conhecimentos produzidos e preservados por diferentes povos e comunidades.

Um álbum que também se veste

A dimensão visual de ÁRIDA é parte fundamental da narrativa do projeto. A direção artística e criativa é assinada por Héloa, que aparece nas imagens vestindo o Manto ÁRIDA, criado em parceria com o estilista Altair Santo.

Inspirado no Manto da Apresentação, de Arthur Bispo do Rosário, o figurino foi concebido como um território de memória, palavra, pertencimento e passagem. Confeccionado inteiramente à mão, o manto reúne palavras, símbolos e referências às ancestralidades de matriz africana e indígena, aos povos e etnias, aos elementos naturais, às paisagens nordestinas e às próprias canções e composições do álbum.

A fotografia da capa, assinada por Edu Freire, com arte de Roniery e Mariana Veloso, foi realizada no Ateliê Boca do Vento, na Ilha do Ferro, em Alagoas, território marcado pela produção artesanal, pelas esculturas em madeira, pelos bordados e pela transmissão de saberes entre gerações.

A escolha do local também integra a narrativa do álbum: a paisagem deixa de ser apenas cenário e passa a fazer parte da própria obra.

Sergipe na trajetória de Héloa

Para o público sergipano, ÁRIDA representa mais um capítulo na trajetória de uma artista cuja formação, pesquisa e caminhada estão profundamente conectadas ao estado.

Héloa já ocupou importantes palcos de Sergipe, entre eles o Forró Caju e o Festival de Artes de São Cristóvão. Em sua trajetória, também estão encontros com artistas como Elba Ramalho, com quem dividiu o palco no Forró Caju, e Lia de Itamaracá, com quem compartilhou uma apresentação no Festival de Artes de São Cristóvão.

Sua relação com o território sergipano também atravessa o audiovisual e a pesquisa sobre as culturas indígenas. Héloa dirigiu e roteirizou o documentário Eu, Oxum e criou e dirigiu Originários, série que reúne as etnias Kariri-Xocó, Xokó e Fulkaxó, em uma produção voltada à valorização das culturas indígenas de Sergipe.

Em ÁRIDA, a artista amplia essa pesquisa para uma obra que conecta diferentes territórios do Nordeste e do continente africano, reafirmando a música como espaço de diálogo, celebração e continuidade dos saberes ancestrais.

Uma cartografia audiovisual para o álbum

A experiência de ÁRIDA se estende para além das faixas musicais. O projeto prevê 11 visualizers, um para cada música, além dos clipes de “Dança N’kisi Dança”, primeiro single do álbum, e “Acende Essa Fogueira”, gravado na aldeia Kariri-Xocó. O projeto também conta com um documentário sobre o processo de gravação do disco.

A proposta é ampliar a experiência de escuta por meio de narrativas visuais próprias, construídas a partir dos temas, símbolos, atmosferas e relações com os territórios presentes em cada canção.

Lançado pelo selo Aláfia Cultural, em parceria com a YB Music, ÁRIDA já está disponível nas plataformas digitais.

SERVIÇO

  • Álbum: ÁRIDA
  • Artista: Héloa
  • Lançamento: 8 de outubro de 2026
  • Número de faixas: 11
  • Direção artística: Héloa
  • Produção musical: Yuri Queiroga
  • Selo: Aláfia Cultural / YB Music
  • Ouça ÁRIDA: https://found.ee/heloa_arida

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