A fantasia ficou pronta, mas a criança ia com quem?:: Por Tarcísio Matos
Júlia Matos recebeu uma mensagem no domingo de Carnaval, perto do meio-dia. Do outro lado, uma mãe aflita: “Ele disse que vai pegar nosso filho agora e levar pro bloco. Mas hoje era meu dia. E ele falou que ‘Carnaval não tem regra’”.
Júlia já tinha visto esse filme. Em feriado prolongado, muita gente tenta “ajeitar” a convivência no improviso — e a criança vira o centro da disputa.
Ela pediu o básico: o que existe de combinado? Tinha decisão? Tinha acordo escrito? A mãe mandou prints: havia um combinado de finais de semana alternados, e aquele domingo era dela. O pai queria “só hoje”, “só umas horas”.
Júlia orientou o caminho mais inteligente: desarmar a briga e organizar a troca. Sugeriu que a mãe respondesse com uma proposta clara e registrada: “Você pode ver ele hoje, sim, mas com horário definido: pega às 16h e devolve às 19h, aqui na portaria. Confirmo se você confirmar por mensagem”.
A resposta do pai veio atravessada: “Você é chata, é Carnaval”.
Júlia insistiu no ponto central: não é sobre Carnaval; é sobre previsibilidade para a criança. E lembrou que, se o pai quisesse mudar a regra, precisava construir isso com diálogo — não com pressão na hora.
No fim, com a mensagem objetiva e sem provocação, o pai topou. Viu o filho, tirou foto fantasiado, devolveu no horário. Sem polícia, sem barraco, sem “puxa e empurra” na frente do menino.
Carnaval passa rápido. Mas o que fica é a forma como os adultos se comportam quando dá vontade de “fazer do meu jeito”.
Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica para o seu caso.
Tarcísio Matos, sócio do TMatos Advogados Associados, cursou Doutorado na UNLZ, Professor Universitário, Procurador Municipal e Advogado Militante.