Quando a História Caminha: de Luther King a Nikolas Ferreira :: Por Fausto Leite
Há momentos na história em que a política não corre. Ela anda. Passo a passo, no ritmo do corpo humano, ocupando a rua, constrangendo o poder e lembrando aos governantes que o asfalto não é só via de tráfego. É palco político. Foi assim com Martin Luther King Jr., foi assim com Mahatma Gandhi, foi assim com Nelson Mandela. E, goste-se ou não do personagem, é assim agora com Nikolas Ferreira.
A história ensina que marchas nunca são confortáveis para quem governa. Marchas são incômodas por definição. Elas não pedem licença, pedem atenção. Luther King não marcou reunião com o establishment americano; levou 250 mil pessoas a Washington. Gandhi não enviou ofício ao Império Britânico; caminhou até o mar para fazer sal. Mandela não pediu audiência ao apartheid; fez o regime sangrar moralmente nas ruas. Em todos esses casos, a caminhada não era sobre quilômetros. Era sobre legitimidade.
No Brasil, a caminhada de Nikolas Ferreira nasce nesse mesmo terreno simbólico. Não é passeio, não é performance estética, não é culto à própria imagem, embora as redes sociais façam o favor de amplificar tudo. É uma ação política deliberada, com começo, meio e fim, construída para produzir imagem, tensão e debate. Política, no seu estado mais cru. Caminhar para ser visto. Caminhar para ser ouvido. Caminhar porque os canais institucionais, na visão de seus apoiadores, falharam.
O governo federal reage como sempre reage quando a rua não é sua. Com desconfiança seletiva...
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