CESAD: quando mudar o nome é reafirmar um projeto de futuro :: Por Ana Figueiredo Maia, Diretora do CESAD/UFS
Ana Figueiredo Maia, Diretora do CESAD/UFS*
A educação a distância no Brasil vive um momento de inflexão. A expansão acelerada de ofertas pouco reguladas levou a mudanças importantes na política nacional para a área. Não por acaso, a CAPES reformulou recentemente a diretoria responsável pela modalidade, agora denominada Diretoria de Articulação e Inovação em Educação Aberta e Digital, enquanto as novas diretrizes nacionais para a EaD passam a redefinir a organização da modalidade, nos diferentes cursos superiores, ampliando exigências de presencialidade, acompanhamento acadêmico e responsabilidade institucional. Em meio a essas mudanças, uma questão passa ao centro do debate: como ampliar o acesso sem abrir mão da qualidade da formação?
Foi nesse contexto que assumi a direção do CESAD/UFS, há um ano, durante a mudança de gestão da Universidade Federal de Sergipe. Então denominado Centro de Educação Superior a Distância e agora Centro de Educação Superior Aberta e Digital, o CESAD se aproxima de seus 20 anos, a serem completados em novembro de 2026, como uma estrutura estratégica e consolidada na universidade, mas também marcada pelos impactos da pandemia, pelas restrições orçamentárias e por fragilidades acumuladas na infraestrutura e na dinâmica acadêmica.
Dos 11 polos de apoio presencial vinculados ao sistema UAB da UFS, apenas cinco estavam plenamente “aptos” junto à CAPES. Nos cursos de graduação, os momentos presenciais haviam perdido centralidade na formação, enquanto os ambientes virtuais apresentavam pouca padronização e limitações tecnológicas importantes. Esse cenário exigia uma redefinição institucional sobre o papel do CESAD na universidade e na própria concepção de educação mediada por tecnologias, fazendo da mudança de nome não uma ruptura, mas uma atualização do projeto institucional construído ao longo dessas duas décadas.
Falar em educação aberta e digital significa reconhecer que a educação mediada por tecnologias precisa superar uma lógica de distanciamento institucional. Significa preservar a capilaridade territorial e a democratização do acesso, marcas históricas da UAB, mas com maior integração à universidade, fortalecimento dos momentos presenciais, inovação pedagógica e compromisso com qualidade acadêmica e responsabilidade pública. Significa também compreender que o papel do CESAD vai além da oferta de cursos a distância, ampliando sua atuação como espaço de apoio institucional à educação digital, à mediação tecnológica e ao desenvolvimento de soluções acadêmicas para diferentes áreas da universidade.
Ao longo deste último ano, esse reposicionamento começou a se traduzir em mudanças concretas. Uma das mais significativas foi o fortalecimento dos momentos presenciais nos cursos de graduação, agora integrados ao próprio calendário acadêmico. Calendário que passou a ser sincronizado com o adotado para as graduações presenciais do campus de São Cristóvão da UFS. Essa aproximação também passou a se refletir na maior presença do CESAD no cotidiano universitário, ampliando a circulação de estudantes, docentes e tutores nos espaços acadêmicos da instituição e reforçando que todos integram um mesmo projeto de universidade pública. Houve ainda avanços importantes na recomposição da infraestrutura dos polos e da área de tecnologia da informação, com a regularização dos polos anteriormente considerados “não aptos” pela CAPES, e ampliação da capacidade tecnológica institucional. Soma-se a isso a consolidação do estúdio de produção educacional do CESAD, ampliando as possibilidades de criação de conteúdos e de apoio às diferentes ações acadêmicas da universidade.
Hoje, o CESAD mantém em funcionamento 12 cursos de graduação, quinze especializações e um conjunto crescente de ações de extensão. Soma-se a isso a atuação em iniciativas estratégicas de formação docente, como o PQD-4, recentemente concluído em sua primeira etapa com 274 formandos em oito cursos de segunda licenciatura, além do apoio institucional a ambientes virtuais, mediação tecnológica e soluções digitais voltadas também ao ensino presencial e a outras ações acadêmicas da universidade.
Houve, também, um importante esforço de reorganização interna, com aprimoramento dos ambientes virtuais, fortalecimento dos canais de comunicação, formação específica para docentes e tutores e ampliação das ferramentas de acompanhamento acadêmico. Nesse contexto, destaca-se a expansão do ORBI, sistema desenvolvido no próprio CESAD e que vem sendo consolidado como ferramenta estratégica para uma gestão acadêmica mais eficiente e transparente.
A reformulação do Centro também exige enfrentar desafios permanentes. Consolidar uma educação digital de qualidade demanda investimentos contínuos, planejamento pedagógico e modelos instrucionais adequados às especificidades da modalidade. É justamente, diante desse cenário, que a mudança de nome ganha sentido.
O CESAD deixa de ser Centro de Educação Superior a Distância para se tornar Centro de Educação Superior Aberta e Digital não porque abandona sua história, mas porque deseja afirmar com mais clareza aquilo que pretende continuar sendo: um centro de referência em educação pública mediada por tecnologias, comprometido com formação de qualidade, presença nos territórios e atuação estratégica, na consolidação da educação digital, na Universidade Federal de Sergipe.
*Ana Figueiredo Maia é bacharel em Física e mestre em Tecnologias Energéticas Nucleares pela UFPE, doutora em Tecnologia Nuclear pela USP e professora titular do Departamento de Física da UFS. Atualmente responde pela direção do Centro de Educação Superior Aberta e Digital (CESAD/UFS)