FOMO: quando o medo de estar perdendo algo assume o controle
Especialista explica como isso acontece e dá dicas para evitar essa sensação
Já sentiu um incômodo ao ver nas redes sociais outras pessoas em um evento e você não? Se pegou olhando o celular repetidamente com receio de perder alguma novidade? Teve dificuldade de aproveitar um momento porque estava pensando no que poderia estar acontecendo em outro lugar? Sentiu uma pontada de insatisfação ao comparar sua rotina com a dos outros?
Essas experiências podem estar relacionadas ao FOMO, sigla em inglês para Fear of Missing Out ou “medo de ficar de fora”. A psicologia utiliza esse termo para descrever uma preocupação persistente de não estar presente em momentos considerados mais interessantes ou gratificantes.
A psicóloga e responsável técnica da Clínica-Escola de Psicologia da UNINASSAU Aracaju, Camilla Guimarães, explica como isso acontece e dá dicas para evitar essa sensação. “Embora não seja um transtorno mental, o FOMO é um fenômeno estudado cientificamente. Ele está ligado à necessidade humana de pertencimento e à tendência de comparação social. No contexto das redes sociais, isso se intensifica, pois há o acesso contínuo a recortes positivos da vida alheia, o que pode distorcer a percepção da própria realidade”, explica.
Entre os sinais mais comuns estão ansiedade ao ficar off-line, checagem frequente de notificações, dificuldade de aproveitar o momento presente e sensação recorrente de exclusão ou insuficiência. Em alguns casos, a pessoa passa a aceitar convites sem vontade real ou toma decisões impulsivas apenas para não sentir que ficou de fora.
“Quando essa dinâmica se mantém por muito tempo, pode contribuir para aumento da ansiedade, queda na autoestima, insatisfação crônica com a própria vida e uso excessivo de redes sociais. A busca por estar sempre conectado acaba gerando cansaço emocional e dificuldade de descanso mental”, relata.
Lidar com o FOMO exige consciência e intencionalidade. Estabelecer limites para o uso do celular, reduzir comparações automáticas e investir em atividades com significado pessoal são estratégias importantes. “Ao perceber que a insatisfação tem sido constante e gera sofrimento e prejuízos na rotina, não hesite em buscar ajuda de um psicólogo. Cuidar da saúde emocional é um passo essencial para recuperar o equilíbrio e fortalecer a relação consigo mesmo”, finaliza Camilla.