Participantes de audiência se mobilizam para impedir fechamento de fábricas de fertilizantes da Petrobras
Sindicalistas, representantes da cadeia produtiva e políticos da Bahia e de Sergipe se manifestaram nesta terça-feira (10) contra o anunciado fechamento das unidades da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) nas cidades de Camaçari (BA), e Laranjeiras (SE). Em audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) eles prometeram se mobilizar, juntamente com parlamentares, para impedir o fechamento das fábricas, que pertencem à Petrobras.
Participantes da audiência pública querem compromisso do governo de as unidades da Fafen na Bahia e em Sergipe não serão fechadas (Foto: Pedro França/ Agência Senado)
O senador Eduardo Amorim (PSDB-SE), que requereu a audiência, sugeriu uma reunião com o presidente da República, Michel Temer, para que se obtenha o compromisso de manter as fábricas em funcionamento até o fim de seu mandato, em dezembro. De acordo com Amorim, a intenção inicial da Petrobras era fechar as fábricas em junho. Negociações teriam empurrado o prazo até outubro. E o que se busca é um novo prazo.
— Em outubro estarão faltando só dois meses para o fim deste governo. O razoável é que se deixe a tomada de uma decisão tão relevante, tão estratégica ao agronegócio e à economia deste país para o próximo governo, que terá então um horizonte longo de planejamento e atuação. Tenho certeza que nenhum outro governo fechará estas fábricas — disse Amorim.
Quanto ao motivo alegado pela Petrobras, de que as fábricas representam prejuízo para a empresa, o senador afirmou isso faria parte de um “desmonte proposital” que é tocado pela direção da própria companhia.
Recuperação
Participante da audiência pública, o vice-governador da Bahia, João Leão, disse ter ouvido em reunião recente com Temer que as fábricas não fecharão. O problema, disse, é que este compromisso estaria vinculado à criação de um grupo de trabalho, até agora não efetivada.
Leão sugeriu que façam parte do grupo representantes dos setores agrícola, industrial e sindicais da Bahia e de Sergipe, além dos governos estaduais.
— Não vamos deixar fechar estas duas fábricas. É perfeitamente possível uma estratégia de recuperação para a Fafen Bahia e a Fafen Sergipe. Estamos aguardando o grupo de trabalho. Acredito na palavra do presidente Temer — afirmou.
Petroleiros
Edvaldo Leandro, da Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que a categoria ocupará as fábricas, assumirá a gerência e manterá a produção caso a Petrobras decida pelo fechamento.
O senador Otto Alencar (PSD-BA) também disse que o povo baiano se opõe e continuará se opondo "radicalmente" ao fim da Fafen.
— A empresa não será destruída ela canetada de um burocrata - declarou.
O prefeito de Laranjeiras, Paulo Hagenbeck (DEM), afirmou que os prejuízos recentes da Fafen foram “provocados deliberadamente” visando justificar uma futura privatização. Ele e Leão criticaram que a direção da Petrobras tome decisões dessa dimensão sem consultar a presidência da República.
Agronegócio
Os representantes da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), Reginaldo Minaré, e da Associação Brasileira da Indústria de Suplementos Minerais (Asbram), Ademar Leal, também criticaram o fechamento das fábricas.
Minaré disse ser muito arriscado, do ponto de vista estratégico, depender totalmente do abastecimento externo quando se trata de fertilizantes. E Leal advertiu que o fechamento das fábricas provocará um aumento dos custos para o setor. Ele disse ter recebido "com espanto" a informação de que a Petrobras irá fechar as fábricas.
O chefe de gabinete do Ministério da Agricultura, Coaraci Castilho, também se manifestou contra o fechamento das fábricas de fertilizantes.
Patrimônio estratégico
A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) destacou a mobilização de todos os setores produtivos contra a decisão da Petrobras.
— Fica muito claro o isolamento completo da direção da Petrobras no que se refere a este tema. Temos que resistir a esta estratégia de desmonte deste patrimônio absolutamente estratégico ao país, responsável por uma cadeia com dezenas de milhares de empregos — afirmou.
O senador Wellington Fagundes (PR-MT) declarou que a pecuária passará por um grande retrocesso caso as fábricas da Fafen sejam fechadas, o que poderá ter reflexos até na qualidade dos produtos. Ele teme que o uso de fertilizantes de procedência duvidosa abram espaço para questionamentos internacionais, uma vez que os concorrentes são ávidos para nos prejudicar na disputa por mercados.