"Eles não queriam que filho de empregada virasse doutor", diz Lula ao receber título em Sergipe
Lula recebe reconhecimento da UFS, pela implantação do Campus da Saúde em Lagarto - Imagem: reprodução/vídeo/Jadson Alves
"Teve muito filho de rico que reclamou do programa que criamos para expandir as universidades, diziam que ia diminuir a qualidade do ensino. Isso porque, para a elite, lugar de pobre não é na universidade. Negar o acesso da maioria ao ensino de qualidade sempre foi um projeto da elite retrógrada brasileira. Eles não queriam que filho de empregada virasse doutor, e hoje temos aqui vários filhos de empregadas e pedreiros virando médico, engenheiro", disse, citando a dificuldade em implantar o Reuni (programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).
O ex-presidente ainda aproveitou para fazer um balanço das vagas criadas no ensino superior no governo do PT, mas disse que ainda são poucas. "Como você sabem, até 2002, eram 3,5 milhões para 8 milhões entre 2003 e 2014, e ainda é pouco, e motivo de ter vergonha", afirmou.
Mesmo assim, o ex-presidente disse que o país avançou muito não pelos números, mas pelo acesso a todas as raças e classes sociais. "Antes, a universidade só tinha gente loira e de olhos verdes. Era raro encontrar um negro. Percebi isso quando procurei um ministro para o STF e foi difícil achar alguém com qualificação à altura para entrar", afirmou.
A solenidade ocorreu no campus de Lagarto, inaugurado em 2015 e que teve investimento de R$ 55 milhões. Hoje, a faculdade tem hospital e vários cursos da área de saúde. "Universidade hoje é para branco, para preto, para pardo, para índio, para todos que quiserem."
Lula citou que os cursos de medicina de universidades públicas e em universidades privadas sempre foram voltados para gente rica. "Eu dizia: 'entrar num curso numa faculdade pública é coisa de gente inteligente demais. Era uma vaga para mil, 2.000. E um curso de faculdade privada tem mensalidade de R$ 6.000. São cursos tão caros que nem a classe média conseguia pagar", afirmou.
O título na UFS foi entregue pelo reitor Angelo Roberto Antoniolli, que falou sobre a importância da expansão universitária da instituição. "Antes do Reuni, a UFS tinha 10 mil alunos. Com o Reuni, hoje são 30 mil. Saímos da capital para o interior para fazer o que sabemos: ensino, pesquisa e extensão. Esse título é muito esperado desde 2013", disse.
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Carlos Madeiro Colaboração para o UOL, em Lagarto (SE) 21/08/201713h41 > Atualizada 21/08/201713h48