Ana Lúcia analisa violência e machismo a partir do assassinato brutal de professora em Campo do Brito
Deputada estadual Ana Lúcia (Foto: Jadilson Simões/Agência Alese)
Mais do que prestar sua solidariedade à família e aos amigos de Ivania, Ana Lúcia cobrou apuração do caso e fez uma profunda análise sobre o individualismo e o autoritarismo nas relações e a falta de controle do comportamento humano, que gera tanta violência na sociedade patriarcal, de consumo e preconceituosa em que vivemos.
Ana Lúcia ressaltou que, apesar de o homicídio ter ocorrido no ambiente escolar, não foi cometido por estudantes nem foi motivado por questões relacionadas ao cotidiano da escola. “Não vamos aceitar especulações de que o crime foi cometido por estudantes. Quando Ivania estava em sala de aula, era uma professora muito querida”, argumentou.
Para a parlamentar, a escolha do local do crime não foi à toa, é reflexo do descaso com a escola, instituição estratégica para a sociedade que, ao seu ver, está sendo tratada de forma vulgar e leviana. “A escola foi o espaço escolhido porque está banalizada, vulgarizada. As autoridades não estão respeitando os professores, os estudantes e os servidores”, resumiu.
“Na medida em que a sociedade está perdendo os limites da convivência social – sendo cada vez mais violenta – e que a escola é o principal espaço de socialização da criança, este local está sendo escolhido para ser o palco das tragédias da nossa sociedade”, defendeu, ao passo que exemplificou outros casos de agressão: a professora que teve seu carro queimado na escola em que lecionava, em Nossa Senhora do Socorro; a bala perdida que atingiu um professor, por uma briga entre dois estudantes; o caso de suicídio da professora que estava há três meses sem salário; e o caso do professor Carlos Christian, que levou cinco tiros em sala de aula, tornando-se paraplégico e hoje representa símbolo de resistência à violência na escola.
Ela cobrou medidas no âmbito da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da ALESE, da Frente Parlamentar de Defesa da Mulher e da TV ALESE. “Precisamos ter um programa sistemático sobre a violência contra as mulheres e a população LGBT. Não é possível enfrentar os preconceitos se o poder público não atua de forma sistemática para enfrentar o problema, não pode ser uma intervenção episódica. Precisamos de um programa sistemático para desconstruir esta cultura e construir uma nova cultura”, cobrou Ana Lúcia.
O feminicídio é fruto de uma cultura machista, que por sua vez é muito violenta. “A violência simbólica – adjetivar, desqualificar, estigmatizar – é frequentemente encarada como uma coisa normal. Em geral, a violência contra a mulher começa pela violência psicológica e termina com a violência física”, lamentou a deputada.
É preciso avançar na negociação sobre previdência estadual
Ana Lúcia usou parte do seu tempo para cobrar o avanço das negociações sobre a situação da previdência do Estado. “Votei a favor do projeto exatamente pela sensibilidade do presidente da casa, mas estamos começando a ficar preocupados”, apontou. Ela explicou que a negociação entre os trabalhadores e o poder público foi aberta a partir da retirada de votação de uma emenda de sua autoria que garantiria o aporte, por parte do Governo, de 50% do que vinha sendo utilizado no fundo da previdência para a capitalização deste fundo.
Ana explicou que o cálculo atuarial e os estudos apresentados pela Caixa Econômica Federal mostram que sua emenda estava correta. “A projeção da Caixa é ainda mais draconiana do que as nossas: especulávamos que o recurso acumulado atualmente no Fundo permitira sua sobrevivência por cerca de um ano e meio. A caixa demonstrou, por meio de seus estudos, que este período é de apenas seis meses”, alertou.
Segundo a deputada, o presidente do TCE, Clovis Barbosa, está dialogando com a ALESE para que se crie um Grupo de Trabalho formado por especialistas e técnicos de Sergipe e do Brasil a fim de elaborar um estudo diagnóstico da situação do fundo e de suas necessidades de capitalização. “Essa questão da previdência precisa ser resolvida, senão a crise social será ainda maior”, avaliou a deputada.