FLUTUANTE Clube de Aventureiros - 900 x 450
Aracaju (SE), 04 de fevereiro de 2026
POR: Laís Marques
Fonte: Ascom Unit
Em: 22/07/2025 às 08:58
Pub.: 22 de julho de 2025

Alimentação saudável pesa no orçamento de famílias na América Latina e Caribe

Populações enfrentam altos custos para manter uma dieta equilibrada, evidenciando desigualdades e barreiras estruturais

Carla Souza, nutricionista clínica e esportiva e professora da Universidade Tiradentes (Unit) - Foto: Ascom Unit

Buscar uma alimentação equilibrada e nutritiva é um desejo comum de quem procura mais saúde e qualidade de vida. Contudo, o que deveria ser um direito básico acaba se tornando inacessível em muitas partes do mundo, especialmente na América Latina e no Caribe. Muito além de uma decisão individual, o desafio de consumir alimentos saudáveis na região está atrelado a fatores econômicos e sociais complexos, fazendo com que produtos ultraprocessados se tornem a opção mais prática e financeiramente viável para muitas famílias.

Um levantamento do Panorama Regional de Segurança Alimentar e Nutrição na América Latina e Caribe de 2024, divulgado por instituições como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), chama atenção para esse cenário preocupante. De acordo com o relatório, o valor médio de uma dieta saudável chega a US$ 4,56 por pessoa diariamente, um valor superior à média global, que é de US$ 3,96. Isso indica que aproximadamente 182,9 milhões de pessoas nessas regiões não têm condições financeiras de manter uma alimentação adequada.

Segundo Carla Souza, nutricionista clínica e esportiva e professora da Universidade Tiradentes (Unit), uma dieta equilibrada deve priorizar alimentos naturais ou minimamente processados, respeitar tradições alimentares e ser adaptada às necessidades específicas de cada pessoa. “Itens como frutas, legumes, grãos integrais, leguminosas e sementes são a base de uma alimentação saudável. O problema é que, infelizmente, esses alimentos ainda estão fora da realidade de grande parte da população”, destaca Carla.

Entre alimentos naturais e produtos industrializados

Diversos fatores explicam por que produtos industrializados custam menos. Conforme explica a nutricionista, esses itens são fabricados em grandes quantidades, com matéria-prima barata, como farinhas refinadas, óleos e aditivos. Além disso, seu prazo de validade é longo e a logística de distribuição é mais eficiente. “A indústria investe pesado nesses produtos, tanto na produção quanto na publicidade. Isso faz com que sejam encontrados com facilidade e se tornem atraentes, principalmente para quem dispõe de poucos recursos e pouco tempo para cozinhar”, analisa.

Por outro lado, os alimentos frescos enfrentam obstáculos significativos ao longo da cadeia produtiva. “Há muitas dificuldades no escoamento da produção, devido a problemas logísticos, transporte limitado e falta de estrutura de armazenamento. Além disso, a alta carga de impostos sobre alimentos básicos encarece ainda mais esses produtos. Mesmo quando a produção acontece, as perdas pós-colheita, especialmente em frutas e verduras, podem ultrapassar 30%. E o número de intermediários entre o campo e a mesa do consumidor contribui para tornar o alimento mais caro e o produtor menos remunerado”, afirma.

Os ultraprocessados são fabricados por grandes empresas com forte influência econômica e política, enquanto os alimentos naturais vêm, em sua maioria, da agricultura familiar, dependente do clima e de apoio limitado em termos de infraestrutura e financiamento. Além disso, os subsídios governamentais costumam beneficiar commodities como soja e milho, amplamente usados na indústria de alimentos processados. Somam-se a isso os impactos das mudanças climáticas, que prejudicam colheitas, diminuem a oferta e elevam os preços dos alimentos frescos.

Consequências para a saúde da população

O excesso de consumo de produtos industrializados está diretamente ligado ao crescimento de doenças crônicas. “Problemas como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e até alguns tipos de câncer têm relação direta com uma alimentação de baixo valor nutricional. Dietas pobres em nutrientes também afetam o desenvolvimento infantil, reduzem a imunidade e prejudicam o bem-estar em geral. A desregulação do microbioma intestinal, por exemplo, está associada a inflamações persistentes e à redução da qualidade de vida”, alerta Carla Souza.

A renda familiar também influencia diretamente no que se coloca no prato. Carla observa que famílias com menor poder aquisitivo tendem a morar longe de feiras e mercados que vendem produtos frescos, têm menos acesso à informação nutricional e, muitas vezes, não dispõem de tempo, recursos ou estrutura para preparar refeições completas. “Cozinhar de forma saudável requer planejamento, equipamentos, energia elétrica e tempo disponível. Para quem vive na correria e com o orçamento apertado, o alimento ultraprocessado parece ser a solução mais rápida, embora perigosa”, pontua.

Alternativas possíveis

Apesar dos inúmeros desafios, existem caminhos que podem facilitar o acesso à alimentação saudável. A adoção de políticas públicas específicas pode ser fundamental nesse processo. “Iniciativas como a concessão de incentivos à produção e comercialização de alimentos frescos, apoio à agricultura familiar e práticas agroecológicas, além da taxação de produtos ultraprocessados, podem contribuir muito para uma mudança positiva nesse cenário”, defende a nutricionista.

Ela também enfatiza a importância de garantir o acesso a alimentos in natura em instituições públicas, especialmente nas escolas, por meio de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O incentivo a práticas alimentares saudáveis pode começar dentro das comunidades e do ambiente escolar, com ações simples, mas eficazes.

“Iniciativas como hortas escolares e comunitárias, educação alimentar integrada ao currículo escolar, oficinas culinárias, feiras de produtos agroecológicos, conversas com profissionais da área e campanhas de conscientização são estratégias acessíveis e com bons resultados”, sugere Carla. Ela também reforça a relevância de oferecer uma merenda escolar saudável, baseada em alimentos frescos e provenientes da agricultura local.

Para a especialista, essas ações criam ambientes que favorecem hábitos mais saudáveis e geram impactos duradouros. “O trabalho do nutricionista é essencial nesse processo, desde a criação até a implementação das ações. Somos peças-chave na transformação social por meio da educação alimentar”, finaliza.

Com informações do Jornal da USP.


Notícias Indicadas

Prefeitura anuncia vasta programação para o Carnaval da Barra 2026

The Beatles Reimagined retorna aos palcos com espetáculo imersivo no Teatro Tobias Barreto

Clube de Aventureiros Estrelas Brilhantes: Mais de duas décadas de dedicação ao desenvolvimento infantil

Veja faixas e alíquotas das novas tabelas do Imposto de Renda 2026

Ana Carolina apresenta turnê "25 Anas” em abril, no Salles Multieventos

'Abba Experience In Concert' chega a Aracaju com novo show no Teatro Tobias Barreto

Fazer comunicação em um mundo em mutação :: Por Shirley Vidal

"Aracaju Tropical Run 2026” agita capital em corrida na praia

CONVITE: Lançamento do livro "Command Center, IA e outros Avanços Tecnológicos na Radiologia Médica"

Benito Di Paula em Aracaju com a turnê "Do Jeito que a Vida Quer"

Governo de Sergipe anuncia redução no preço da tarifa do gás natural canalizado

OAB/SE prorroga prazo de regularização para garantir descontos na anuidade 2026

Madereta de Lagarto apresenta programação da 12ª edição

Propriá realizará a maior Romaria e Festa de Bom Jesus dos Navegantes do estado

Boleto do IPTU pode ser impresso no Portal do Contribuinte

Prefeitura de Aracaju prorroga prazo da cota única do IPTU com desconto de 7,5% até 6 de fevereiro

Nona, Bruninho Top7, cortejos do Rasgadinho e Maysa Reis agitam o Jardins Folia 2026

5 alertas de que o sistema contábil da sua empresa ficou para trás

Falta de lei não impede redução de jornada de servidor com filha autista

Detran Sergipe moderniza CNH e exame prático passa a ser realizado sem baliza

Petrobras garante três décadas de produção em Sergipe Águas Profundas

Maior exposição de tubarões do Brasil chega a Aracaju

Entenda mudanças na aposentadoria em 2026

WhatsApp

Entre e receba as notícias do dia

Matérias em destaque

Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação