Dia Mundial de Conscientização da Doença de Charcot-Marie-Tooth alerta para sinais precoces e importância da reabilitação infantil
Celebrado em 11 de junho, o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Charcot-Marie-Tooth (CMT) chama atenção para uma das neuropatias hereditárias mais comuns do mundo e reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento multidisciplinar e da reabilitação motora em crianças afetadas por doenças neuromusculares. A condição genética compromete os nervos periféricos, responsáveis por controlar músculos e transmitir sensações, podendo provocar fraqueza muscular progressiva, alterações na marcha, deformidades nos pés e dificuldades motoras desde a infância.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Charcot-Marie-Tooth Association (CMTA), a doença afeta aproximadamente uma em cada 2.500 pessoas no mundo. Embora muitos casos sejam diagnosticados apenas na adolescência ou fase adulta, existem formas de início muito precoce que podem se manifestar ainda nos primeiros meses de vida. Nesses casos, bebês podem apresentar hipotonia — conhecida popularmente como “bebê molinho” — além de dificuldades de sucção, atraso para sustentar a cabeça, sentar, engatinhar e caminhar.
Dr. Emanuel Cerqueira, fisioterapeuta especialista em osteopatia neonatal e pediátrica, destaca que observar os marcos do desenvolvimento infantil é fundamental para identificar alterações neuromotoras precocemente. “Quando o bebê apresenta um atraso importante no desenvolvimento motor, pouca força muscular, dificuldade de sustentar o corpo ou até alterações na sucção, isso precisa ser investigado. Quanto mais cedo iniciamos o acompanhamento fisioterapêutico, maiores são as possibilidades de estimular funções motoras, promover qualidade de vida e prevenir deformidades futuras”, explica.
De acordo com o especialista, a fisioterapia pediátrica e a osteopatia neonatal desempenham papel essencial na reabilitação e no acompanhamento contínuo dessas crianças. “O tratamento não tem como objetivo apenas fortalecer a musculatura, mas também favorecer funcionalidade, equilíbrio, coordenação motora e independência. Cada criança precisa ser avaliada de forma individualizada, respeitando suas limitações e potencialidades”, afirma Dr. Emanuel Cerqueira.
O Ministério da Saúde reforça que doenças neuromusculares exigem acompanhamento contínuo com equipe multiprofissional, envolvendo fisioterapeutas, neuropediatras, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e outros especialistas. O cuidado precoce pode reduzir impactos motores, respiratórios e ortopédicos, além de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes e das famílias.
Especialistas alertam ainda que sinais como quedas frequentes, dificuldade para correr, andar nas pontas dos pés, fraqueza muscular progressiva e alterações posturais não devem ser ignorados. O diagnóstico precoce pode acelerar o início do tratamento e ampliar as possibilidades de adaptação e desenvolvimento infantil.