Pandemia: excesso de informação pode causar ansiedade, medo e estresse
Psicóloga Camila Calaça (Foto: Assessoria de Comunicação CRP19)
“Ao abrirmos diariamente nossas redes sociais ou ligarmos a televisão somos bombardeados por notícias em relação à pandemia causada pelo Covid-19. Tais informações são úteis, tendo em vista o atual cenário de saúde pública, porém devemos acionar nosso “filtro cognitivo” com o objetivo de não absorver tudo que é dito, afim de não aumentar a possibilidade de suscitar sentimentos de ansiedade, medos, tensão e estresse”.
A educadora popular em saúde pela Fio Cruz, com residência em Saúde Mental (UFS), diz ainda que para estabelecer filtros é importante buscar informações seguras em meios de comunicação sérios ou ainda de artigos científicos para minimizar o bombardeio de histórias e auxiliar no processo de “colocar os pés no chão”. “Se faz necessário se informar o suficiente e não em excesso. Definir os reais riscos, pois evita a possibilidade desse imaginário popular produzir de que não exista a doença ou que ela nunca chegará em nossos ambientes, fazendo com que muitas pessoas não deem a devida seriedade ao fato. Uma coisa que fez muito sentido foi quando os números de infectados e mortos deixaram de ser um gráfico estatístico e ganharam nomes e rostos. Esse foi um ponto que nos faz repensar a forma de nos posicionarmos diante da crise, que é real e que pode, em certa medida, trazer a ansiedade, mas que nos leva a tomar atitude assertivas”.
Psicólogo Plácido Lúcio Rodrigues Medrado (Foto: Assessoria de Comunicação CRP19)
De acordo com Medrado, especialista em docência do ensino superior, a nova dinâmica dos dias de isolamento condiciona a uma mudança de comportamento. “No norte e no nordeste, assim como em outras regiões do País, têm aumentado o ritmo de entregar por delivery, o que pode indicar o comportamento de “fique em casa”, mas apesar desse movimento para isolar e conter o vírus, é necessário criar condições reais, como política de incentivo, movimento de educação popular, criação de rendas alternativas e criar outros ritmos dentro do ambiente de casa, pois somos incentivados a estar em movimentos fora dela com trabalho, lazer, religião. Com isso, se faz importante reinvenções perante o que de fato vivemos no agora”, finalizou.