Retinoblastoma pode ser identificado pelo teste do olhinho nos primeiros dias de vida
Uma doença séria e que até bem pouco tempo era desconhecida de grande parte da população: o retinoblastoma. Considerado raro, este tipo de câncer é mais comum em crianças muito pequenas e responde por cerca de 4% dos cânceres infantis, se manifestando, em sua maioria, antes dos cinco anos de idade.
Ana Cristina Bittencourt, oftalmologista cooperada Unimed Sergipe (Ascom Unimed/SE)
"É um tumor maligno primário, mais comum na infância e se origina nas células da retina, que é a membrana responsável pela visão. O retinoblastoma pode ser unilateral, ou seja, acometer um olho só, ou bilateral, acometendo os dois. Sabemos que 90% dos pacientes apresentarão essa doença antes dos cinco anos de idade. A doença é mais facilmente diagnosticada nos casos bilaterais, quando o diagnóstico aparece por volta dos dois meses de vida", detalha a oftalmologista.
Estima-se que no mundo há em média seis mil casos de retinoblastoma a cada ano, sendo considerado um tipo raro de câncer. Segundo a especialista, esta não é uma doença que se adquire por estilos de vida ou fatores externos e que não é possível evitá-la.
"Esse câncer é raro porque decorre de uma mutação genética do cromossomo 13. O retinoblastoma não está associado a fatores externos, ambientais ou modos de vida, portanto, fica registrado que não há nada que essas crianças e seus pais possam fazer para evitar essa doença, visto que ela é uma mutação genética. Ocorre defeito no código genético do cromossomo 13, que geralmente controla o desenvolvimento das células da retina. Então, essas células começam a crescer de forma desordenada, levando ao surgimento dos tumores", explica Ana Cristina.
Entre os sinais que podem ser observados para uma suspeita da doença estão os reflexos brancos no olho que podem ser observados a partir da incidência da luz na superfície do tumor, inclusive em fotos em que o flash é utilizado.
"O Conselho Brasileiro de Oftalmologia preconiza que o diagnóstico deve ser feito
ainda na maternidade, nas primeiras 72 horas de vida, porque esse diagnóstico precoce contribui muito para o bom prognóstico da doença. Ele é feito através do teste do olhinho, mas sabemos também que muitos serviços não contam com profissionais habilitados para isso, porque o teste do olhinho não é algo tão simples de ser realizado. Um exame chamado mapeamento de retina requer uma boa dilatação pupilar e o profissional deve estar capacitado para realizá-lo de forma mais eficaz", pontua a oftalmologista.
Segundo a oftalmologista, o teste do olhinho precisa ser feito por um especialista
em retina e vítreo, por ter mais destreza com o manuseio de olhos muito pequenos e pela capacidade técnica de detectar anormalidades. Não havendo a oportunidade de realizar o teste do olhinho na maternidade, é importante que os pais busquem o exame nos primeiros 30 dias de vida do recém-nascido, assim como também manter esse controle nos três primeiros anos de vida, realizando testes três vezes por ano.
"O retinoblastoma tem cura sim. Sabemos que 95% dos casos podem ter bom prognóstico quando for detectado em tempo. O tratamento vai depender da localização, se é bilateral ou não, se tem metástase associada e vai ser realizado com um tratamento único, dependendo de cada caso individualmente", complementa Ana Cristina.