Com metro quadrado mais barato do país, Aracaju lidera valorização imobiliária no Nordeste :: Por Marcelo Carvalho
Marcelo Carvalho*
Preço médio de R$ 5.826 por m² segue como o menor entre as 22 capitais do Índice FipeZAP, mas ritmo de alta na capital sergipana é o mais forte da região em 2026
Aracaju combina, simultaneamente, o metro quadrado residencial mais barato e o ritmo de valorização mais expressivo do Nordeste em 2026, entre as 22 capitais monitoradas pelo Índice FipeZAP. O preço médio na capital sergipana fechou agosto em R$ 5.826 por m², após alta mensal de 1,07%, a maior variação do Nordeste e a terceira maior do Brasil, atrás apenas de Vitória e Brasília. Os dados constam no relatório de agosto divulgado pela Fipe em parceria com o Grupo OLX.
No acumulado do ano, a liderança regional é folgada: alta de 8,15% de janeiro a agosto. No ranking nacional de 2026, Aracaju figura na terceira colocação, atrás apenas de Vitória (10,24%) e Manaus (9,19%).
Desempenho acumulado no Nordeste (jan–ago/2026):
• Aracaju: 8,15%
• Salvador: 7,27%
• Fortaleza: 5,62%
• Teresina: 5,54%
• Natal: 5,33%
• Recife: 5,04%
• João Pessoa: 5,03%
• São Luís: 3,89%
• Maceió: 3,54%
Ganhos reais e consistência histórica
Em 12 meses, a valorização acumulada atinge 9,06%, superando com folga os índices oficiais de inflação no período: mais que o dobro do IPCA (4,14%) e quatro vezes o IGP-M (2,16%). O descolamento ocorre nos três horizontes de análise (mês, ano e 12 meses), afastando a tese de mera volatilidade pontual.
A trajetória em 2026 demonstra consistência mês a mês, sem saltos artificiais. A taxa em 12 meses avançou de 2,59% em janeiro até atingir o ápice de 9,14% em julho, recuando levemente para 9,06% em agosto, primeira desaceleração do ano. O cenário contrasta com as oscilações abruptas do ciclo anterior: 6,98% (2022), 5,89% (2023), 13,79% (2024) e 2,23% (2025).
Preço baixo versus atratividade
Apesar do fôlego de alta, Aracaju permanece com o metro quadrado mais acessível do país. O valor médio local é inferior ao da vizinha Teresina (R$ 6.032) e muito distante de polos como Florianópolis (R$ 13.531) ou Vitória (R$ 15.650). Esse hiato entre valor nominal baixo e valorização acelerada reforça a leitura do mercado de que a capital sergipana ainda está subprecificada pelo capital externo.
Comportamento por bairros
A dinâmica interna, contudo, é heterogênea entre as dez regiões monitoradas pela pesquisa:
• Maiores altas em 12 meses: Treze de Julho (+25%), Coroa do Meio (+24,8%) e Jabotiana (+20,2%).
• Metros quadrados mais caros: Jardins (R$ 9.029/m²) e Coroa do Meio (R$ 8.147/m²).
• Bairros em retração: Ponto Novo (-8,2%), Grageru (-7%) e São José (-5,1%).
*Nota metodológica: Os dados integram o Índice FipeZAP de Venda Residencial (agosto/2026), elaborado com base em 5.372 anúncios em Aracaju. A série histórica anterior foi obtida a partir dos relatórios mensais de janeiro a julho de 2026 da mesma instituição.
*Marcelo Carvalho, Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe. Atua há mais de 28 anos em jornalismo e comunicação institucional.