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Aracaju (SE), 07 de fevereiro de 2026
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 23/12/2017 às 22:11
Pub.: 23 de dezembro de 2017

Natal? :: Por José Lima Santana

José Lima Santana* - jlsantana@bol.com.br

José Lima Santana - Imagem de arquivo

José Lima Santana - Imagem de arquivo

Sim. Natal, sim. Natal do Filho de Deus e Salvador da humanidade. É nisso que nós cristãos acreditamos. Natal é tempo de festa, de alegria, de amor. Mas, todos estarão em festa? Obviamente, não. Há aqueles que jamais tiveram a oportunidade de celebrar o Natal. Destes, alguns nem sabem quais são os símbolos litúrgicos ou populares do Natal. “Alguém ai sabe quem é Papai Noel?”. Muita gente ainda não sabe. Não estou falando acerca do mito Papai Noel, mas do que, na prática, deveria ser feito sobre esse chamado “bom velhinho”. Ou seja, quantos jamais receberam a ternura do Papai Noel em termos de um presente, qualquer que seja? Aliás, tendo sido transformado num condutor do consumismo, tem gente que quer a morte do Papai Noel, que é visto como um engodo por certos grupos iconoclastas. Papai Noel precisa ser destruído porque é um mito branco, europeu, elitista, que, na verdade, nunca chega para milhões de pessoas. “Morte ao Papai Noel!”, pregam tais grupos.
    
Quantas crianças, por exemplo, vêem na televisão, nas portas das lojas a figura do Papai Noel com suas vestes vermelhas, com sua barba branca como a neve, com um sorriso muitas vezes forçado, com aquele gritinho (Ho, ho, ho!) que quer traduzir satisfação, porém, jamais viu cumprido o desejo de receber algo vindo do seu suposto saco de presentes? “Morte ao Papai Noel!”. Todavia, quantas crianças ficam na ilusão de que Papai Noel lhes chega, porque há pessoas que conseguem lhes atender o desejo de um presente, por mais simplório que seja? “Morte ao Papai Noel?”. Cada um julgue e decida o que deve ser feito com o Papai Noel. Mas, seria bom ter pena do pobre “velhinho”.
    
Na verdade, o que se deve compreender sobre o Natal não é o consumismo que o comércio nos impõe. Não são os almoços ou jantares de confraternização, não raro com troca de presentes, que os colegas de trabalho e tantos outros grupos de pessoas fazem todos os anos. Não são as ceias pomposas ou não, que as famílias realizam. Não são as taças de vinho consumidas. Tudo isso tem feito parte do Natal. Não há como dissociar. Tudo isso criou raízes profundas. É preciso, contudo, ir além.
    
Por uma espécie de remorso, pela necessidade, talvez, de “reparar” erros na condução da vida pessoal, há quem deixe cair no colo dos pobres algumas migalhas no período natalino. Ou por motivos altruístas mesmo. Bem. Que assim seja. Não devemos julgar as pessoas pelo que elas fazem, nem o porquê elas o fazem. Que façam! Se apenas um sorriso de criança for aberto no Natal (ou noutro qualquer momento) pela ação de alguém, qualquer que seja o tipo de ação, já terá valido a pena. Morte ao Papai Noel? Ora, deixem o “bom velhinho” branco, europeu, elitista, mítico, em paz.
    
Porém, o Natal não está circunscrito ao que acima foi descrito, ou a muito mais do que isso, na mesma visão.
    
Tempo de festa, de alegria, de amor. Foi dito acima. Tempo de reverenciarmos o Deus que nos vem, que assumiu a nossa humanidade, que quis viver conosco, para nos ensinar a ser verdadeiramente humanos, solidários, fraternos. Tempo de festa porque o Verbo se fez carne. Tempo de alegria porque a Luz brilhou nas trevas. Tempo de amor porque nós fomos feitos filhos de Deus. E se somos filhos de Deus, nós devemos amar uns aos outros. Aí, sim, repousa o espírito natalino. No mínimo, devemos nos esforçar para amar. Não com palavras, mas com gestos concretos. Com ações mínimas possíveis. Cada um ao seu modo.
    
Jesus veio ao mundo para cumprimento da Palavra de Deus. A Palavra do Pai está no Filho, como também está no Espírito Santo. A Palavra é una. É santa.
    
Neste Natal, quantos barracos estarão silenciosos na beira de córregos, nas encostas de inúmeros morros! Nas favelas, nos subúrbios. Quantos corações estarão vazios, embora diante da mesa farta da ceia, da troca mecânica de presentes?
    
Jesus não veio a nós em vão. Que em vão não seja o Natal. Que saibamos compreender a liturgia do Advento. E, mais ainda, que saibamos viver essa liturgia. Que comecemos se for o caso a vivê-la. Não apenas neste período, mas por todo o ano, por toda a vida.
    
Deixemos que o Natal explorado pelo consumismo continue como algumas pessoas gostam de vê-lo assim, de fazê-lo assim. Não atiremos pedras. Não queiramos a morte do Papai Noel. Queiramos, sim, a morte do descaso, da indiferença, do desamor.
    
Que o espírito do Natal, o verdadeiro espírito cristão do Natal de Jesus chegue a nós, cristãos ou não cristãos. Espírito de renovação. Espírito de repensar a vida, para fazê-la melhor. Para compartilhar. Para tomar consciência de que mudanças precisam ser feitas em nossas vidas, mas, também, na vida do nosso país assolado pela falta de ética, pela corrupção da parte de empresários e políticos que roubam descaradamente o que faz falta à educação, à saúde, à segurança e a tudo o mais que pertence ao povo.
    
Natal? Sim. Que a paz de Jesus esteja conosco. FELIZ NATAL!


PADRE. ADVOGADO. PROFESSOR DA UFS. MEMBRO DA ASL DA ASLJ E DO IHGSE

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