Aracaju (SE), 20 de janeiro de 2026
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 30/05/2025
Pub.: 02 de junho de 2025

Correios e Bebês Reborns :: Por José Lima Santana

José Lima Santana
 
José Lima Santana (Imagem: Arquivo Pessoal/José Lima Santana)
Dois temas que estão me encafifando, nos últimos dias: o caso dos Correios e o dos bebês reborns.
 
Os Correios já foram a empresa mais conceituada pelo povo brasileiro, a instituição pública mais confiável, segundo pesquisas feitas há algumas décadas. Ao longo do tempo, porém, a empresa não soube se modernizar até para enfrentar as empresas que passaram a lhe fazer concorrência, na entrega de encomendas. Todavia, não foi só isso: a corrupção e a falta de gerenciamento adequado contribuíram decisivamente para jogar a empresa na lama. 
 
Um exemplo da desorganização interna dos Correios: no dia 7 deste mês, eu despachei um Sedex para Osório (RS). Paguei R$ 180,15. A moça me disse que a encomenda seria entregue até o dia 12, ou seja, até 5 dias depois. Na verdade, só foi entregue no dia 21, ou seja, 14 dias depois da postagem e 9 dias após o prazo de entrega que me foi dado. Uma empresa assim tende ao fracasso total. Em muitos casos, a ingerência política tem arrasado alguns órgãos públicos e, mais ainda, algumas entidades da administração pública indireta, em todos os níveis federados.  
 
O fatiamento dos cargos públicos comissionados entre pessoas indicadas por diversos agrupamentos políticos só faz estragar a gestão. O Brasil vai, assim, escorregando na banana e chegando perto da beira do precipício. Os Correios registraram um prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024, o que representa quatro vezes mais do que o prejuízo do ano anterior. De rombo em rombo, os Correios vão ao fundo do poço. 
 
Agora, o caso dos bebês reborns. Um absurdo! Eu não tenho nada contra as excentricidades das pessoas. Não mesmo. Entretanto, tem gente passando dos limites. É verdade, como diz Gilles Lipovetsky, filósofo francês, que estamos na “Era do Vazio”, título de um de seus livros mais famosos. O vazio leva as pessoas ao individualismo, aos modismos, ao distanciamento das ações sociais. “Eu me basto”. “Eu me quero”. 
 
Vejamos esta frase do autor: “A ideologia individualista e a era sublime da moda são assim inseparáveis; culto da expansão individual, do bem-estar, dos gozos materiais, desejo de liberdade, vontade de enfraquecer a autoridade e as coações morais: as normas “holistas” e religiosas, incompatíveis com a dignidade da moda, foram minadas não só pela ideologia da liberdade e da igualdade, mas também pela do prazer, igualmente característica da era individualista”.
 
“O prazer que importa é o que me satisfaz, egoisticamente”. “Eu sou mais eu”. “O que possa me dar prazer, alimentando o meu ‘ego’ [em estado de estilhaços], é o que mais me deve importar”. O vazio precisa ser preenchido até mesmo por bebês reborns. É a moda. Uma nova moda, que parece levar a uma satisfação alucinada. A um delírio. 
 
O jornalista e advogado Esmael Morais escreveu, em seu blog: “A polêmica do bebê reborn no Brasil irrompeu este mês de maio como uma centelha viral nas redes sociais, mas rapidamente se transformou em combustível para embates jurídicos, projetos legislativos e discussões sobre saúde mental. O que parecia uma excentricidade – adultos simulando a maternidade de bonecas hiper-realistas – revelou-se um espelho perturbador de questões sociais profundas”.
 
Nas últimas semanas, parlamentares estaduais e federais correram a apresentar projetos de lei, no sentido de, por exemplo: a) vetar atendimentos médicos simulados com reborns, inclusive em hospitais públicos e privados; b) proibir o uso de reborns para obtenção de benefícios como assentos preferenciais e filas especiais; c) propor acolhimento psicossocial para quem cria vínculos afetivos com tais bonecas. Citam-se mais de vinte projetos de lei nesse sentido.
 
Em entrevista à CNN, o psiquiatra Daniel Barros afirmou que, “quando o tratamento dado ao boneco faz com que a pessoa passe a acreditar que ele é real, a situação se torna preocupante”. Certamente. 
 
Daqui a pouco, vão querer batizar os bebês reborns. Nem penar. Confusão à vista. Ainda haveremos de ver cosias que até o diabo vai duvidar. Ou já estamos vendo.
 
*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, da ASLJ, da ASE, da ADL e do IHGSE.


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