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Aracaju (SE), 05 de julho de 2026
POR: Iane Gois
Fonte: Portal Itnet
Em: 22/11/2016 às 10:50
Pub.: 22 de novembro de 2016
Atualizada: 22/11/2016 às 12h43

Em protesto, alunos ocupam Murilo Braga e aulas são interrompidas por tempo indeterminado

Previsão é de que até o início de dezembro outras escolas da rede estadual na cidade também tenham as atividades acadêmicas suspensas por conta da ocupação.

Cartazes apontam ocupação na escola (Imagem: Alef Andrade/Portal Itnet)

Cartazes apontam ocupação na escola (Imagem: Alef Andrade/Portal Itnet)

Passados vinte dias da ocupação parcial do prédio da Universidade Federal de Sergipe (UFS), campus de Itabaiana (SE), mais estudantes serranos aderiram ao movimento ‘Fora Temer’ e, contrários à PEC 55, antiga PEC 241, Projeto de Emenda Constitucional do governo Temer que prevê o congelamento dos gastos públicos pelas próximas duas décadas, e à Reforma do Ensino Médio, ocuparam na manhã desta terça-feira (22) o Colégio Estadual Murilo Braga (CEMB).

Com portões trancados e cadeados trocados, os jovens forçaram a suspensão das atividades educacionais e, mesmo conscientes dos prejuízos advindos da interrupção do ano letivo, prometem se manter firmes no protesto até a segunda votação da Proposta no Senado, prevista para acontecer a partir de 15 de dezembro.

De acordo com Ana Laine da Silva, líder do movimento e presidente do Grêmio Estudantil, “a tentativa de calar o estudante não será aceita” e a sociedade será alertada de que não se trata de uma medida que afetará somente a educação.

“Já saímos em caminhada pelas ruas da cidade hoje como forma de fortalecer o nosso protesto. Queremos mostrar que essa Proposta terá reflexos na previdência, na saúde pública e que não só nós, estudantes, seremos atingidos”, justificou Laine.

Sobre a Reforma do Ensino Médio, a jovem defende que ante a exigência do conhecimento em todas as disciplinas da grade curricular para prestação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a medida limita o estudante que, segundo ela, estará dúbio entre as reais necessidades intelectuais e aquelas que serão cobradas.

Mediante a tomada do prédio, o diretor da unidade, professor Paulo César, lamentou o comprometimento direto do ano letivo e a alteração do calendário. “Os alunos estão no exercício legal de uma mobilização, mas é preciso que eles não pensem somente no agora, afinal em um futuro próximo eles e os que estão de fora da ação serão os únicos lesados”, destacou Paulo, lembrando que o ano letivo iniciou com atraso e, mediante essa paralisação, as aulas que estavam previstas para terminar em março precisarão ser estendidas por prazo desconhecido.

“Todo o nosso cronograma foi comprometido. Estávamos com uma programação para a celebração do aniversário da escola e agora já não poderemos mais executar, mas no final os grandes atingidos serão os alunos, porque com a extensão das aulas aqueles que prestaram o Enem, se aprovados e chamados pela Universidade antes do término do período letivo, não poderão se matricular porque não terão cumprido a carga horária necessária à aprovação no ensino médio”, esclareceu o diretor.

Questionada sobre a consciência da perda relatada pelo gestor da unidade de ensino, Laine afirmou estar certa do prejuízo, mas afirmou considerar que “é melhor a espera com a ocupação, a ficar vinte anos sem educação”.

Sem previsão para liberação do espaço, as aulas ficam interrompidas por tempo indeterminado e cerca de 1600 alunos do CEMB permanecerão, ao menos até 15 de dezembro, sem perspectiva de retorno para finalização do ano acadêmico.

Com o engajamento de alunos de outras escolas estaduais da cidade na linha de frente do protesto, é possível que os demais colégios da rede estadual que oferecem ensino médio possam ser ocupados até o início de dezembro, já havendo, inclusive, paralisação no César Leite.

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