Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (ADEPOL), emite NOTA PÚBLICA
Forte defensora dos princípios democráticos e republicanos plasmados na Constituição Federal e no ordenamento jurídico brasileiro, a Adepol lamenta, porém, que as mudanças tanto na SSP quanto no Ministério Público Estadual tenham ocorrido exatamente num momento em que todo o sistema de segurança e de justiça, assim como toda a sociedade sergipana, estavam presenciando a atuação combativa, corajosa e emblemática dos delegados de polícia lotados na DEOTAP e do promotor de justiça Henrique Ribeiro Cardoso, no comando do Centro de Apoio ao Patrimônio Público (CAOPP), frente a grupos criminosos que se instalaram no Estado de Sergipe, voltados ao desvio e locupletação de recursos públicos, no âmbito das administrações públicas estadual e municipais.
É inconcebível que, num momento em que a sociedade brasileira assiste, orgulhosa, aos desdobramentos da Operação Lava-Jato, responsável pelo desmonte do maior esquema de corrupção da história do Brasil, em Sergipe, os poderes político e econômico possam transpor as barreiras de uma sólida instituição e atingir o trabalho independente de um dos seus mais combativos e honrados membros, sem quaisquer consequências além do silêncio cúmplice e ensurdecedor de quem tem o dever de agir em defesa de seus pares e, por conseguinte, dos interesses da própria sociedade.
Não sem razão, a Adepol entende como absolutamente inócua a decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou o Ministério Público a realizar investigação criminal por mão própria, na medida em que a tão propalada independência funcional dos seus membros dissipa-se como fumaça ante a primeira investida dos fatores reais de poder.
Neste particular, a Adepol lamenta que certas manifestações, a pretexto de conferir apoio e solidariedade aos delegados de polícia, tenham por desiderato a indisfarçável e oportunista autopromoção institucional, fruto de um projeto megalômano que visa retirar a autonomia funcional dos delegados e subordoná-los, bem como às polícias judiciárias da União e dos Estados, ao ilimitado poder de seus membros.
Por fim, a Adepol aproveita o ensejo para render as suas mais sinceras e justas homenagens aos delegados Danielle Garcia, Gabriel Nogueira e Nádia Flausino, pedindo vênia à Associação Sergipana do Ministério Público para estender as mesmas homenagens ao ilustre promotor de justiça Henrique Ribeiro Cardoso, cujo abrupto afastamento do comando do CAOPP ainda não foi satisfatoriamente esclarecido pela chefia do Ministério Público nem publicamente enfrentado por sua associação de classe.
Paulo Márcio Ramos Cruz - Presidente da Adepol – 21/04/2017 13:08