Serviços de psicologia e psiquiatria são oferecidos a profissionais do Huse
“A gente precisa cuidar do trabalhador para que ele possa cuidar do outro. Esse é um dos nossos lemas, não existe humanização se a gente não cuida do trabalhador”. Essa afirmação foi dita pelo psicólogo e gerente do Serviço de Humanização, Elder Magno. O serviço que funciona no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) há cerca de quatro anos, proporciona um programa de saúde do trabalhador que cuida, quando necessário, da saúde mental de profissionais que buscam atendimentos psicológicos e psiquiátricos.
Huse (Foto: Arquivo/SES/SE)
Os atendimentos são realizados no Huse, somente para trabalhadores do hospital. Funciona num esquema de consulta, no qual o psicólogo e o psiquiatra dividem os casos dos pacientes, assim como os encaminhamentos e avaliações. Tudo acontece com agendamento, solicitação, atendimento e marcação. “Esse programa de psicologia e psiquiatria existe há um ano. Isso foi uma necessidade que a gente viu dos trabalhadores que chegam com alguma necessidade e a gente faz uma articulação entre esses profissionais para analisar e mostrar em que consiste esse tratamento e a importância da medicação. Não é só medicar, passa por uma proposta ampliada de saúde que vai além da medicação”, ressaltou Elder Magno.
Os motivos que levam os trabalhadores a buscarem atendimento de saúde com o psicólogo ou o psiquiatra no Huse, são diversos e vão desde queixas do atendimento mental do trabalhador, problemas pessoais, dependência química, depressão, problemas que envolvem conflitos dentro da equipe, carga de trabalho, a dinâmica do trabalho que é estressante, entre outros.
O tratamento psiquiátrico é feito de forma individual. Primeiro é feita uma avaliação e um exame das funções mentais, do comportamento, da linguagem não verbal e em cima disso é elaborado um diagnóstico, a partir daí é iniciado o tipo correto de tratamento. Geralmente o tratamento é feito com base em medicamentos, variando de acordo com cada indivíduo.
De acordo com o psiquiatra do Huse, Felipe Tavares, a maior preocupação hoje é prevenir esses transtornos no ambiente de trabalho e evitar que se complique ao ponto de deixar o indivíduo incapacitado. “O tratamento psiquiátrico é libertador. A gente trabalha para recuperar a autoestima da pessoa (a funcionalidade) que é a sensação de bem estar, de equilíbrio com si próprio e que permite a pessoa ter vida social, curtir a família, estar produtivo no trabalho, satisfeito com o que faz, esses são os principais objetivos do tratamento psiquiátrico”, explicou.
“Tremia muito, chorava e tinha síndrome do pânico. Quando conheci o serviço de saúde do trabalhador, minha vida começou a melhorar”, explicou a servidora do Huse que faz tratamento com o psiquiatra e não quis se identificar.
“Tratamento aprovado. Eu só vivia com medo e nem saia de casa, tinha dificuldade para dormir, era muito agressivo e nem trabalhava mais, agora posso dizer que já estou muito melhor. Ainda sou assustado, mas a medicação e o tratamento vão me ajudar a melhorar e ter qualidade de vida”, disse o trabalhador enquanto aguardava a consulta.
Mensalmente cerca de 200 trabalhadores são atendidos pela psicologia e a psiquiatria que fazem parte do serviço de saúde do trabalhador. Para os trabalhadores que apresentam algum grau de cronicidade, esses que já tem uma incapacidade verificada e diagnosticada, são encaminhados para o serviço de saúde do trabalhador do Huse (SESMT).