Setembro Amarelo: Huse qualifica atendimento ao paciente vítima de suicídio
Setembro Amarelo (Imagem: SES/SE)
Mensalmente, o Huse realiza entre 5 a 10 atendimentos a essas vítimas. O número pode ser maior se levar em consideração as que dão entrada no hospital com esse diagnóstico e vão a óbito. A idade das vítimas que acabam tentando suicídio varia entre 13 e 25 anos.
O trabalho realizado pela equipe de psicólogos que compõe o projeto é realizado mediante um chamado da área em que a vítima deu entrada (geralmente Área Azul ou Vermelha) e feita uma busca ativa para identificar o paciente, o que houve, faz o acolhimento, preenche a ficha do paciente com alguns questionamentos e faz o acompanhamento psicológico enquanto estiver no hospital em tratamento.
Depois de avaliado, caso haja a necessidade, o paciente é encaminhado para continuidade ao tratamento fora do hospital, através do CAPS ou para ambulatório de psicologia e psiquiatria do município. A Referência Técnica de psicologia do Huse, Adriana Viana, ressalta que durante este mês, em todo o país, é comemorado a campanha do Setembro Amarelo, com o objetivo de chamar a atenção da população para o tema e sua prevenção.
“A gente esta aproveitando a campanha do Setembro Amarelo, não apenas para fazer atividades pontuais dentro do hospital, mas, para fazer uma reavaliação de todo o projeto que foi instituído há quase sete anos no Huse e torná-lo mais eficiente e eficaz dentro da unidade. Para isso, nós vamos ter algumas atividades dentro do hospital e estamos promovendo reuniões quase que diárias com as equipes do Pronto Socorro e da psicologia. A pretensão da gente é fazer uma sensibilização com o funcionário para chamar atenção para sua importância dentro do hospital, trabalhar os preconceitos que existem em relação a pessoa que tenta o suicídio, mostrar para o profissional que a pessoa está num grau de sofrimento tão grande que ele enxerga como única alternativa para acabar com aquela dor, a morte”, explicou.
Histórico
Muitas vezes, o que mais chama a atenção para esses casos, é a falta de suporte familiar encontrado nos pacientes. Na maioria das vezes, quando as vítimas chegam ao hospital e relatam suas histórias o conflito familiar está entre os casos. Muitas vítimas de suicídio que chegam ao PS do Huse, fizeram a ingestão de medicação ou chumbinho. Muitos procuram essa tentativa como forma de solucionar o problema que estão enfrentando. A psicóloga Keysin Blohem, orienta que essa não é a saída.
“A gente orienta que eles peçam ajuda, procurem um familiar, um profissional para tratar o caso. Quando chegam aqui no Huse, tem pessoas que as vezes superam, melhoram e isso é muito difícil. Muitas vezes, o psicologo e o psiquiatra vão ajudar a resolver o problema, ajudar a encontrar soluções dentro dele para lidar com aquela situação”, informou.
Recentemente um paciente deu entrada no PS do Huse com quadro de coma alcoólico. O motivo que levou esse paciente a buscar refúgio na bebida de forma exagerada foi tristeza. Ele não tentou se matar, mas, a intenção dele era acabar com a tristeza que ele sentia naquele momento. Depois de ter se relacionado com uma jovem, o seu relacionamento era muito conturbado e por conta disso ele bebeu, depois entrou em outro relacionamento e com comportamento explosivo que acabava agredindo a parceira verbalmente. Como a parceira não aguentava mais as agressões, acabou dando um fim ao relacionamento e dessa última vez, o jovem de apenas 24 anos, acabou bebendo alcoól e tentou contra a vida, mas, sem sucesso.
Tratamento
O projeto salva vidas foi formulado em 2010 e inicialmente começou para atender um público que é tentativa de suicídio, alcool e drogas em geral, só que o público é para um hospital de urgência e esse público é grande e necessita de um tratamento prolongado, então, o projeto foi criado para as pessoas que necessitam de um atendimento emergencial que é o que se adapta a estrutura do Huse.
O psicologo do Pronto Socorro do Huse, Helisson Santana, destacou que com o passar do tempo, o projeto foi criando forma e a equipe tenta um vinculo com a rede de saúde do município. “Se o paciente tentou a primeira vez e conseguiu se salvar, se ele não tiver o acompanhamento da rede, ele pode tentar novamente porque é como se perdesse o medo e qualquer processo de frustração, vai acabar desencadeando novamente. A gente se sente frustrado porque fazemos um trabalho grande aqui dentro e não sabemos o que acontece la fora”, enfatizou.
Ele informa ainda que o projeto tentativa de Suicídio é uma questão de saúde pública. “O Huse abarca Sergipe, Bahia e Alagoas, é uma rede muito grande, um hospital bem visto e muito procurado pelos atendimentos que realiza. A importância disso é um impacto social mesmo, é um projeto pioneiro, não só pelo que a gente vê no estado, mas existe um projeto realizado pelo grupo de psicologia, com estrutura e sutil de trabalhar. Esse é um projeto muito maior do que o Setembro Amarelo. É um projeto completo e anual”, afirmou.