Profissionais da saúde e da Vigilância Sanitária recebem capacitação sobre comercialização de alimentos para crianças
Uma série de qualificações ministradas em três módulos foi iniciada nesta terça-feira, 5, na Fundação Estadual de Saúde (Funesa), para funcionários da Vigilância Sanitária Estadual e profissionais que atuam em maternidades gerenciadas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) e por entidades filantrópicas. O objetivo é refletir sobre a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), que tem como um dos seus instrumentos a Lei Nº 11.265, de 2006, que dispõe sobre essa comercialização. Novas qualificações serão realizadas nos próximos dias 19 e 20, com último ciclo ministrado em 25 e 26 de setembro.
Profissionais da saúde e da Vigilância Sanitária recebem capacitação sobre comercialização de alimentos para crianças (Foto: SES/SE)
Neste primeiro ciclo, até esta quarta-feira, 6, serão abordados temas, como os benefícios da amamentação e a importância do aleitamento materno exclusivo, destacando também aspectos relacionados a alimentação complementar saudável. Serão ainda apresentados os malefícios e conseqüências à saúde da criança devido ao uso de bicos, chupetas e mamadeiras, bem como implicações do desmame precoce à saúde da criança, a Política Nacional de Aleitamento Materno e a situação do aleitamento materno no Brasil e em Sergipe.
Segundo Ronaldo Cruz, responsável técnico de Alimentação e Nutrição da SES, as qualificações tendem a facilitar o acesso dos profissionais a NBCAL e a Lei 11.265. “Aplicando e monitorando a norma e a Lei, esses participantes estarão contribuindo para uma nutrição adequada, aplicada aos lactentes e às crianças de 0 a 3 anos. Com isso, será formada uma rede de apoio, proteção e incentivo a amamentação no Estado de Sergipe, tendo a SES a vivência de um momento ímpar, quando diversas ações de saúde materno infantil estão sendo implementadas com foco na alimentação e na nutrição, a exemplo Oficina QualiNEO, que tem como objetivo discutir o plano de ação sobre os procedimentos e cuidados que deverão ser tomados com os bebês que nasceram com alto risco de vida”, esclareceu.
As qualificações ainda enfatizam a importância de estabelecer padrões éticos, do ponto de vista da publicidade voltada o consumo de alimentos pelo público infantil. “A ideia é que as empresas que atuam no ramo da comercialização de produtos substitutos do leite materno, sejam redes de farmácia ou pequenos estabelecimentos, tenham na NBCAL um instrumento de orientação para o desenvolvimento das atividades comerciais. Em se tratando das maternidades, a Norma proporciona meios viáveis à certificação das mesmas na Iniciativa Hospital Amigo da Criança, idealizada pela Organização Mundial da Saúde e pelo Unicef para promover, proteger e apoiar o aleitamento materno. Iniciativa essa que já contempla as maternidades Zacarias Júnior, em Lagarto, Santa Isabel e em fase de encaminhamento, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes”, acrescentou Helga Muller, da Coordenação da Rede Materno Infantil e Área Técnica da Criança, da SES.
Enfermeira do centro obstétrico do Hospital Regional José Franco Sobrinho, em Nossa Senhora do Socorro, Sônia Alves de Souza pretende não só absorver conteúdos relacionados à alimentação saudável para crianças, mas também ser multiplicadora de informações na unidade de saúde em que atua. “Com uma clientela mais consciente a cerca dos benefícios da amamentação, teremos também mães mais seguras para aderir à prática. Consideramos também o valor econômico representado num alimento adquirido gratuitamente e o marketing indevido que gira em torno do consumo de alimentos por parte do público infantil”, assegurou a profissional da saúde.
Para o gerente de alimentos da Vigilância Sanitária do município de Nossa Senhora do Socorro, David de Castro Lima, ao atuar na fiscalização de produtos para lactentes e crianças de 0 a 3 anos atentamos também para o acondicionamento do mesmo. “Observamos a temperatura adequada e as condições de higiene do alimento, fatores que comprometem a qualidade do que é oferecido e nos dão ideia dos riscos de contaminação. Através desse perfil de trabalho disseminamos mecanismos de boas práticas de manipulação de alimentos até mesmo nas unidades de saúde, contemplando assim os usuários do SUS [Sistema Único de Saúde]”, considerou.