Aracaju (SE), 18 de junho de 2026
POR: SES/SE
Fonte: SES/SE
Em: 13/09/2017
Pub.: 13 de setembro de 2017

Sem vagas no Hospital Cirurgia, 36 pacientes da ortopedia permanecem internados na Área Verde Trauma do Huse

Com avançado parque tecnológico e equipe profissional capacitada, o Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) é a unidade do Estado destinada ao atendimento de urgência e emergência em média e alta complexidade. Porém, por ser porta aberta, continua sendo a válvula de escape de quem não consegue assistência na Rede Básica, ou acaba não encontrando atendimento no Hospital Cirurgia, hoje, a maior retaguarda do Huse, que passa por um aumento significativo em sua demanda, atingindo 200% da sua capacidade de atendimento, ou seja, superlotado.

Sem vagas no Hospital Cirurgia, 36 pacientes da ortopedia permanecem internados na Área Verde Trauma do Huse (Foto: SES/SE)

Sem vagas no Hospital Cirurgia, 36 pacientes da ortopedia permanecem internados na Área Verde Trauma do Huse (Foto: SES/SE)

Para se ter uma ideia, a população está encontrando dificuldade fora do Huse para ter acesso a uma avaliação na área Vascular, por isso toda a demanda do estado acaba vindo para o hospital porque conta com a especialidade 24 horas por dia tanto para urgência, como para avaliações de baixa complexidade. Esses pacientes estão aguardando vagas no Hospital Cirurgia que não está atendendo por diversos problemas internos. Outro ponto que também chama atenção é a questão da Ortopedia. A Área Verde Trauma está com 85 pacientes internados, desse total, 36 estão prontos e aguardando vagas no Hospital Cirurgia.

De acordo com o coordenador do Pronto Socorro do Huse, Vinícius Vilela, o hospital está assando por uma superlotação porque está encontrando dificuldades de ter certos atendimentos de alguns especialistas fora do Huse e acabam procurando o hospital porque sabem que vão encontrar atendimento, profissionais e pelo fato do Huse ser porta aberta, os pacientes têm seu procedimento atendido e suas avaliações garantidas.

“Só hoje, eu tenho 27 pacientes aguardando vaga para cirurgia na área vascular. Outro ponto é quando outra instituição restringe plantões como as UPAs, as Unidades Básicas entram em greve, ou outro hospital que seja nossa retaguarda paralisam por qualquer motivo, isso também reflete na superlotação do Huse, os leitos não rodam, causam congestão e os pacientes não param de chegar. Esses 27 pacientes da cirurgia vascular já estão prontos com exames e condutas definidas aqui pelo Huse, só falta fazer a desobstrução dos vasos que é realizada no Hospital Cirurgia e que a oferta é muito baixa pra nossa demanda, se eles me ofertassem essas vagas, seriam menos 27 pacientes internados aqui no Huse”, explicou.

Outro motivo são os pacientes renais crônicos, que encontram dificuldades por algum motivo e vão para o Huse e têm sua demanda fechada, tem toda avaliação, todo suporte da nefrologia, recebem alta, porém, só podem receber alta médica quando tem uma clínica cadastrada. Todo paciente renal crônico só pode sair do Huse quando estiver cadastrado para fazer hemodiálise ambulatorial, por motivos externos do Huse, as clínicas também estão com a oferta menor que a demanda.

Uma questão que acontece cotidianamente é que a população não está encontrado assistência adequada nas redes municipais ou nos serviços de avaliações de especialidades, quando encontram, os exames e procedimentos demoram e a população prefere buscar atendimento no Huse porque sabe que tem resolutividade e assistência garantida.

Atualidade
Hoje, o Pronto Socorro do Huse conta com 120 pacientes internados na Área Azul, desses, 93 estão internados em macas e 85% dos casos são pacientes considerados de baixa complexidade. Os pacientes de média e alta complexidade que deveriam ter os serviços mais acelerados, acabam sendo retardados porque o profissional tem que cuidar dos pacientes de baixa complexidade, ou seja, disputam os mesmos serviços.

“Nós já estamos com mais de 200% de superlotação. Hoje, o nosso limite se chama espaço físico, nós estamos colocando os usuários em locais adequados só que chegam mais e ficam no limite do espaço físico, isso causa um tempo maior de espera para ser atendido já que nós não temos espaço físico, nós não estamos sendo contemplados com vagas de outras instituições. Outra questão são as ambulâncias do SAMU que já começam a ficarem retidas pelo reflexo da superlotação no Huse. Um serviço depende do outro, se o SAMU chega aqui hoje com o paciente e não tem maca para substituir, o serviço para. Então, com o Huse superlotado, outros serviços são afetados”, explicou Vinícius Vilela.

A Área Vermelha está com 29 pacientes internados, já a Área Verde Clínica está com 33 leitos para pacientes masculinos e 25 para pacientes femininos. A Área Verde Clínica é a retaguarda da Área Azul, só que como a rotatividade está grande, os pacientes ficam na Verde Clínica esperando vagas em outras instituições, pois, são pacientes de alta permanência. Na Área Verde Trauma, 85 pacientes seguem internados, desse total, 36 estão prontos e aguardam vagas para o Hospital Cirurgia.

Usuários
Já passavam das 10 horas da manhã e o ajudante de pedreiro José Márcio Silva, 47, ainda aguardava por atendimento no Pronto Socorro do Huse. Ele queixava-se de dor abdominal e antes de chegar ao hospital ele buscou atendimento na Unidade de Saúde do seu bairro, mas, sem sucesso. Ele informa que sabia da superlotação do Huse mas não tinha outra alternativa para ser atendido.

“É muito triste poder ver a saúde desse jeito. Eu assisto as notícias e só vejo problemas, aqui no Huse é lotado mas resolve o problema do povo, ainda é o único que funciona bem, mas muito cheio. Já passei pelo médico e estou aguardando ser chamado para receber a medicação, lá dentro está muito cheio”, disse.

A dona de casa Ana Lima, 53, também foi em busca de atendimento na Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva, no dia anterior. Como precisava de exames e lá não tinha, ela buscou atendimento no Huse na manhã de hoje.

“Estou com muita dor de cabeça e meus olhos doem muito. Só me receitaram uma medicação mas a dor não passou, então, preferir buscar atendimento no Huse e tentar fazer um exame de tomografia para ver se não é algo mais grave”, destacou.

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