Psicologia do Huse realiza palestra sobre alimentação e autoimagem
Na manhã da última quinta-feira, 14, o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), através do Serviço de Psicologia do hospital e em parceria com o Núcleo de Educação Permanente, realizou uma palestra com o tema “Cuidados com a alimentação e autoimagem: impactos na qualidade de vida”. Uma demanda da equipe de psicologia do hospital que reuniu psicólogos, nutricionistas, estudantes e assistentes sociais para debaterem a respeito de uma alimentação saudável.
Psicologia do Huse realiza palestra sobre alimentação e autoimagem (Foto: SES/SE)
A psicóloga e especialista em Transtornos Alimentares pela Universidade de São Paulo (USP), Adelle Moade, atuou durante sete anos na equipe multidisciplinar no Ambulatório Especializado de Transtornos Alimentares do Departamento de Psiquiatria da Unifesp. A convite de uma psicóloga do Huse, ela trouxe o tema para discussão.
“Muitas pessoas acham que qualidade de vida é só fazer dieta e perder peso, mas, e a cabeça dessa pessoa, como é que foi feita essa dieta, ninguém para pra ver que métodos foram utilizados e que isso tem um impacto direto na saúde mental. Eu trouxe as questões socioculturais, a mídia, o quanto que hoje nós somos ensinados a detestar nosso corpo, a não estarmos satisfeitos com nosso corpo e o quanto que tem mitos relacionados à saúde e à beleza, o que é saúde e na verdade não é”, explicou.
Ela ressaltou também que muitas pessoas estão prescrevendo de forma errada e muitos não param para entender. Na ocasião, foi explicado também sobre os aspectos fisiológicos e apresentada a ferramenta de comer com atenção plena e que está sendo muito utilizada para estresse, ansiedade e compulsão alimentar.
A nutricionista do Huse, Telma Sales, participou da palestra e destacou a importância relevante do tema abordado para os profissionais presentes e ressaltou que as pessoas devem ficar atentas às mudanças de hábitos alimentares.
“Uma palestra importante e dentro da nossa realidade. Mudanças de hábitos alimentares é, na verdade mudança de comportamento da pessoa que vai junto, não tem como dissociar uma coisa da outra porque a gente tem uma relação muito íntima de emoção e tristeza com a comida, então, nesse momento, a gente tem que refletir o que é que está me fazendo comer mais e escolhendo alimentos que não nos trazem tantos benefícios. É com esse contexto que a gente precisa como profissional sempre pensar nisso, a gente tem que tratar o paciente como um todo, o comportamento psicológico dele para então tratar em conjunto. É mudança de comportamento”, afirmou.
A referência técnica em psicologia do Huse, Adriana Viana, disse que o assunto era muito discutido entre a equipe de psicologia do hospital e que a frustração por não conquistar o corpo desejado pode levar a outras consequências mais graves e levar morte.
“A gente pode ver a questão da anorexia citada na palestra, de pessoas que morrem de anorexia, então é um suicídio, você se priva de se alimentar que é uma coisa básica da vida. Você não ingeriu medicamentos, não usou arma de fogo, não usou uma faca, não cortou os pulsos, mas cortou algo que é essencial pra sua vida: o alimento. Muitas vezes, isso está ligado à depressão, ansiedade, bulimia, então, a gente pode interpretar como uma forma de suicídio sim, a pessoa vai morrendo aos poucos”, declarou.
Para a psicóloga do Huse e idealizadora da palestra, Vanessa Furtado, o evento serviu para que as pessoas reflitam e desmistifiquem algumas ideias sobre alimentação e autoimagem. “Percebi uma demanda do grupo de psicologia, uma preocupação exacerbada com essa questão e com o preconceito. Percebi algumas questões incomodas, por isso, essa palestra vai plantar uma sementinha para que possam repensar e desmitificar algumas ideias de corpo e saúde”, concluiu.