Aracaju (SE), 21 de junho de 2026
POR: SES/SE
Fonte: SES/SE
Em: 21/09/2017
Pub.: 21 de setembro de 2017

Huse mantém internados 21 pacientes que aguardam hemodiálise por falta de vagas na rede ambulatorial

Nesta quinta-feira, 21, o secretário adjunto da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Luiz Eduardo Prado, se reuniu com o presidente da Associação de Renais Crônicos e Transplantados de Sergipe (Arcrese), José Lúcio Alves, e com a presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), a deputada Sílvia Fontes, para tratar de aspectos relacionados à assistência oferecida aos pacientes renais crônicos de todo o Estado. Atualmente, 21 pacientes que poderiam estar sendo assistidos na rede ambulatorial estão internados no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) enquanto aguardam abertura de vagas para tratamento de hemodiálise.

Huse mantém internados 21 pacientes que aguardam hemodiálise por falta de vagas na rede ambulatorial (Foto: SES/SE)

Huse mantém internados 21 pacientes que aguardam hemodiálise por falta de vagas na rede ambulatorial (Foto: SES/SE)

Segundo Luiz Eduardo Prado, as discussões relacionadas a esse impasse precisam dar ênfase à necessidade de a Rede Básica de Saúde cumprir o seu papel no controle da hipertensão arterial e de outras patologias que poderão ocasionar um quadro de insuficiência renal. A partir daí, a atuação da Rede Estadual da Saúde implicaria na assistência dada aos casos mais complexos, não aos pacientes de baixa complexidade, que representam a maioria dos atendimentos feitos na unidade.

“As discussões sobre o tema são pertinentes e quando participadas aos órgãos, como os que aqui estão representados, apontam para avanços. Incluímos nesse contexto a importância da junção, não só do executivo, mas também do legislativo e do judiciário, para que questões amplas sejam respondidas com urgência. As soluções relacionadas à situação dos pacientes renais também demandam esforços dos entes federal e municipal para a resolução dos transplantes de uma vez por todas no Estado”, declarou o secretário adjunto da SES.

Os aspectos econômicos também foram considerados frente aos desafios para a assistência plena oferecida aos pacientes renais. Segundo Luiz Eduardo, é preciso discutir com as equipes de saúde a consideração necessária à tabela SUS (Sistema Único de Saúde), regulamentada em todo o país.

“A realidade é que Sergipe é o único estado em que as equipes de saúde não aceitam o valor pago pelo Sistema Único de Saúde, através da Tabela SUS. Todos os estados brasileiros realizam transplantes pela dita tabela. Outra questão considerada é que mesmo não tendo demandas de transplantes durante um dado período, as equipes desejam pagamento ininterrupto sobreaviso, ou seja, somente para estar à disposição. Condição essa que não procede em outros estados, visto que efetuam pagamentos por produção realizada. Consideramos ainda que não existem recursos financeiros de sobra na saúde do Estado. Atualmente, a SES está conseguindo realizar alguns avanços com recursos próprios, a exemplo dos que resultaram na chegada do acelerador linear, no funcionamento de tomógrafos, bem como na aquisição de equipamento de ressonância magnética”, explicou Luiz Eduardo.

Outros impasses
As prioridades em saúde necessárias aos pacientes mais graves, sejam eles oncológicos ou renais, foram consideradas pelo secretário adjunto da SES. Na ocasião, Luiz Eduardo lembrou que o contratante de serviços em saúde é o município de Aracaju, visto que é gestor pleno, porém recentemente foi tomada pela SES a iniciativa pelo envio de propostas comerciais para que os hospitais particulares São Lucas, Primavera e Renascença, a fim de que passem a realizar transplantes.

“O primeiro passo é efetivar contratos e, em seguida, as habilitações, que são avaliadas a cada dois anos. Hoje, nenhum hospital é habilitado para transplantes em Sergipe, ou seja, os impasses enfrentados não giram apenas em torno de gestão. Temos ainda outro impasse: acionamos a Secretaria Municipal de Saúde, visto que temos 180 pacientes pós-transplantados e 220 na fila do transplante. Os hospitais que realizam consultas de pacientes não estão recebendo para a atividade, e tal medida precisa ser uma providência do município e não do Estado”, esclareceu o secretário adjunto.

A deputada Sílvia Fontes ressalta que a reunião foi um divisor de águas. “De forma extremamente solícita, a SES nos atendeu e nos explanou toda a situação que envolve os pacientes renais crônicos de Sergipe. “Chegamos ao entendimento de que, na verdade, a assistência plena a esses pacientes é responsabilidade que não pode ser atribuída somente ao Estado. É preciso ser discutida amplamente por todos os entes responsáveis e outros atores, a exemplo do Ministério Público Estadual e Federal, bem como Defensoria Pública, de forma que todos possam compreender suas competências. Buscamos qualidade de vida para esses pacientes, para que recebam medicamentos de forma mais contínua e que sejam viabilizados o quanto antes os transplantes de rins em Sergipe, a fim de findar os tratamentos fora do domicílio. Ansiamos ainda pela abertura de outras vagas nas clínicas para tratamentos de hemodiálise”, enfatizou.

Segundo José Lúcio Alves, o resultado final da reunião foi muito positivo. “Presenciamos a abertura de um diálogo e a possibilidade de construir uma agenda que terá como objetivo superar as dificuldades enfrentadas no tratamento dos pacientes renais do Estado de Sergipe. Abrindo o diálogo e construindo o caminho, poderemos dispor de uma linha de cuidados que possa qualificar a assistência dada a esses pacientes”, declarou o presidente da Arcrese.

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