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Aracaju (SE), 01 de julho de 2026
POR: SES
Fonte: SES
Em: 24/11/2017
Pub.: 25 de novembro de 2017

SES participa de workshop regional sobre doação de órgãos e tecidos para transplantes

SES participa de workshop regional sobre doação de órgãos e tecidos para transplantes (Foto: Ascom/SES)

SES participa de workshop regional sobre doação de órgãos e tecidos para transplantes (Foto: Ascom/SES)

Gestores e profissionais da Secretaria de Estado da Saúde (SES) estão participando do Workshop Regional em Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, que está sendo realizado desde ontem, 23, até hoje, 24, em um hotel da capital, onde estão sendo debatidos desde a legislação sobre transplantes, a financiamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) para estes procedimentos e aumento de potenciais doadores. Em Sergipe, no momento, há 188 pessoas na fila a espera de transplante de córnea e uma para de coração.

Segundo o coordenador da Central de Transplantes de Sergipe, Benito Fernandez, capacitações como esta são fundamentais para que as doações e, consequentemente, os transplantes, sejam impulsionados em todo o país. “Precisamos debater cada vez mais o assunto e instrumentalizar os profissionais de saúde, mostrando a importância deles também nesse processo de doação de órgãos e tecidos. Sergipe tem uma média acima da do Nordeste em identificação de potenciais doadores, porém, o Estado cai no ranking nacional quando vamos para a efetivação dos doadores. Ainda temos uma negativa familiar muito grande em relação à doação, e precisamos melhorar o acolhimento dentro do ambiente hospitalar e a conscientização da sociedade sobre o assunto”, disse.

Outro ponto abordado durante o workshop é a importância do apoio do poder público de todas as esferas para os transplantes no Brasil. “A Central de Transplantes de Sergipe, por exemplo, tem um trabalho educativo para conscientizar a sociedade sobre a doação de órgãos, mas o poder público, como um todo, precisa ter um olhar mais especial para a questão. Em Sergipe, o tempo de espera por uma córnea é em média 1 ano e 4 meses, e precisamos de mais apoio de todas as esferas, da população e também da mídia”, declara Benito.

O coordenador da Central de Transplantes ressalta ainda a importância das pessoas informarem aos seus familiares o desejo de ser um doador para que haja menos recusa familiar. “Quando a pessoa conversa com seus familiares e informa o desejo de ser um doador, a família se sensibiliza e isso facilita a autorização da doação. Precisamos diminuir a recusa familiar que, infelizmente, ainda é um dos grandes entraves da doação de órgãos e tecidos no Brasil”, afirma.

Aumento dos números
E a cardiologista Isabela Rezende, que faz parte da equipe que realiza os transplantes de coração em Sergipe pelo SUS, comenta que a população do Estado precisa, de fato, se conscientizar sobre a importância da doação, pois, segundo pesquisas, Sergipe tem apenas três doadores por 1 milhão de habitantes, sendo que, em Estados como o Ceará, por exemplo, são 30 doadores por 1 milhão.

“O transplante não é uma coisa simples. É um procedimento complexo, que envolve muita logística, mas que quando dá certo é uma grande vitória. Sergipe, perto de outros Estados, está abaixo da média em relação a doadores e a população precisa apoiar a causa e se conscientizar da importância da doação. Além disso, é necessário haver uma mudança no acolhimento e na estrutura das unidades do SUS de todo o país para as famílias se sentirem mais confortáveis e seguras para autorizarem as doações”, conta.

Workshop
O workshop foi realizado em parceria do Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi/SUS), do Ministério da Saúde (MS), com o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Durante o evento, a enfermeira do hospital, Priscila Oliveira, frisou que na região Nordeste a recusa familiar ainda é grande e é preciso criar estratégias para a mudança deste cenário.

“É preciso mudar a estrutura da Saúde no país para que isso favoreça a atividade da doação de órgãos. A média nacional de recusa familiar é de 43%, enquanto que na região Nordeste é em torno de 60%. Sergipe evoluiu no número de potenciais doadores, mas a taxa de conversão dos pacientes para doadores efetivos ainda é baixa. Então, os profissionais devem ser ainda mais capacitados para realizar as atividades relacionadas aos transplantes, a população precisa se sensibilizar mais para a causa e o poder público tem que realizar mais campanhas em prol da doação”, comenta.

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