Projeto de Educação Permanente dos profissionais da rede de atenção as urgências é finalizado
Representantes do Ministério da Saúde (MS) e do Hospital Alemão Osvaldo Cruz (HAOC), de São Paulo, estiveram reunidos com gestores da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e profissionais da área, no auditório do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), quando apresentaram o seminário final do projeto de Gestão para Educação Permanente dos Profissionais da Rede de Atenção às Urgências (GEPPRAU).
Projeto de Educação Permanente dos profissionais da rede de atenção as urgências é finalizado (Foto: SES/SE)
Um projeto que está voltado para a gestão da educação permanente, como instrumento e ferramenta de mudança de processos assistenciais, com foco inicial para o atendimento de urgência do paciente agudo. O médico e educador do HAOC, César Roberto Braga, destaca que a educação permanente é uma ferramenta importante e contribui na organização de um sistema de atendimento à saúde do SUS.
“A pretensão não é pequena. A educação permanente é uma ferramenta importante porque ela de alguma forma nos ajuda a problematizar a realidade, principalmente a realidade assistencial e mais do que isso, a realidade da vida das pessoas, de que, porque e como elas adoecem, quais as suas dificuldades quanto a busca do atendimento e as não respostas no sistema de atendimento ambulatorial faz com que as pessoas procurem as vias de regra o serviço de atendimento de urgência, por isso que a gente faz esse tipo de intervenção. Quando você trabalha as urgências, você trabalha o sistema porque você questiona o sistema o tempo inteiro, as disfunções que a gente vê frequentemente nas estruturas de atendimento do paciente agudo, nas estruturas de atendimentos das urgências, elas não são disfunções só desses serviços, o Huse não tá superlotado por conta do Huse, possivelmente ele pode ter dificuldades internas, mas a solução não está dentro dele, a solução está no sistema”, explicou.
Durante os encontros e os processos de trabalho, foi necessário dividir o estado de Sergipe em sete regiões para se pensar e fortalecer cada uma delas, com estruturas capazes de atender o conjunto das necessidades da saúde e suas populações. A forma de regionalizar é a forma de facilitar o processo de organização da rede de assistência e das estruturas assistenciais e trazer essa assistência para uma realidade mais próxima.
“É fundamental que a gente fortaleça a regionalização, é um processo complexo, mas, é uma decisão que já foi tomada pelo estado de Sergipe algum tempo atrás e tem que continuar com força maior, porque a não resolução de uma série de problemas que acontecem não só nos municípios vizinhos, mas os que fazem fronteira e que por questão de proximidade acabam vindo para o Huse. É necessário que se tenha a solução para o conjunto, fortalecer cada município, principalmente aqueles mais desprovidos de recursos, eles precisam ganhar potência e capacidade de atender a população do seu território, uma área que não tenha um adensamento e uma concentração demográfica mais acentuada, então, tem que se buscar meios para levar os serviços de saúde para que todos tenham a mesma possibilidade”, enfatizou César Roberto Braga.
Apoiadores
O GEPPRAU foi desenvolvido pelo HAOC em parceria com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS) que faz parte do MS. Juntos foram selecionados hospitais de excelência reconhecidos no Brasil e eles são isentos dos impostos que nesse caso, são revertidos em ações de projetos para o SUS e não em determinadas outras áreas do governo. Por serem reconhecidos por sua excelência, os seis hospitais acabam tendo toda a expertise que pode ser direcionada para esse apoio e desenvolvimento institucional.
Para o enfermeiro e apoiador pedagógico do HAOC, Cauê Zoppe, foram seis meses de grandes discussões e criações dos profissionais buscando melhorias para cada região. “A gente propõe nesse período de seis meses a organização como se fosse um espaço protegido, onde a gente reúne todos os componentes da Rede de Atenção de Urgências, esses componentes são atenção básica, SAMU, hospitais de urgências, hospitais municipais, hospitais regionais, CAPS, UPA’s, e durante esse período a gente tem diversos temas para a discussão dos profissionais, como tempo de espera e permanência, superlotação, gestão, governança e resultados assistenciais. Os profissionais em seus próprios territórios trazem as dificuldades e esse grupo que representa toda a rede de atenção as urgências vão discutir e pensar em propostas de melhorias para essa região da saúde”, informou.
Participantes
Durante o seminário final, os profissionais que participaram se dividiram em cinco grupos onde eles foram pesquisar dados epidemiológicos da região, saúde mental, infarto agudo do miocárdio, núcleo de educação em urgências e trauma. Pesquisaram incidência, prevalência, óbitos evitáveis, entre outros e com os resultados eles apresentaram propostas de melhorias. A partir daí foi proposto de que forma a educação permanente pode ser uma ferramenta estratégica e de gestão para organizar todos os fluxos nas sete regiões. O objetivo final é que os participantes entendam e apoiem as propostas para colocarem em prática.
O coordenador do Núcleo de Educação Permanente do SAMU/SE, Roney Barbosa, discutiu sobre um projeto cujo objetivo é ter um olhar ampliado para todo o estado. “O SAMU juntamente com os outros pontos de atenção da rede produziu um projeto cujo objetivo principal é implantar um Núcleo de Educação Permanente que possa ter um olhar ampliado para todo o estado. A ideia é que as unidades conheçam as suas realidades e dentro disso a gente possa traçar um plano para melhoria tanto na qualificação dos gestores, trabalhadores e profissional da saúde, objetivando a qualificação da assistência. O SAMU é um dos componentes da rede e construímos juntos. O pensamento de rede é justamente esse, não adianta o SAMU qualificado, o Huse qualificado e o Hospital Regional não está qualificado, então, a ideia é implementar um plano que fale a mesma língua e que a gente consiga fazer uma assistência igual em todos os pontos de atenção”, justificou.
De acordo com a coordenadora de Atenção Hospitalar e Rede de Urgência, Jurema Viana, a rede de urgência tem um papel importante de articulação. “Ela precisa articular os níveis de atenção, desde a atenção primária, atenção domiciliar, até a atenção hospitalar de maneira que a gente consiga construir uma linha de cuidado e assistência uniforme. A proposta é que todas essas unidades que atendem urgências tenham a conformação de núcleo para educação permanente através de seus trabalhadores. Tenham dentro da região um núcleo que consiga congregar esses equipamentos de saúde para ter uma uniformidade e uma formatação dentro da linha para que todos esses núcleos regionais também tenham o seu espaço junto ao núcleo estadual e que a gente consiga formar uma rede articulada”, disse.
O médico do Núcleo Interno de Regulação do Huse e plantonista do PS, Judson Tadeu Almeida, definiu o projeto como histórico e positivo. “A gente tratou de temas como educação permanente e linha do cuidado, a gente faz uma reflexão de toda a sociedade porque para que ela se organize, para que essa linha do cuidado seja construída é importante a participação de toda a sociedade, a gente não fala de trauma sem dialogar com a secretaria de segurança pública, secretaria do transporte, esses seis meses a gente conseguiu elaborar o material e dialogar com a rede foi muito positivo, educadores e uma experiência histórica, além da percepção da necessidade da gente ter que buscar na sociedade o desenvolvimento desse trabalho”, enfatizou.