Aracaju (SE), 02 de abril de 2025
POR: Laís Marques
Fonte: Ascom Unit
Em: 01/04/2025 às 14:31
Pub.: 01 de abril de 2025

Pesquisa de Iniciação Científica analisa estratégias para combater a desinformação

Técnicas como prebunking e debunking podem fortalecer o pensamento crítico e proteger contra notícias falsas.

Cauê Elias Santos Nascimento - Foto: Ascom Unit

Com a expansão das redes digitais, as informações se espalham em um ritmo impressionante. No entanto, nem todas são confiáveis, e a disseminação de notícias falsas, as chamadas fake news, tornou-se um problema significativo. Você já refletiu sobre como se proteger desse fluxo de informações duvidosas? Foi essa questão que levou o estudante de Psicologia da Universidade Tiradentes (Unit), Cauê Elias Santos Nascimento, a explorar o tema da desinformação em sua pesquisa de Iniciação Científica.

Para entender e combater esse fenômeno, Cauê focou nas estratégias conhecidas como "prebunking" e "debunking". Mas o que esses conceitos significam? O "debunking" refere-se ao ato de desmentir uma fake news depois que ela já se espalhou, evidenciando o que é incorreto. Já o "prebunking" funciona de maneira preventiva, como uma "vacina psicológica", ensinando as pessoas a reconhecerem os mecanismos de criação, disseminação e autoria das notícias falsas antes mesmo de acreditarem nelas.

"Meu interesse pelo tema surgiu ao consumir conteúdos sobre fake news. Recordo de um episódio do podcast de divulgação científica Naruhodo e, posteriormente, ao ler um artigo acadêmico de amigos e do professor Rodrigo Machado, percebi que ambos mencionam o conceito de prebunking. Isso despertou minha curiosidade e me levou a aprofundar os estudos sobre o tema, que ainda é bastante inovador", relata Cauê.

Do interesse pessoal à construção do projeto

O desejo de transformar essa curiosidade em um estudo científico foi um processo natural para Cauê, que sempre procurou aliar a visão científica da psicologia às suas pesquisas. Sua participação anterior em projetos de iniciação à docência em outra instituição também ajudou a prepará-lo para a investigação acadêmica. Para formalizar sua ideia, ele procurou a professora Ariane Brito, que desempenhou um papel essencial no desenvolvimento e condução do estudo, estimulando o grupo.

A Iniciação Científica, realizada entre o 4º e o 6º período do curso, demandou um ano de trabalho, sendo os primeiros três meses dedicados à elaboração do projeto. A pesquisa foi inicialmente estruturada em duas fases: uma revisão bibliográfica sobre fact-checking e debunking, seguida de uma intervenção online quase-experimental utilizando a técnica de prebunking. Entretanto, a execução precisou ser ajustada.

"Tivemos que nos concentrar apenas na revisão bibliográfica, pois o comitê de ética sugeriu um direcionamento diferente para a parte experimental", explica Cauê. Mesmo com essa mudança, a revisão revelou insights importantes. "Os principais achados indicam que as fake news seguem padrões recorrentes na forma como são criadas e compartilhadas", destaca o pesquisador. Um exemplo claro é o impacto da proximidade com a fonte da informação e a apresentação do conteúdo na percepção de veracidade.

Impacto e aplicações da pesquisa

Apesar das limitações impostas à parte experimental, a pesquisa oferece reflexões relevantes sobre o combate à desinformação, especialmente entre os mais jovens. Cauê enfatiza a necessidade de um olhar crítico diante das notícias, principalmente aquelas recebidas via WhatsApp, e recomenda a busca por fontes confiáveis para a checagem de informações. "É essencial entender como as fake news são criadas, quem costuma produzi-las e como são disseminadas. Esse conhecimento já é um grande passo para se proteger", orienta.

Ele também destaca o papel fundamental das redes sociais e da mídia no enfrentamento das fake news, ressaltando que as técnicas investigadas já estão sendo aplicadas e aprimoradas nesses ambientes. "Essa é uma batalha em constante evolução, impulsionada pelo avanço da tecnologia. Atualmente, existem diversas agências de checagem de fatos que prestam serviço a veículos jornalísticos, por exemplo", pontua.

O estudante demonstra entusiasmo em aprofundar o tema futuramente, reconhecendo sua importância e os impactos psicológicos da desinformação na sociedade brasileira. Seus planos incluem ingressar em um mestrado, aproveitando a publicação de um artigo científico resultante de sua pesquisa de Iniciação Científica. "Pretendo retomar esse estudo no futuro, pois o tema ainda é pouco explorado no Brasil e tem grande relevância. Além disso, almejo seguir na carreira acadêmica e, com o artigo publicado, já garantimos um diferencial na seleção para a pós-graduação", afirma.

A importância da Iniciação Científica

A experiência adquirida com a pesquisa teve um impacto significativo em sua trajetória acadêmica. "A Iniciação Científica ampliou minha compreensão sobre a psicologia e a produção acadêmica. Além disso, abriu caminhos para que eu continue estudando esse tema e direcionando meu futuro profissional para essa área", compartilha Cauê.

Ele reforça que a Iniciação Científica não se restringe a quem deseja seguir carreira acadêmica, sendo uma oportunidade valiosa para qualquer estudante que queira aprofundar seus conhecimentos. "Estar próximo da ciência é entender como o conhecimento é produzido. O que estudamos nos livros da graduação é fruto de pesquisas como essas. Além disso, a experiência proporciona uma aplicação prática do aprendizado, o que é extremamente enriquecedor", conclui.


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