Comerciários resistem a retrocessos e enfrentam patronato nas negociações da convenção coletiva
Os trabalhadores do comércio e serviços seguem mobilizados no processo de negociação da Convenção Coletiva de Trabalho 2026. Apesar de a pauta de reivindicações ter sido entregue ao setor patronal desde novembro, as negociações continuam sem avanços, diante da postura desrespeitosa dos empresários, que insistem em apresentar propostas que representam retrocessos nos direitos da categoria.
Desde o início do processo já foram realizadas diversas rodadas de negociação, inclusive, com a intermediação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. Ainda assim, o patronato tem desprezado as demandas dos trabalhadores e se recusado a avançar no fechamento de convenção coletiva que garanta a valorização da categoria.
Entre os pontos mais preocupantes está a tentativa de implantar o banco de horas, além de outras medidas que desrespeitam direitos historicamente conquistados e que só trazem exploração para a classe trabalhadora. Para os representantes sindicais, é urgente recuperar as perdas salariais e assegurar aumento salarial.
Desrespeito às mulheres - Outra proposta apresentada pelo patronato descumpre a lei e quer manter as mulheres comerciárias trabalhando dois domingos consecutivos. Isso significa ampliar a exploração da jornada e reduzir ainda mais o tempo de descanso e convívio familiar da categoria. A proposta representa um claro retrocesso nas condições de trabalho. Existe um grande número de mulheres atuando nesse segmento, que serão diretamente afetadas.
São trabalhadoras que já enfrentam jornadas intensas e que seriam privadas do seu direito ao lazer e ao convívio familiar apenas para ampliar os lucros das empresas. Para os dirigentes sindicais, a luta é pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial- acabar com essa escala 6x1.
Direitos históricos - A comissão de negociação dos trabalhadores - formada pelos sindicatos dos comerciários e dos supermercados e pela Federação dos Empregados no Comércio e Serviços do Estado de Sergipe (Fecomse), argumenta que permanece aberta ao diálogo. Deixa claro, no entanto, que não aceita propostas que impliquem em retirada de direitos ou aumento da precarização das condições de trabalho.
"O patronato precisa entender que são os trabalhadores e as trabalhadoras que movimentam o setor, geram riqueza e fazem a economia crescer. É fundamental que sejamos respeitados e valorizados como a principal força produtiva responsável pelo desenvolvimento econômico”, pontua Ronildo Almeida, presidente da Fecomse, que, juntamente com Manoel Oliveira, presidente do Sindicato dos Empregados em Supermercados, e Luan Almeida, presidente do Sindicato dos Comerciários de Sergipe, é membro da comissão de negociação.