Falando com a Especialista: Escuta terapêutica para questões da vida real :: Por Erenita Sousa
Erenita Sousa*
Muitas pessoas enfrentam sofrimento emocional em silêncio, lidando com pensamentos repetitivos, medos constantes e comportamentos que se repetem sem compreender plenamente sua origem.
A coluna Falando com a Especialista foi criada para responder a dúvidas reais do público, oferecendo uma escuta terapêutica acessível, ética e humanizada. As perguntas são tratadas com a mesma seriedade e cuidado de um atendimento clínico, promovendo reflexão, consciência emocional e orientação responsável.
Pergunta do leitor (Anônimo)
“Sempre tive dificuldade em manter relacionamentos. Percebo algumas repetições na minha vida afetiva. Sinto muito ciúme do passado das pessoas com quem me relaciono. Crio cenas na minha mente, tanto afetivas quanto sexuais, e isso me gera muita angústia. Ao mesmo tempo, percebo que existe um prazer sutil nessa curiosidade, o que me faz sentir ainda mais culpa e sofrimento. Isso é normal? É possível mudar essas repetições?”
Resposta da especialista
Erenita Sousa | Psicanalista Sistêmica
Vou te responder com o mesmo cuidado que teria se você estivesse aqui, sentado à minha frente no consultório.
O que você descreve é mais comum do que parece, embora muitas pessoas sintam vergonha de falar sobre isso. O ciúme do passado, as cenas imaginadas, a curiosidade que mistura angústia e prazer não indicam fraqueza, perversidade ou desejo de sofrer. Elas indicam que algo dentro de você ainda tenta elaborar experiências emocionais que não foram integradas.
Na psicanálise, compreendemos que a mente não cria essas imagens por acaso. Elas costumam surgir quando existem conteúdos emocionais antigos que ficaram sem simbolização: inseguranças precoces, experiências de exclusão, comparações, feridas narcísicas ou histórias familiares onde o amor esteve associado à perda, à disputa ou à instabilidade.
O prazer sutil que aparece na curiosidade costuma confundir e gerar culpa. Mas, do ponto de vista terapêutico, ele não está ligado ao desejo de dor, e sim à tentativa inconsciente de dominar o medo. É como se o psiquismo dissesse: “Se eu imaginar tudo, talvez eu não seja surpreendido novamente”.
No olhar da psicanálise sistêmica, essas repetições também podem estar relacionadas a padrões familiares invisíveis. Muitas vezes, carregamos lealdades emocionais, identificações com histórias de traição, abandono ou insegurança que não começaram em nós, mas que se repetem até serem reconhecidas e ressignificadas. O sintoma, nesse sentido, não é o problema — ele é o sinal.
Quando esse movimento interno começa a ser compreendido, algo importante acontece:
a ansiedade diminui,
as imagens perdem intensidade,
e o relacionamento deixa de ser um campo de vigilância para se tornar um espaço possível de encontro.
Sim, é normal dentro de um contexto psicológico.
E sim, é absolutamente possível transformar essas repetições.
O processo terapêutico não busca eliminar pensamentos à força, nem ensinar controle emocional artificial. Ele convida você a ocupar um novo lugar interno, mais adulto e mais seguro, onde o passado deixa de governar o presente.
Se você sente que chegou o momento de compreender essas dinâmicas e construir um novo posicionamento emocional, posso te acompanhar nesse processo, de forma ética, cuidadosa e respeitando o seu tempo.
Esse é um caminho de clareza, autonomia e liberdade emocional — e você não precisa caminhar sozinho.
Encerramento da coluna
Quando um padrão se repete, não é punição. É um pedido de consciência.
Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade consigo mesmo.
Quando a dor encontra escuta, o caminho começa a se abrir.
*Psicanalista | Mentora Sistêmica | Terapeuta Integrativa
Atua com psicanálise, escuta terapêutica e abordagem sistêmica, auxiliando pessoas em processos de ansiedade, sofrimento emocional, conflitos afetivos e transições de vida. Seu trabalho integra consciência emocional, cuidado profundo e respeito ao tempo de cada pessoa.
Atendimentos presenciais em Aracaju e online
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