Atuação da FPI garante a sobrevivência da Renda Irlandesa em Sergipe
Irregularidades encontradas pela fiscalização resultaram em acordo para aquisição de máquinas para produção das peças artesanais.
Renda irlandesa (Foto: MPF/SE)
Entenda o caso
A empresa Torre participava das obras de implantação da rodovia SE-170, que liga o Agreste sergipano ao Baixo São Francisco. Durante a atuação da FPI, constatou-se irregularidades e danos que não estavam descritos na Licença Ambiental da obra. Segundo o Iphan, o empreendimento causou danos arqueológicos irreversíveis à região.
Tendo em vista a irreversibilidade dos danos, o Iphan propôs a compensação por meio da aquisição de 10 máquinas trançadeiras, necessárias para a confecção do lacê, utilizado na produção da Renda Irlandesa. As máquinas foram destinadas a cooperativas e associações de rendeiras em 4 municípios sergipanos (Maruim, Divina Pastora, Nossa Senhora do Socorro e Laranjeiras), além de dois exemplares destinados à Superintendência do Iphan em Aracaju.
Renda Irlandesa
O modo de fazer Renda Irlandesa recebeu, em 2009, o título de Patrimônio Cultural do Brasil, sendo incluído no Livro dos Saberes pelo Iphan. A técnica remonta à Europa do século XVII, tendo, na metade do século XX, sua consolidação no interior sergipano, como uma alternativa de trabalho para as mulheres. Hoje, a técnica ocupa mais de uma centena de artesãs e é uma referência cultural. Seu modo de fazer possibilita a transmissão da técnica e o compartilhamento de saberes, valores e sentidos específicos, além de reafirmar a identidade cultural das rendeiras e do estado de Sergipe.