Carnaval, empurrão e celular no chão: quando ‘foi sem querer’ não resolve:: Por Tarcísio Matos
Edílson Matos estava na rua para ver um bloco passar. Nada de confusão: família por perto, gente fantasiada, clima leve. Só que, no aperto da multidão, um rapaz tentou atravessar “no corpo”, empurrando para abrir espaço. Em segundos, o que era festa virou estresse: o empurrão atingiu uma moça, que caiu de lado, e o celular dela foi direto no asfalto.
A tela trincou toda.
O rapaz soltou um “foi mal, foi sem querer” e tentou sair andando. A moça, nervosa, segurou o choro: “Sem querer, mas quebrou. E agora?”
Edílson viu a cena e fez algo simples — e que muda tudo nesse tipo de situação: orientou calma e prova. Primeiro, sugeriu que ela registrasse ali mesmo, por mensagem, o nome e telefone do rapaz (se ele topasse), e fotografasse o celular, o local e o horário. Também pediu que ela anotasse o contato de duas pessoas que tinham visto o ocorrido.
Por quê? Porque no Direito Civil, a lógica é direta: quem causa dano pode ter que indenizar, inclusive quando houve imprudência. Multidão não é desculpa para “passar atropelando”. Não é sobre “culpa pesada” — é sobre responsabilidade por um resultado que podia ser evitado com cuidado.
O rapaz, vendo que a situação estava sendo tratada com seriedade, concordou em pagar o conserto, mas quis “depois a gente vê”. Edílson sugeriu um meio-termo prático: mandar um texto simples na hora, pelo WhatsApp, confirmando o combinado (“vou pagar o conserto do aparelho, orçamento X, até dia Y”). Sem humilhação, sem barraco — só clareza.
No fim, o conserto foi pago.
Carnaval é para lembrar histórias boas. E, quando dá problema, a diferença entre dor de cabeça e solução costuma ser a mesma: respeito + registro + bom senso.
Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica para o seu caso.
Tarcísio Matos, sócio do TMatos Advogados Associados, cursou Doutorado na UNLZ, Professor Universitário, Procurador Municipal e Advogado Militante.