Amazonas e Sergipe pressionam por espaço para gás natural na regulamentação do Redata
Os governadores do Amazonas e Sergipe enviaram ofícios ao presidente Lula (PT) na quinta (17/9), pedindo que a regulamentação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) considere o gás natural entre as fontes elegíveis para abastecer futuras instalações que receberão o incentivo.
A preocupação é que a limitação ou bloqueio da fonte pode restringir investimentos nos seus estados.
Em dois ofícios separados, Roberto Cidade (União/AM) e Fábio Mitidieri (PSD/SE) defendem que o governo federal adote critérios de desempenho ambiental e energético, em vez de excluir previamente determinadas tecnologias — isto é, o gás fóssil.
Enquanto o governador do Amazonas argumenta a favor do aproveitamento das reservas e infraestrutura de gás natural do estado — que ainda precisa resolver como levar eletricidade a mais de 150 mil pessoas no escuro — para viabilizar a instalação desses centros de processamento de dados ultraeletrointensivos.
Fábio Mitidieri está de olho na expansão da produção de gás com o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), que prevê duas plataformas com capacidade conjunta de processamento de até 22 milhões de metros cúbicos por dia.
Autor da emenda de redação que abriu caminho para o gás nos data centers, o senador Laércio Oliveira (PP/SE) estima uma demanda de 6 milhões de m3 de gás por dia com a construção de um centro de processamento de dados na ZPE.
O que está em jogo
A lei que cria o Redata foi sancionada na terça-feira (15), junto com a Lei Complementar que viabiliza a concessão de benefícios fiscais de até R$ 7,2 bilhões ao setor de data centers
Para acessar os incentivos, os empreendimentos precisam garantir que 100% da energia elétrica consumida deve vir de fontes renováveis ou de baixa emissão. É este último termo que está em debate.
A falta de consenso no governo sobre o enquadramento ou não do gás natural como fonte de baixa emissão no regime fez com que a definição ficasse fora do decreto, também previsto para ser assinado na terça. Uma portaria interministerial deve ser publicada na sequência, complementando a regulamentação.
Nem o decreto saiu ainda: a discussão está em andamento na Casa Civil, apurou a eixos.
E vale dizer: a atração de infraestrutura digital para o Brasil significa uma alavanca da demanda energética.
O Ministério de Minas e Energia (MME) contabiliza 38 GW em pedidos de conexão de data centers à rede — o equivalente a quase um terço da capacidade instalada do país.
No mundo todo, o consumo de energia por servidores de inteligência artificial deve dobrar até 2030. Estimativas da Kearney apontam que em 2025, os servidores de IA representaram entre 23% e 27% da eletricidade consumida pelos centros de dados.
Essas previsões também estão animando a indústria nuclear. Esta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que a capacidade de energia nuclear pode mais que triplicar até 2060, em meio ao boom da IA. A expectativa é que reatores modulares se tornem uma fonte significativa e nova de energia de baixo carbono, compensando reatores que estão sendo desativados.