FLUTUANTE 970 250 PMA JULHO
Aracaju (SE), 03 de julho de 2026
POR: Marina Lopes
Fonte: Assessoria Lucas Aribé/ CMA
Em: 29/01/2020 às 08:11
Pub.: 29 de janeiro de 2020

Lucas Aribé explica porque o tempo semafórico influencia na segurança de quem se desloca a pé

Uma verdadeira corrida. Assim é a travessia de quem precisa passar por uma faixa de pedestre na maioria das cidades brasileiras, incluindo Aracaju. A conclusão é de um estudo conduzido pelo Instituto Corrida Amiga, que na capital sergipana foi realizado pelo projeto Aracaju Acessível, em mais de 20 sinaleiras distribuídas em várias partes da cidade.

Lucas Aribé explica porque o tempo semafórico influencia na segurança de quem se desloca a pé (Foto: Assessoria Lucas Aribé)

Lucas Aribé explica porque o tempo semafórico influencia na segurança de quem se desloca a pé (Foto: Assessoria Lucas Aribé)

O Código de Trânsito Brasileiro coloca o pedestre em deslocamento ativo como prioridade no sistema de mobilidade. No entanto, o levantamento mostrou que o brasileiro tem, em geral, pouco mais de seis segundos para fazer a travessia, enquanto o tempo médio de sinal vermelho para as travessias foi de 1 minuto e 50 segundos. "Com essa velocidade média de um metro por segundo, não sei qual pedestre consegue atravessar porque a maioria dos semáforos está ajustada para quem consegue andar mais rápido”, afirma o vereador Lucas Aribé (PSB), idealizador do Aracaju Acessível.

Em Aracaju, o ponto mais crítico mapeado foi no cruzamento das avenidas Barão de Maruim com Ivo do Prado, no centro da cidade. O local fica próximo a uma unidade de ensino, que oferece cursos profissionalizantes, onde há um grande fluxo de pessoas. Neste ponto, não há um tempo destinados a pedestres, pois é um local de múltiplas possibilidades de convergência veicular. Quando uma das sinaleiras para veículos fecha, a outra se abre, não oferecendo um tempo exclusivo para pedestres.

O tempo que o semáforo fica aberto deve levar em conta a velocidade dos pedestres. O manual brasileiro de sinalização considera a velocidade de travessia dos pedestres igual a 1,2 m/s, mas idosos e pessoas com mobilidade reduzida, por exemplo, não conseguem atingir essa velocidade.

Em várias cidades, a exemplo de São Paulo, as prefeituras admitem que o mais seguro seria adotar 0,80 m/s. Capitais como Curitiba e Belo Horizonte já adequaram o tempo semafórico dentro dessa perspectiva. Em Aracaju, na visão de Lucas, a ausência do Estatuto do Pedestre – rejeitado pela Câmara de Vereadores no ano passado – impede que uma mudança nesse sentido seja efetivada com maior agilidade.

“A caminhada faz parte do processo de socialização do indivíduo, além de conectá-lo diretamente com a cidade. Por isso, não pode ser uma atividade que o exponha a riscos. É preciso que todos as pessoas tenham condições de conviver com seus iguais no meio social de maneira justa e harmônica”, pontua Aribé.

De acordo com a gestora ambiental e idealizadora do instituto Corrida Amiga, Silvia Stuchi, é preciso fazer valer o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no segundo parágrafo de seu artigo 29. “Nas cidades brasileiras, os tempos semafóricos estão muito longe de cumprir com a legislação e garantir a segurança das pessoas, em especial, de crianças e idosos, que são os que mais sofrem com essa distribuição desigual e injusta. Quanto mais adequado for o tempo de travessia dos pedestres, maiores as chances de as pessoas se deslocarem a pé e se apropriarem dos espaços públicos”, observa.
 

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