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Aracaju (SE), 03 de setembro de 2026
POR: Laís Marques
Fonte: Asscom Unit
Em: 03/09/2026 às 09:51
Pub.: 03 de setembro de 2026

Pesquisa acompanha saúde de idosos em instituições e aponta desafios para o cuidado em Sergipe

Estudo investiga hospitalizações, mortalidade e fatores de vulnerabilidade entre pessoas idosas para subsidiar ações assistenciais e políticas públicas

Pesquisa acompanha saúde de idosos em instituições e aponta desafios para o cuidado em Sergipe

Hospitalizações recorrentes, doenças crônicas e redução da capacidade funcional fazem parte da rotina de muitas pessoas idosas que vivem em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Compreender as características dessa população e os fatores relacionados a esses desfechos é fundamental para orientar estratégias capazes de qualificar o cuidado e promover melhores condições de vida. 

Com esse objetivo, a estudante do 10º período de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit), campus Estância, Michelle Almeida, desenvolveu o projeto de iniciação científica "Morbimortalidade das Pessoas Idosas Residentes em Instituições de Longa Permanência em Sergipe: uma coorte epidemiológica". 

Iniciado no segundo semestre de 2024, o estudo busca analisar os desfechos de hospitalização e mortalidade entre idosos institucionalizados no estado, relacionando dados clínicos, funcionais e sociodemográficos obtidos no início da pesquisa com os resultados observados durante o acompanhamento. 

Pesquisa pioneira 

De acordo com Michelle, a pesquisa surgiu a partir de uma proposta do professor geriatra e coordenador do curso de Medicina da Unit-Estância, Dr. Jerocílio, que percebeu a necessidade de reunir informações abrangentes sobre a realidade das pessoas idosas que vivem em instituições no estado. 

“O objetivo sempre foi compreender não apenas as doenças dos residentes, mas também aspectos ligados à fragilidade, à funcionalidade, às condições das instituições e aos fatores que podem influenciar os índices de mortalidade, já que um levantamento dessa dimensão em todo o estado ainda não havia sido realizado”, explica. 

Segundo a estudante, o trabalho foi organizado em diferentes etapas. Inicialmente, a equipe realizou o mapeamento das Instituições de Longa Permanência existentes em Sergipe e selecionou aquelas que atendiam aos critérios definidos pelo estudo. 

Em seguida, os pesquisadores fizeram visitas presenciais às unidades participantes. Ao todo, 11 ILPIs localizadas em diferentes municípios sergipanos foram avaliadas. Durante as visitas, os residentes passaram pela Avaliação Geriátrica Ampla Direcionada (TAGA), além de outros instrumentos voltados à identificação de fragilidade. 

"Esse questionário avalia aspectos como suporte social, utilização dos serviços de saúde, histórico de quedas, quantidade de medicamentos, funcionalidade, cognição, percepção da própria saúde, sintomas depressivos e estado nutricicional, entre outros fatores, permitindo relacionar a pontuação obtida nessa escala de risco com a mortalidade das pessoas idosas. 

Atualmente, já concluímos essa etapa de coleta e estamos monitorando os óbitos e as internações em cada instituição. Minha atuação, juntamente com outros quatro colegas, foi estabelecer contato com as instituições e participar da execução do projeto desde o início até a fase atual", explica. 

Monitoramento contínuo 

Encerrada a fase inicial de coleta de dados, a pesquisa passou para o acompanhamento longitudinal dos participantes. Esse monitoramento é realizado mensalmente por meio de ligações telefônicas e contatos digitais com os responsáveis pelas instituições participantes. 

“Nesse acompanhamento são registradas as informações sobre hospitalizações e óbitos dos residentes, possibilitando relacionar esses acontecimentos aos indicadores de risco identificados na avaliação inicial. Todos os dados também são organizados em tabelas e gráficos que servirão de base para as análises estatísticas”, afirma. 

As primeiras análises já permitiram delinear o perfil da população estudada. Segundo Michelle, os dados revelam que os idosos residentes nas instituições apresentam idade avançada e elevado nível de vulnerabilidade clínica e funcional. 

“Grande parte dos participantes apresentou algum grau de fragilidade, provável sarcopenia e elevada carga de doenças crônicas, cenário que evidencia a importância de um acompanhamento multiprofissional permanente e de ações voltadas à preservação da funcionalidade, prevenção de incapacidades e promoção da qualidade de vida”, avalia. 

Desafios das ILPIs e contribuições 

Além de caracterizar o perfil dos residentes, a pesquisa também revelou desafios enfrentados pelas Instituições de Longa Permanência em Sergipe. “Entre as principais demandas identificadas estão o fortalecimento da assistência multiprofissional, a ampliação das ações de prevenção da fragilidade e da perda funcional, além do acompanhamento nutricional e de iniciativas voltadas à promoção da saúde física e mental das pessoas idosas. 
Os resultados também indicam a necessidade de investimentos em recursos humanos, infraestrutura e políticas públicas capazes de assegurar um atendimento integral, humanizado e de qualidade”, destaca. 

Os achados reforçam a importância de ampliar a atenção destinada a essa população e demonstram que a qualificação dos serviços de saúde pode contribuir tanto para aumentar a expectativa de vida quanto para melhorar a qualidade de vida dos residentes. 

Michelle também ressalta o papel da convivência social, do apoio familiar e do fortalecimento dos vínculos afetivos na redução de sintomas depressivos e na promoção de um envelhecimento mais saudável. 

Olhar para o futuro 

Para a estudante, pesquisas voltadas ao envelhecimento tornam-se cada vez mais relevantes diante do crescimento da população idosa brasileira. “Embora esse grupo represente uma parcela cada vez maior da população, ainda convive com situações de invisibilidade e insuficiência de cuidados em diferentes áreas. 

A pesquisa científica contribui para compreender melhor essa realidade, identificar fragilidades e fornecer informações que orientem estratégias para aprimorar a assistência e a qualidade de vida”, avalia. 

Michelle afirma que a experiência também trouxe importantes contribuições para sua formação acadêmica. Segundo ela, a iniciação científica despertou maior interesse pela pesquisa, incentivou a produção de trabalhos científicos e fortaleceu suas habilidades de comunicação por meio do contato direto com os idosos e com os gestores das instituições. 

Ela também pretende continuar aprofundando seus estudos na área da saúde da pessoa idosa. "O campo da saúde voltado ao cuidado da população idosa é muito amplo, especialmente a Geriatria. 

Esse projeto me permitiu compreender melhor essa área, perceber sua complexidade e entender como ela responde a uma demanda cada vez maior, exigindo profissionais qualificados. Tenho gostado muito da pesquisa e do tema desenvolvido e pretendo dar continuidade a esse trabalho", compartilha. 

Na avaliação de Michelle, reduzir as hospitalizações e promover melhor qualidade de vida entre idosos institucionalizados depende do fortalecimento das equipes multiprofissionais, capazes de oferecer assistência integrada à saúde física e mental. 

Ela também defende a ampliação de projetos sociais, atividades recreativas, oficinas e exercícios de estimulação cognitiva que favoreçam a autonomia, preservem a funcionalidade e contribuam para retardar o avanço de sintomas depressivos e de quadros demenciais.

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