Dia Nacional de Conscientização sobre as Distrofias Musculares reforça importância da fisioterapia neonatal e pediátrica
Especialista em osteopatia neonatal e pediátrica, Dr. Emanuel Cerqueira destaca que o acompanhamento precoce pode contribuir para preservar a funcionalidade, prevenir complicações e proporcionar mais qualidade de vida às crianças
Celebrado em 17 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização sobre as Distrofias Musculares chama a atenção para um grupo de doenças genéticas e progressivas que provocam fraqueza e degeneração muscular. Nesse cenário, a fisioterapia neonatal e pediátrica desempenha papel importante no cuidado multidisciplinar, especialmente na preservação da mobilidade, da função respiratória e da autonomia ao longo do desenvolvimento.
Segundo o fisioterapeuta Dr. Emanuel Cerqueira, especialista em osteopatia neonatal e pediátrica, como as distrofias musculares apresentam evolução progressiva, identificar precocemente as necessidades de cada criança e estabelecer um acompanhamento individualizado pode fazer diferença na prevenção de complicações e na manutenção da funcionalidade.
“O acompanhamento fisioterapêutico precisa considerar cada fase da criança. Nosso objetivo é preservar funções, prevenir limitações secundárias e favorecer, dentro das possibilidades de cada paciente, mobilidade, conforto, participação nas atividades e qualidade de vida”, explica Dr. Emanuel.
Algumas formas da doença podem apresentar manifestações desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida. É o caso de determinadas distrofias musculares congênitas, que podem provocar hipotonia importante — popularmente percebida como o “bebê molinho” —, fraqueza muscular e comprometimento respiratório.
Nessas situações, a fisioterapia neonatal pode integrar o acompanhamento desde os primeiros meses. Entre os cuidados estão o suporte à função respiratória, técnicas de posicionamento, estímulos adequados ao desenvolvimento motor e mobilizações para auxiliar na prevenção de encurtamentos musculares e contraturas.
Sinais podem surgir durante a infância
Outros tipos de distrofia muscular tornam-se mais perceptíveis durante a infância. Na Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), por exemplo, os primeiros sinais frequentemente aparecem nos primeiros anos de vida e podem envolver atraso motor, dificuldade para correr, subir escadas ou levantar-se do chão, além de quedas frequentes.
A fisioterapia motora acompanha a evolução funcional da criança e pode incluir alongamentos, exercícios individualizados, orientações de posicionamento e estratégias destinadas a preservar a mobilidade pelo maior tempo possível.
Outro ponto importante é a prevenção de deformidades e contraturas articulares, que podem comprometer tornozelos, joelhos e quadris. Dependendo das necessidades do paciente, órteses, equipamentos de posicionamento e dispositivos de mobilidade também podem integrar o tratamento, buscando ampliar segurança, independência e participação nas atividades familiares, escolares e sociais.
“Não se trata apenas de trabalhar músculos. Estamos falando de acompanhar uma criança em desenvolvimento e buscar estratégias para que ela preserve sua autonomia e participe da vida cotidiana da maneira mais plena possível”, ressalta o fisioterapeuta.
Cuidados respiratórios também são fundamentais
À medida que algumas distrofias musculares progridem, os músculos envolvidos na respiração e na tosse também podem ser afetados. Por isso, a fisioterapia respiratória assume papel relevante no acompanhamento.
Técnicas de higiene das vias aéreas, estratégias para auxiliar a tosse e recursos específicos, quando indicados pela equipe assistencial, podem contribuir para a eliminação de secreções e redução de complicações respiratórias. O acompanhamento também busca preservar a mobilidade da caixa torácica e a função pulmonar pelo maior tempo possível.
Dr. Emanuel Cerqueira reforça que crianças com suspeita ou diagnóstico de distrofia muscular devem receber acompanhamento multiprofissional, envolvendo diferentes especialidades conforme as necessidades individuais. A fisioterapia integra esse cuidado e deve ser planejada de maneira personalizada, respeitando o diagnóstico, a idade, a capacidade funcional e a evolução clínica de cada paciente.
Para o especialista, a data de conscientização também cumpre uma função essencial: ampliar o conhecimento das famílias sobre sinais que merecem investigação e sobre a importância da assistência especializada desde as fases iniciais.
“Quanto mais cedo conseguimos compreender as necessidades daquela criança e organizar uma assistência integrada, maiores são as possibilidades de prevenir complicações evitáveis e oferecer suporte adequado ao seu desenvolvimento e à sua qualidade de vida”, conclui Dr. Emanuel Cerqueira.