Pesquisa mostra como cores de resinas interferem em trabalhos de restauração dentária
O estudo foi realizado em projeto de iniciação científica no curso de Odontologia da Unit, que se debruçou sobre materiais utilizados em tratamentos de odontologia estética

A coloração dos materiais de restauração dentária pode influenciar no resultado final de tratamentos bucais para fins estéticos. Esta é a conclusão de uma pesquisa de iniciação científica feita por alunos do curso de Odontologia na Universidade Tiradentes (Unit). O estudo se debruçou sobre os sistemas de resina composta, materiais que são utilizados em trabalhos de restauração, nos quais são reconstituídos os dentes que sofreram danos ou desgastes.
O estudo foi realizado em 2023 pelos então estudantes Ítalo Samuel Gonçalves Rodrigues e Ítala Renata Melo da Silva Tourinho, com orientação do professor Tauan Rosa de Santana, dentro do Programa de Bolsas de Iniciação Científica (Probic/Unit). O objetivo, segundo Ítala Renata, foi estabelecer uma comparação de cores entre os sistemas de resinas compostas, através de dois métodos instrumentais: o espectrofotômetro portátil e escaneamento digital.
“Este estudo tem um impacto significativo na odontologia estética, pois melhora a precisão na correspondência de cores e translucidez dos materiais, resultando em tratamentos mais naturais e satisfatórios para os pacientes. O uso destas tecnologias pode otimizar processos, reduzir custos e aumentar a eficiência, beneficiando tanto os profissionais quanto os pacientes. Além disso, contribui para a autoestima, ao oferecer resultados estéticos mais eficazes e rápidos, melhorando a qualidade de vida dos pacientes”, explica ela, esclarecendo que a odontologia estética busca “não apenas restaurar a função dos dentes, mas também trazer harmonia e beleza ao sorriso”.
De acordo com Ítala, que concluiu seu curso de graduação no final do ano passado e hoje trabalha na Unidade da Saúde da Família Tânia Santos Chagas, em São Cristóvão, esse material se destaca porque consegue imitar a cor dos dentes naturais de forma bem eficiente, além de ser mais acessível do que as resinas cerâmicas, ter boas propriedades mecânicas, ser reversível e ter aspecto natural. Para a pesquisa, foi realizado em um estudo de laboratório com quatro tipos de resina mais utilizados atualmente no mercado, entre os quais foram comparados os níveis de coloração e opacidade (referente às presenças de dentina, corpo e esmalte) de cada material.
A medição foi sobre três amostras confeccionadas com espessuras diferentes, sob as quais foram aplicadas as técnicas de análise. O estudo avaliou a translucidez dos materiais, com base em três parâmetros principais de cada cor presente no dente: a matiz (tonalidade básica), o croma, (intensidade ou saturação) e o valor (o quanto ela é clara ou escura). O estudo concluiu que as marcas comerciais e espessuras dos incrementos têm diferenças entre si e podem impactar no resultado de tratamentos estéticos. Em alguns casos, isso pode acontecer com o acréscimo de apenas meio milímetro na cavidade de um dente.
“Diante disso, é disso uma importância que a gente conheça as características ópticas dos materiais restauradores, bem como da estrutura dental, para que a gente entenda e compreenda como cada camada desse material ele vai se comportar sobre a estrutura dentária”, afirma Ítala, acrescentando que “a estética da restauração depende tanto da habilidade do dentista quanto da escolha cuidadosa das cores dos compósitos”.