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Aracaju (SE), 17 de fevereiro de 2026
POR: Gabriel Damásio
Fonte: Asscom Unit
Em: 16/02/2026 às 08:31
Pub.: 17 de fevereiro de 2026

Alunos de TI se destacam em equipes sergipanas premiadas pela NASA

Alunos de TI se destacam em equipes sergipanas premiadas pela NASA: ASCON/UNIT

Dois projetos desenvolvidos por estudantes de Ciências da Computação da Unit e da UFS, com apoio do Tiradentes Innovation Center, foram reconhecidos entre os melhores do desafio global promovido pela agência espacial norte-americana 

As universidades sergipanas vêm se consolidando como centros formadores de profissionais de alta qualificação na área tecnológica, cujos estudantes vêm se destacando nos cenários nacional e internacional com a criação de projetos inovadores e de alta relevância global. Um exemplo recente neste sentido foi o sucesso alcançado por duas equipes sergipanas que participaram da edição mais recente do NASA Space Apps Challenge 2025, desafio de inovação promovido globalmente pela NASA (National Aeronautics and Space Administration), a agência espacial dos Estados Unidos. 

Uma delas, a PureFlow, formada por seis alunos do sétimo período do curso de Ciências da Computação da Universidade Tiradentes (Unit), foi um dos 10 vencedores globais do desafio, juntamente com times da Alemanha, do Egito, do Peru, do México, da Índia e dos Estados Unidos. O projeto, que venceu a categoria Best Mission Concept (Melhor Conceito de Missão), foi o da PureFlow, plataforma de engenharia de sistemas para criação, modelagem e validação da viabilidade de habitats espaciais, locais que servem de apoio para astronautas durante as missões fora da órbita da Terra. A equipe formada pelas estudantes Lara Diniz Santana, Esthefany Muniz Chagas, Laiza Leal de Souza, Thayane Gisele Domingas dos Santos, João Felipe Silva Freitas e Pedro Lucas Henrique Neves desenvolveu o sistema durante as 48 horas da etapa local do NASA Space Apps, em outubro passado, no Tiradentes Innovation Center (TIC). 

A ferramenta é conectada ao API Donki, sistema de previsões climáticas e ambientais da NASA, podendo ser aplicada no treinamento de pessoal e no planejamento de missões espaciais. Ela funciona em três etapas. Na primeira, a do Design, o usuário age como um arquiteto, montando o habitat em 3D (adicionando quartos, laboratórios e estufas). Na segunda, a da Simulação, ele age como um engenheiro, calculando automaticamente se há energia e suprimentos suficientes para a tripulação escolhida. E na terceira, a da Validação, a plataforma Api Donki, da NASA, é consultada em tempo real: caso haja naquele momento uma tempestade solar ocorrendo no espaço, o PureFlow simula o impacto dessa radiação no habitat criado e informa as chances de sobrevivência da tripulação. 

“No planejamento das missões, o PureFlow atua como uma ferramenta de viabilidade preliminar, permitindo que agências espaciais testem centenas de configurações de habitat rapidamente antes de gastar milhões em protótipos físicos. No treinamento, ele serve como um simulador de cenários de crise. Astronautas e controladores de missão podem usar a plataforma para simular respostas a emergências, como falhas no suporte de vida ou picos repentinos de radiação, aprendendo a tomar decisões críticas de design e segurança”, explica Lara Diniz. 

Ela disse também que a equipe aplicou conceitos e conhecimentos que aprenderam ao longo das aulas que tiveram na Unit, como Engenharia de Software para a arquitetura do sistema, Computação Gráfica e Matemática (Álgebra Linear) para a manipulação do ambiente 3D, e Desenvolvimento Web Full Stack e Integração de APIs REST. “Sem a base sólida de algoritmos e estrutura de dados que tivemos em sala, não seria possível otimizar os cálculos em tempo real”, destacou a aluna, acrescentando que contou com o apoio e a orientação de professores da área de TI, que atuaram no hackathon como mentores das equipes. “A Unit e o Tiradentes Innovation Center nos forneceram o ecossistema necessário. Não é apenas sobre a técnica, mas sobre a cultura de inovação. O incentivo para participar de hackathons, a divulgação constante de oportunidades e o acesso a mentores criaram um ambiente onde nos sentimos seguros para arriscar. A universidade nos deu as ferramentas teóricas, e o TIC nos deu o palco para aplicá-las”, destacou Lara.

Menção honrosa

Além do PureFlow como um dos vencedores, outro projeto sergipano foi premiado com a menção honrosa na etapa global do NASA Space Apps: a equipe Agro Quest, formada por um egresso e dois estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS): Wilson Santos Carvalho (Ciência da Computação), Gyannine Candeias Gomes dos Santos (Ciência da Computação) e Kauê Santos Rodrigues (Bacharelado em Matemática). O projeto deles, também desenvolvido durante a etapa local no TIC, foi o Farmatro, jogo de cartas educativo e estratégico, no qual o usuário herda uma fazenda virtual e tem que tomar decisões cruciais sobre suas plantações, com base em relatórios locais da NASA que refletem mudanças ambientais reais. 

“Receber a menção honrosa nos mostrou que estávamos no caminho certo. Mesmo com um time de apenas três pessoas, conseguimos nos destacar entre mais de 11 mil projetos. Pra mim, isso prova que temos capacidade de competir tanto na parte técnica, quanto na criatividade da solução”, diz Wilson Carvalho, que também cita as várias oportunidades abertas para os integrantes da Agro Quest. “Quando você diz que seu projeto foi destaque entre tantos times avaliados pela NASA, isso abre portas que um portfólio comum não abre. O benefício disso pode vir como novas oportunidades de trabalho, convites para outros hackathons ou parcerias em novos projetos”, prevê o egresso da UFS.

Reconhecimento

As conquistas dos estudantes da Unit e da UFS no NASA Space Apps podem abrir muitas oportunidades, tanto para os alunos participantes como também para as instituições participantes. Para o coordenador de marketing do Tiradentes Innovation Center (TIC), Leonardo Sales, que atuou como líder local do NASA Space Apps Challenge em Aracaju, elas representam o reconhecimento do ecossistema sergipano de inovação e tecnologia. 

“É um processo longo, de meses de preparação, com o objetivo de incentivar a inovação e mostrar que em Aracaju e em Sergipe desenvolvemos tecnologia de ponta, com potencial de reconhecimento mundial. Esse destaque mundial amplia as oportunidades para o Tiradentes Innovation Center e o ecossistema local, possibilitando a expansão do evento na região, a captação de novos apoios e a atração de outros eventos internacionais. Sobretudo, gera oportunidades relevantes para os jovens participantes, com maior visibilidade e reconhecimento no mercado de trabalho”, considera Leonardo. 


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