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Aracaju (SE), 04 de maio de 2026
POR: Erenita Sousa
Fonte: Erenita Sousa
Em: 04/05/2026 às 13:06
Pub.: 04 de maio de 2026

O que ainda prende você ao passado sem perceber? :: Por Erenita Sousa

Erenita Sousa*

Erenita Sousa - Foto: Acervo pessoal

A visão da psicanálise sobre vínculos emocionais inconscientes

Sentir-se presa, sem conseguir avançar na vida, na carreira ou nos relacionamentos, é uma experiência mais comum do que se imagina. Muitas pessoas descrevem essa sensação como um “muro invisível” — algo que impede o movimento, mesmo quando há desejo de mudança. Existe vontade, existem planos, mas, na prática, nada se sustenta ou se conclui.

Sob a perspectiva psicanalítica, esse tipo de paralisação pode estar relacionado a conteúdos não elaborados da infância, especialmente ligados ao chamado complexo de Édipo. Mais do que um conceito teórico, ele representa a forma como a criança se organiza emocionalmente em relação às figuras de pai e mãe.

Nesse período, a criança vivencia seus primeiros vínculos afetivos intensos, marcados por amor, dependência, fantasia e, muitas vezes, possessividade. Quando esse processo não é elaborado de forma saudável, pode gerar dificuldades na vida adulta — principalmente no campo dos relacionamentos e do posicionamento pessoal.

O que isso significa na prática?

Significa que, mesmo adulta, a pessoa pode permanecer emocionalmente vinculada a dinâmicas infantis. Pode haver uma dificuldade inconsciente em se desligar das referências parentais, seja por dependência emocional, insegurança ou necessidade de aprovação. Em alguns casos, isso se manifesta como medo de assumir responsabilidades maiores, dificuldade em concluir projetos ou até uma sensação constante de não estar pronta para avançar.

É como se uma parte interna ainda estivesse presa ao passado.

No campo dos relacionamentos, isso pode aparecer como expectativas irreais, idealizações ou dificuldade em sustentar vínculos maduros. O outro não é visto como parceiro, mas, inconscientemente, como alguém que precisa ocupar um lugar emocional que não lhe pertence, por exemplo, o lugar de pai ou de mãe que sua criança interior ainda sente falta.

Na carreira, o reflexo pode ser a procrastinação, o medo de se expor ou a incapacidade de sustentar crescimento. Não por falta de competência, mas por insegurança interna.

Do ponto de vista sistêmico, esse movimento também pode estar relacionado a lealdades invisíveis. Por amor, o indivíduo permanece pequeno, não avança ou não se permite viver plenamente, como forma inconsciente de manter vínculo com a história familiar.

E isso gera um sentimento profundo de vazio.

Um buraco interno que nenhuma conquista externa consegue preencher. Porque não se trata do que falta fora — mas do que ainda não foi elaborado dentro.

O ponto de transformação começa com a consciência.

Reconhecer que existe uma imaturidade emocional não é uma fraqueza. É um passo importante. É sair da fantasia e começar a olhar para a própria história com mais verdade.

A maturidade emocional não acontece automaticamente com o tempo. Ela é construída. E, muitas vezes, exige suporte.

A terapia se torna, nesse contexto, um espaço fundamental. Um lugar onde é possível compreender esses vínculos, elaborar experiências da infância e, aos poucos, se reposicionar internamente.

Crescer emocionalmente é, também, aceitar que pai e mãe ocupam o lugar deles — e que a própria vida precisa ser assumida com responsabilidade.

Romper esse “muro invisível” não é sobre força. É sobre consciência.

Porque, quando o passado deixa de comandar, o presente finalmente pode começar.

E, com ele, a possibilidade real de construir uma vida com mais autonomia, clareza e sentido.

Com escuta, propósito e verdade,
Erenita Sousa
@erenita_sousa | 79 9 9961-5636

Sobre a autora
Erenita Sousa é contadora, jornalista, psicanalista, mentora e consteladora sistêmica familiar e empresarial.
Atua no campo terapêutico e empresarial com foco em desenvolvimento humano, posicionamento interno e relações saudáveis no trabalho e na vida.

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