Kitty Lima reforça importância da aprovação do PL do fim gradativo das carroças
Kitty Lima reforça importância da aprovação do PL do fim gradativo das carroças (Foto: Assessoria Kitty Lima)
Protocolado no ano passado, o texto visa pôr um fim ao sofrimento dos animais que são submetidos a este tipo de atividades e beneficiar, assim, a mobilidade urbana e o meio ambiente.
“O acidente ocorrido esta semana mostra a importância em aprovarmos esse projeto para o bem dos animais, da mobilidade urbana, dos motoristas e de toda a população. Esse caso se soma a tantos outros acidentes ocasionados por conta das carroças que atrapalham a mobilidade urbana, muitas vezes conduzidas por crianças e adolescentes, e que chegam a deixar vítimas fatais. Nosso objetivo não é prejudicar ninguém, pelo contrário, esse projeto dá garantias de que os animais serão respeitados, assim como o meio ambiente preservado, contribuindo também com a mobilidade urbana da cidade”, explica Kitty.
Um dos principais pontos do projeto, que deve entrar na pauta de votação da CMA no segundo semestre deste ano, é referente a situação dos carroceiros diante do fim da atividade. O ‘PL das Carroças’ propõe ainda a inserção dos carroceiros e de seus familiares no mercado de trabalho por meio de cursos profissionalizantes que serão ofertados pela Fundação Municipal de Formação Para o Trabalho (Fundat), e de alfabetização pela Secretaria Municipal de Educação (Semed).
Sobre a situação dos carroceiros, a vereadora garante que “eles só têm a ganhar. As coisas não mudarão da noite para o dia, já que a proposta é que em seis anos esse tipo de transporte seja extinto da nossa cidade. Durante esse período, a prefeitura promoverá cursos profissionalizantes para que esses trabalhadores possam desenvolver uma profissão regulamentada e melhor remunerada para dar maior dignidade à sua família”.
Durante audiência pública promovida pela OAB/SE em outubro do ano passado, que abordou a temática das carroças e dos carroceiros em Aracaju, a presidente da Comissão de Direito dos Animais da OAB/SE, Renata Mezzarano, disse que a situação desses trabalhadores é uma das grandes preocupações da comissão, uma vez que a atividade de carroceiro não é reconhecida legalmente pela Justiça.
“A gente não conhece nenhum carroceiro que pague INSS, que tenha uma vida digna ou dinheiro sobrando. São cerca de 400 quilos que a lei municipal permite que o cavalo carregue na carroça, mas quem coloca todo esse peso nela é o carroceiro. E se ele tiver um problema na coluna, por exemplo, quem cuida? Se ele não paga INSS, como vai poder se afastar para tratar do problema se ele não tem direito a nenhum tipo de auxílio?”, questionou.
Na ocasião, a violência e os maus-tratos contra os animais que tracionam as carroças foram expostos em números pelo coordenador do Curral Municipal de Aracaju, Isael Freitas Santos, dados alarmantes que envolvem ainda a apreensão de equinos na capital. Segundo ele, de janeiro a outubro de 2017, 845 animais haviam sido apreendidos pelo município. Desse total, 238 foram vítimas de maus-tratos, 46 tiveram morte constatada e outros 175 tiveram a sorte de serem adotados e ganhar uma nova vida longe da exploração e da violência.
“A maioria desses animais pertence a carroceiros e são vítimas de maus-tratos ou abandono, e os resgates geralmente são muito complexos. Muitas vezes somos recebidos de maneira hostil pelos tutores dos animais, com xingamentos, agressões físicas e até mesmo ameaça de morte, por isso não são raras as vezes que precisamos chamar o Batalhão Ambiental para nos dar um suporte no atendimento a uma ocorrência”, contou Isael.
“Por todos esses motivos é que precisamos unir forças para conseguir a aprovação desse projeto. Muitas vidas humanas e animais foram perdidas em acidentes, fato que venho alertando desde que cheguei à Câmara, mas que parece que a gestão municipal não quer enxergar. Depois de cobrar exaustivamente, conseguimos que a prefeitura iniciasse o recadastramento dos carroceiros e o emplacamento das carroças em maio deste ano, o primeiro passo para o fim gradativo das carroças. Esse cadastro está previsto em uma lei municipal de 2007, mas desde 2010 não vinha sendo realizado”, reforçou a parlamentar.
Kitty já tem uma reunião agendada com representantes da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Aracaju (SMTT) e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) para alinhar as próximas etapas do processo de recadastramento.