Casos de câncer de próstata em homens jovens crescem 32% no SUS: Dr. André Yoichi alerta para diagnóstico precoce
O aumento dos casos de câncer de próstata entre homens jovens tem chamado a atenção de especialistas em todo o país. De acordo com dados recentes do Ministério da Saúde, entre 2020 e 2024, o número de atendimentos relacionados à doença em homens com até 49 anos cresceu 32% no Sistema Único de Saúde (SUS). No mesmo período, os registros passaram de 2,5 mil para 3,3 mil casos.
Ainda segundo o levantamento, a maioria dos atendimentos envolvendo pacientes jovens evoluiu para tratamentos mais complexos, como quimioterapia, responsável por cerca de 85% dos encaminhamentos, além de cirurgias oncológicas, que variaram entre 10% e 12%, e radioterapia, entre 3% e 4%.
O urologista Dr. André Yoichi, referência em cirurgia robótica do câncer de próstata em Sergipe, explica que o aumento pode estar relacionado tanto à maior exposição de homens jovens a fatores de risco quanto à ampliação da conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce.
“Hoje observamos uma população mais jovem exposta a fatores que favorecem o desenvolvimento de doenças oncológicas, como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e até fatores ambientais.
Ao mesmo tempo, também existe uma mudança positiva de comportamento, com homens procurando assistência médica mais cedo e realizando exames preventivos com maior frequência”, destaca o especialista.
Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de próstata é o tipo mais frequente entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Nas fases iniciais, a doença pode ser silenciosa, sem apresentar sintomas evidentes. Entre os sinais mais comuns estão dificuldade para urinar, demora para iniciar ou terminar a micção, sangue na urina, diminuição do jato urinário e aumento da frequência urinária durante o dia ou à noite.
Dr. André Yoichi reforça que o diagnóstico precoce continua sendo o principal aliado para aumentar as chances de cura e permitir tratamentos menos agressivos. “Quando o câncer é identificado em estágios iniciais, conseguimos oferecer abordagens mais precisas, modernas e com melhores resultados funcionais e oncológicos, incluindo a cirurgia robótica, que proporciona maior precisão cirúrgica, recuperação mais rápida e menor impacto na qualidade de vida do paciente”, afirma.
Apesar do crescimento dos casos em homens mais jovens, especialistas não defendem a redução da idade do rastreio para toda a população. Atualmente, a recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) é que homens sem fatores de risco iniciem a investigação aos 50 anos, por meio do exame de PSA e do toque retal.
Já pacientes considerados de maior risco devem iniciar o acompanhamento aos 45 anos — ou até dez anos antes da idade em que um familiar recebeu o diagnóstico. Estão nesse grupo homens com histórico familiar de câncer de próstata, homens negros e pessoas com alterações genéticas associadas à doença.
“O mais importante é individualizar cada caso. O rastreio deve ser feito de forma consciente, orientado por um urologista e baseado no perfil de risco de cada paciente. O preconceito e o medo ainda fazem muitos homens chegarem tardiamente ao diagnóstico, e isso precisa mudar”, conclui Dr. André Yoichi.