Aracaju (SE), 31 de março de 2025
POR: Laís Marques
Fonte: Ascom Unit
Em: 25/03/2025 às 10:32
Pub.: 25 de março de 2025

Pesquisa aponta que adolescentes enfrentam desafios para diferenciar realidade e ficção na era da IA

Estudo indica aumento do ceticismo entre jovens em relação às Big Techs e reforça a necessidade de educação digital nas escolas

Com o avanço da inteligência artificial e a popularização dos deepfakes, cresce a preocupação entre especialistas sobre a dificuldade dos adolescentes em distinguir conteúdo autêntico de manipulações digitais. Um levantamento recente, publicado pela CNN Brasil e intitulado "Adolescentes, confiança e tecnologia na era da IA", revelou que muitos jovens não possuem as ferramentas necessárias para identificar informações falsas, tornando-se mais suscetíveis à desinformação e a fraudes online.

A pesquisa, conduzida com 1.045 adolescentes entre 13 e 18 anos nos Estados Unidos, apontou que 41% dos entrevistados já se depararam com imagens ou vídeos reais, mas apresentados de forma enganosa. Além disso, 35% admitiram ter sido induzidos ao erro por informações falsas divulgadas na internet, e 22% compartilharam conteúdo sem saber que era inverídico. Outro dado preocupante é que 28% dos jovens relataram dúvidas sobre estar interagindo com um ser humano ou um chatbot.

O professor e diretor de Tecnologia da Universidade Tiradentes (Unit), Fábio Santos, destaca que essa dificuldade está diretamente relacionada ao contexto em que essa geração foi criada. “Os jovens de hoje cresceram imersos no mundo digital e tendem a confiar no que veem online. Para eles, a internet sempre fez parte da realidade. A ausência de um sistema eficiente de curadoria torna ainda mais complexa a distinção entre o que é autêntico e o que foi manipulado”, explica.

Segurança digital e desafios na identificação de conteúdo confiável

O estudo também revelou que 72% dos adolescentes passaram a avaliar com mais cautela a veracidade das informações online após terem sido expostos a conteúdo enganoso. Além disso, 35% acreditam que a IA generativa tornará ainda mais difícil confiar na precisão dos dados encontrados na internet.

Nesse cenário, a educação digital surge como uma solução fundamental. Para Fábio, não basta disponibilizar informação, é essencial fomentar o pensamento crítico. “Os adolescentes precisam aprender a verificar fontes, comparar diferentes conteúdos e desenvolver um olhar mais analítico antes de aceitar algo como verdade absoluta. Existem recursos para isso, mas podem ser complexos para aqueles que ainda não possuem uma base sólida de segurança digital”, alerta.

Uma das preocupações centrais são os deepfakes, que utilizam IA para criar vídeos extremamente realistas e enganosos. Essa tecnologia pode ser usada para disseminar fake news, simular influenciadores ou jornalistas e até mesmo imitar familiares das vítimas. “O grande risco é que, ao confiar em um conteúdo falso, as pessoas podem seguir instruções prejudiciais, como fornecer dados pessoais ou comparecer a locais potencialmente perigosos. Muitas vezes, quando percebem o golpe, o dano já foi feito”, pontua o especialista.

Dentro das escolas, Fábio defende uma abordagem estruturada para tratar da segurança digital. “Esse tema ainda é pouco explorado de maneira sistemática no ambiente escolar. Seria ideal a implantação de uma disciplina específica ou um programa de formação contínua, com treinamentos frequentes. O objetivo é incorporar a segurança digital à cultura dos estudantes”, sugere.

Percepção sobre as Big Techs e medidas de proteção

Interessantemente, os próprios adolescentes têm se tornado mais céticos em relação às Big Techs. A confiança nas grandes corporações de tecnologia tem diminuído, reflexo da dificuldade crescente em discernir conteúdo genuíno de manipulações digitais. “Com a evolução da inteligência artificial e a sofisticação dos deepfakes, essa situação se torna ainda mais desafiadora. É urgente desenvolver estratégias eficazes para evitar que essa geração se torne vítima constante da desinformação”, adverte Fábio.

Para garantir maior proteção no ambiente digital, é essencial adotar boas práticas de segurança, como evitar clicar em links desconhecidos, não compartilhar informações pessoais em redes abertas e configurar perfis sociais de forma privada. “Uma simples mudança nas configurações de privacidade pode evitar o uso indevido de dados pessoais. Por isso, conscientizar os jovens sobre segurança digital deve ser uma prioridade”, conclui.


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