Médicos do Huse discutem atualização da nova resolução sobre morte encefálica
A Resolução nº 2.173/17 do Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgada no último dia 12 de dezembro, atualiza os critérios para a definição de morte encefálica, que agora poderá ser diagnosticada por mais especialistas, além do neurologista. Com os avanços da medicina, o CFM foi obrigado a acompanhar a atualização dos critérios, já que a penúltima Resolução nº 1.480/97 estava há 20 anos em vigência e sem contestação. Diante dessa nova resolução, o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) também saiu na frente e na noite da última quinta-feira,4, reuniu no auditório do hospital, médicos e residentes para debaterem o assunto e juntos traçarem mecanismos para estarem dentro das conformidades da lei.
Médicos do Huse discutem atualização da nova resolução sobre morte encefálica (Foto: SES/SE)
O membro do Conselho Regional de Medicina, Hyder Aragão, ressaltou que a nova resolução clareia alguns pontos que estavam dúbios ou que eram respondidos por pareceres e consultas e destacou as mudanças. “Ela (a nova resolução) vem muito mais concisa, clareando melhor as condutas que devem ser tomadas, logicamente que existem algumas dúvidas e isso é absolutamente natural, mas acredito que serão sanadas no decorrer do tempo. Em termos de hospital vai mudar, porque a gente vai precisar de equipamentos específicos e determinações por parte da direção sobre quem deve executar esses exames”, explicou.
A médica intensivista da UTI 2 do Huse, Janaína Feijó, destaca que a lei já está valendo e que deve ser iniciada imediatamente. “Não é qualquer médico que vai poder diagnosticar a morte encefálica, tem que ter uma lista de médicos autorizados a fazer e a gente precisa de algumas garantias e alguns insumos que a gente não tem sempre, por exemplo, o termômetro central esofágico, retal ou vesical, a gente não tem isso disponível agora aqui no hospital, então a gente vai ter que ver a lista de médicos aptos, montar um treinamento para trazer a aptidão a quem precisa e a gente vai precisar da gasometria funcionando, dos termômetros adequados, isso para começar. São muitas mudanças mas a gente se adapta. É uma obrigação, está escrito na resolução, primeiro que você tem que abrir a investigação para todo paciente que estiver em Glasgow 3 (morte encefálica), com a reflexia de tronco, isso é lei sendo. Esse paciente passivo de ser doador ou não, se ele puder ser doador e a gente conseguir fazer a captação melhor, porque vamos ajudar muitas pessoas. A resolução já está valendo”, disse.
A partir de agora, diante dessa nova resolução, a direção técnica do Huse vai reunir uma equipe para abrir uma discussão técnica, com os colaboradores da Organização à Procura de Órgãos (OPO), da neuroclínica e neurocirurgia, além dos intensivistas para discutir e debater a cerca das não conformidades, principalmente aquelas que são imediatas, para que possa dar continuidade ao processo de forma célere. O diretor técnico do Huse, Judson Tadey, informa que já estava ultrapassado em respeito a nova lei e que a reunião vai traçar um novo caminho.
“Vamos nos reunir o mais rápido possível para dar andamento tanto em condições estruturais de trabalho a critérios da nova resolução, como de decidir de quem será a equipe habilitada para nesse primeiro momento abrir a investigação de morte encefálica, isso em primeiro momento. Paralelamente, a gente já tem que pensar de forma de educação permanente, criar uma estrutura de formação para médicos e não médicos para que a gente possa criar uma cultura voltada para esse tipo de prestação de serviço, eu vejo como um desafio, mas, um desafio que vai trazer um crescimento para a nossa instituição e crescimento cultural da população. Nós estamos acompanhando esse processo e esperamos que rapidamente possamos retomar os trabalhos”, declarou.
O coordenador das UTI’s I e II do Huse, Eduardo Nogueira, revela que a reunião foi para acertar o que é necessário para entrar na nova legislação de forma correta. “Foi uma discussão rica e que resultou em algumas metas que a gente deve fazer nos próximos dias. Essa é uma resolução do CFM para todo o Brasil e que altera o reconhecimento da morte encefálica, esclarece alguns parâmetros de reconhecimento, mas, tem outros que ainda deixam dúvidas. Por isso, de imediato, a gente vai precisar de alguns insumos e de algumas informações da OPO para a gente voltar a dar o diagnóstico da morte encefálica o mais rápido possível”, concluiu.