Aracaju (SE), 26 de junho de 2026
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 26/06/2026 às 12:04
Pub.: 26 de junho de 2026

Desencontros :: Por José Lima Santana

José Lima Santana*

José Lima Santana (Imagem: Arquivo Pessoal/José Lima Santana)

O Brasil e o mundo estão desencontrados. Ou melhor, muitas pessoas estão desencontradas, para dizer o mínimo. Um jogador da Seleção Brasileira, que não anda bem das pernas, afirmou que ser obrigado a jogar na Copa do Mundo é um martírio, pois é o seu período de férias, como se fosse somente o dele. Antigamente, jogar pela Seleção de qualquer país, era o ápice da carreira futebolística. Os tempos mudaram. E para pior. Jogar na Seleção torna-se, assim, um fardo muito pesado. Mas, ninguém é obrigado a aceitar a convocação. Por que ele e os outros, aceitaram ser convocados? Garanto que havia jogadores em iguais, ou até melhores, condições, para integrarem o elenco Canarinho.

Um pré-candidato a cargo eletivo majoritário em Sergipe, arvora-se em dizer que é o maior “matador de bandidos” do estado. Esse é o seu currículo, a ser apresentado aos eleitores? Estamos vivendo uma era muito difícil. Estaríamos de volta aos tempos da expansão britânica na região dos Grandes Lagos, quando o general Philip Sheridan apregoou que “índio bom era índio morto”? Por lá, cobertores infectados pelo vírus da varíola foram distribuídos aos índios, durante a Rebelião de Pontiac (1763-1766). Mortandade em grande escala. 

Para bem representar o povo sergipano na Câmara Alta, deve ser preciso muito mais do que meramente “matar bandidos”. Aliás, em entrevista, o secretário da SSP, João Eloy, rebateu a fala do pré-candidato, dizendo que o mesmo é um “bom cumpridor de papel, um derrubador de portas”. 

Em sala de aula, na UFS, um aluno deu para saudar os colegas com um bordão, que, em princípio, eu não entendi, mas, depois, caiu a ficha. Diz ele, repetidamente: “O ministro é terrivelmente evangélico”. Valei-me!

A primeira-ministra da Itália andou às turras com o presidente alaranjado dos Estados Unidos. Aliás, só não anda às turras com ele quem se torna seu cupincha de carteirinha. Rebatendo a fala horrorosa do alaranjado tresloucado, de que ela teria implorado para tirar uma foto com ele, no G7, Giorgia Meloni disse, dentre outras coisas, que há nove países que detêm o poderio nuclear (só nove?), mas somente um deles usou armas atômicas, exatamente os Estados Unidos, em 1945, no Japão, matando dezenas de milhares de civis, em Hiroshima e Nagasaki. Bingo. 

A direita mambembe brasileira, formada, em parte, por gente de boa índole, mas, também, por muita gente de cabeça oca, facilmente influenciável, os da extrema – como também há “esquerdistas” influenciáveis –, está soltando foguetes porque a direita vem ganhando eleições na América Latina, com o apoio do presidente ianque alaranjado. Bem. Infelizmente, ainda temos no Continente muitas republiquetas de bananas, onde certos líderes políticos vivem a cheirar os fundilhos dos gringos. 

Há, no nosso estado, gente apostando que a liminar que concedeu elegibilidade a Valmir de Francisquinho, para disputar o governo do estado, vai cair antes de começar o período eleitoral. Querem assar, mais uma vez, o Pato Rouco, como ele passou a ser chamado, dado o timbre de sua voz. De última hora, em 2022, ele não pôde mais ser candidato a governador (embora tenha sido o mais votado, pois mesmo seus votos não tendo sido validados, foram devidamente computados), porém, pôde ser candidato a prefeito de Itabaiana, em 2024. Então, pode ser prefeito, mas não pode ser governador? Que interpretação ridícula é essa que se faz da legislação vigente? Com todo o respeito, isso é situação a ser vista somente em republiquetas de bananas. E nós não somos!

A Igreja Católica continua a viver dias de sobressalto por conta do desafio que os tradicionalistas do monsenhor Marcel Lefebvre (1905-1991), arcebispo francês, que rejeitou reformas litúrgicas e doutrinárias do Concílio Vaticano II, o que culminou na fundação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), que continua a desafiar a Santa Sé. São sedevacantistas que encontram alguma pálida ressonância pelo mundo afora, inclusive, aqui, na Arquidiocese de Aracaju, embora em ínfima quantidade de fiéis. É chegada a hora de o Papa Leão XIV tomar uma decisão escorreita. Quem quiser viver no saudosismo, que o faça, mas dentro dos parâmetros já estabelecidos pelo Papa Francisco. Fora disso, é cisma. 

E, por fim, falando da nossa Arquidiocese, Dom Josafá é o Ordinário, escolhido por Roma para chefiar a Igreja particular de Aracaju. Que o faça com espírito de pai e irmão na fé, com a devida competência que se exige de um bom administrador eclesiástico, gerindo de forma acertada os bens da Igreja, cuidando do bem-estar do clero e dos fiéis, compreendendo, exigindo, corrigindo, e tudo o mais se fazendo à luz do Evangelho e do Direito Canônico. Todavia, que seja respeitado por todo o clero, como convém. A Arquidiocese de Aracaju já sofreu bastante, nos últimos anos. Chega!

*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, da ASLJ, da ASE, da ADL e do IHGSE.

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